Blog UJS Ceará

O blog de política da juventude cearense!

1.600 sem-tetos invadem o Campus do Pici  

NOTA DO MOVIMENTO ESTUDANTIL SOBRE A OCUPAÇÃO DO CAMPUS DO PICI

Na madrugada da quinta para sexta-feira (25/04), um grupo com cerca de 200 pessoas ocupou parte do campus do Pici, derrubando inicialmente cerca de 600 metros do muro, próximo ao Parque Esportivo. O processo de ocupação continuou aumentando. Na noite de segunda, outra parte do muro foi derrubada seguida da incorporação de mais ocupantes (hoje são por volta de 1.600).

A Reitoria enviou ofício à Procuradoria Federal no Ceará, solicitando que fossem tomadas as providências judiciais cabíveis. A Procuradoria, por sua vez, ajuizou pedido de reintegração de posse, deferido no mesmo dia pela justiça.

Tendo em vista que o fato repercutiu na comunidade universitária e na imprensa, o movimento estudantil organizado vem ao público esclarecer que este fato nos faz refletir sobre a necessidade de uma reforma urbana no município de Fortaleza, tendo em vista as condições de pobreza de um número considerável da população.

Defendemos o direito à moradia assim como o direito legítimo à manifestação, mas ressaltamos que não concordamos com o constrangimento e agressão à comunidade universitária, depredação do patrimônio público (muro da UFC, CEDEFAM e equipamentos do Parque Esportivo), assim como a paralisação das atividades da Universidade que foram ocasionadas pela ação dos ocupantes. Entendemos também que o diálogo deveria ter sido um dos caminhos deste movimento com as instâncias da Universidade (DCE, SINTUFCe, ADUFC e Reitoria).

Vale ressaltar que não concordamos com qualquer ação que criminalize os movimentos sociais, tanto por parte da Administração Superior ou do Estado, e que todos os canais de diálogo estejam abertos, garantindo que a negociação para a desocupação seja pacífica.

Fortaleza, 29 de abril de 2008.

Conselho de Entidades de Base do DCE-UFC

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Por que o “caso Isabella” comove?  

Por Toni C.*

Não tomei conhecimento desde o princípio do caso de Isabella, cinco anos, encontrada morta no jardim de um prédio na zona norte de São Paulo no último dia 29. Mas aos poucos fui me inteirando, tomando conhecimento. Virou uma discussão nacional, onde é impossível não se envolver emocionalmente. Onipresente nos meios de comunicação há mais de duas semanas. Não há como tomar conhecimento e não se perguntar: Por quê? Quem?... Fui substituindo as perguntas, e entre as novas passou a surgir... “Por que o caso Isabella comove tanto o país?

Comecei a notar que, por mais que se provoque na sociedade os sentimentos mais individualistas, o ser humano tem guardado dentro de si sentimentos de solidariedade e companheirismo. Quem não se colocou no lugar da menina? Quem não se colocou nos lugar dos pais, dos irmãos, da mãe? Quem não se sentiu pelo menos por uma fração de segundo como se Isabella Oliveira Nardoni fosse a sua própria filha? Como se perdesse um ente querido...

Talvez tenha sido isso que Cristo ensinou quando disse “amai o próximo como a ti mesmo”. Ou o que Che expressou na celebre frase: “Se você treme de indignação perante uma injustiça no mundo, então somos companheiros”. Isabella, com cinco anos de idade, unificou uma nação de 180 milhões de pessoas num único sentimento. A comoção nacional é justa, legítima e reveladora.

Outra pergunta que fiz foi: Será que o mesmo aconteceria caso Alexandre Nardoni fosse um pedreiro desempregado, morasse numa favela e não no 6º andar do Edifício London? E se a queda da menina fosse numa valeta do esgoto a céu aberto que passasse em frente do barraco da família?

Cento e onze mortos no massacre do Carandiru a mando do governo paulista, não causaram tamanha comoção. E o país que tem cidades como o Rio de Janeiro, onde morrem mais jovens vítimas de armas de fogo do que em guerras como a de Israel e Palestina (pesquisa do Iser 2001).

A comoção é louvável. Mas por que não houve a mesma reação diante da Chacina da Candelária, quando policiais atiraram em mais de 70 menores? Por que crianças mortas de inanição comovem menos que adolescentes morrendo de anorexia? Por que quem rouba um pote de margarina vai preso e quem toca fogo em índio e mendigo fica impune?

Uma das testemunhas, um advogado morador do prédio em frente, apareceu na televisão dizendo: “A menina não representava perigo a ninguém”. Então é por isso? Quando morre um pretinho desafortunado ninguém se comove porque ele pode representar perigo quando crescer? E o mal se corta pela raiz?! Tudo demonstra que, por trás da nobre comoção, está embutido um mesquinho sentimento de classe.

Liderança de audiência

Os casos do menino João Hélio, arrastado preso ao cinto do carro, ou da estudante Liana Friedenbach, morta junto ao namorado, foram usados como estandarte para reivindicar a redução da maioridade penal, ou pedir a pena de morte. No caso Isabella, as classes menos favorecidas não saem às ruas para pedir o fim da cela especial para quem tem curso superior, ou a extinção do foro privilegiado. Afinal a lei não deve ser aplicada da mesma maneira a todas as pessoas?

Vivemos num país onde o pobre foi ensinado a se classificar como classe média baixa. Parece que essa classe média se diferencia da outra por não ter o hábito de tirar proveito da desgraça alheia. A imprensa, que mede sua audiência com pesquisas, não cansa de bombardear o caso, mesmo sem nenhuma nova informação. Se precipitou em acusar o pai e repete versões que já se sabe serem inverdades.

A polícia informa que até sexta-feira deve sair o laudo conclusivo. O telejornal da maior emissora deTV do Brasil, ne quarta pela manhã, deixou escapar que torce para que o caso se estenda ao máximo – assim como sua liderança de audiência, hoje ameaçada. Apela para o argumento macabro de que sexta feira Isabella completaria seis anos. “Não seria de bom tom no dia de seu aniversário divulgar o laudo final (sic)", comenta a apresentador. Impedida de exprimir emoções, ela diz uma única frase, “Que caso triste!”, e emenda com a próxima notícia, sobre uma festa de premiação do cinema. Entram imagens de gente sorrindo; entre os grandes campeões da noite está o filme Tropa de Elite, é claro.

Grades para janela

Discordo em gênero, número e grau de quem simploriamente classifica esse filme de fascista. Fascista é a sociedade em que vivemos. O filme é só um retrato dela.
O ator Wagner Moura, que interpreta o personagem Capitão Nascimento no filme, dá uma breve declaração, dizendo-se satisfeito por ser reconhecido não só pelo povo mas também por profissionais da área.

Será que com tanto artista, imprensa, enfim, com toda elite, ninguém cotucou o Wagner e cochichou em seu ouvido: “Wagner, entra numa cabine telefônica, vira o Capitão Nascimento, pega sua Tropa e sobe pelo elevador. Atira no primeiro que aparecer, pega uma segunda pessoa pelos cabelos e coloca a cara dele no buraco do tiro. Depois bate na cara dele gritando. ‘Confessa, quem matou Isabella, você viu, confessa!’ Até o cara contar”?

Quantos filhos não perguntarão nos próximos dias: “Papai, você tem coragem de me jogar do prédio?” Quantos não se perguntaram o que aquela criança fez para merecer isso? Quantas mães com filhos de outro casamento não proibirão que seus filhos passem um fim de semana com seu ex-marido? Será que alguém mais lucrou com isso além da imprensa e das empresas que vendem grades para janela? Não sei. Só sei que eu também não sou as coisas. Eu me revolto.

*DJ e produtor. Autor do vídeo documentario "É Tudo Nosso! O Hip-Hop Fazendo História", organizador do livro "Hip-Hop a Lápis" e membro da Nação Hip-Hop Brasil e da equipe do Portal Vermelho.

Fonte: Portal Vermelho

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Ronaldinho Gaúcho faz propaganda do nosso blog  





E o cara nem cobrou cachê por esse comercial, ele é fã da UJS!

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UJS PTG: a UJS que mais cresce no Ceará  

A UJS PTG realizou neste último sábado, dia 19 de abril, seu 3º Congresso Municipal, foi um dia inteiro dedicado ao planejamento e organização para fortalecer cada vez mais a nossa entidade. Um detalhe interessante é que todos os congressos da UJS de Potengi, desde a sua fundação em 2004, sempre aconteceram no dia 19 de abril, dia do índio.

O evento contou com a presença de mais de 100 jovens, de um total de mais de 300 filiados, muitos dos quais não puderam estar presentes devido às chuvas que vem destruindo estradas e deixando isolados vários distritos da zona rural. Logo pela manhã tivemos na abertura do congresso a leitura de um texto falando sobre os movimentos sociais no Brasil. Em seguida houve a apresentação do grupo de dança da vila central pertencente a Nação Hip Hop Brasil, mais adiante balanço das atividades da UJS PTG gestão 2006/2007 feita pelo presidente Edson e a exposição da Tese Estadual “EU VOU À LUTA COM ESSA JUVENTUDE” pelo camarada David, secretário de comunicação da direção estadual que veio exclusivamente de Fortaleza prestigiar o evento.

Tivemos ainda pela manhã palestra com Mauro Filho sobre o tema “ Movimento Comunitário” , palavras do presidente do PCdoB de Potengi, Bob PTG e abertura de espaço para falação de outros convidados presentes como presidente do Sindicato dos trabalhadores Rurais Seu Luis, Professor Deusimar, presidente da UJS de Araripe, Cinthia e o pré-candidato a prefeito pelo PCdoB local Dr. Samuel, qual tivemos a oportunidade de falar um pouco sobre a criação, por parte do poder público, de uma Secretaría de Juventude dentro do nosso município.

Contamos também com a participação da galera da UJS de Araripe principalmente a do distrito de Alagoinha que veio em peso nos dar a maior força e ficamos muito gratos pela presença de todos.

A tarde foi a vez da realização das câmaras temáticas que tiveram como temas assuntos relevantes a formação da juventude: ARTE E CULTURA, MOVIMENTO ESTUDANTIL e PPJ (PULITICAS PUBLICAS DE JUVENTUDE), os quais tiveram em sua culminância lançamento de propostas e novos desafios para serem encarados pela UJS no decorrer dessa nova gestão. Por fim enecerrou-se o evento com a eleição da nova direção Direção Municipal da UJS e delegados para a etapa estadual.

A noite teve muito som dançante promovido pela UJS, foi uma noite gostosa de muita diversão onde tentamos após um longo dia de discussões dar um pouco de lazer a essa juventude que tem sido persistente em busca dos seus objetivos, e merece todo o nosso louvor.

Fonte: Reg PTG, Secretário de Comunicação da UJS de Potengi.

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I Fórum de Mídia Livre  

Estão abertas as inscrições para o 1º Fórum de Mídia Livre, que ocorrerá no Rio de Janeiro, nos dias 17 e 18 de maio. O evento é parte de uma ampla mobilização de jornalistas, professores, estudantes e ativistas pela democratização da comunicação em defesa da diversidade informativa e da garantia de amplo direito à comunicação. A mobilização para o fórum começou no dia 8 de março, em uma reunião em São Paulo envolvendo 42 jornalistas, estudantes, professores ou pessoas atuantes na área das comunicações, de diferentes regiões do Brasil. Entre outras questões, discutiu-se o avanço do movimento de comunicação da mídia livre em todo o país, de modo a fazer frente aos grupos conservadores que concentram as atividades da comunicação social no Brasil.

O setor de comunicação, segundo o manifesto em construção disponível no site do Fórum de Mídia Livre, ''não reflete os avanços que ao longo dos últimos trinta anos a sociedade brasileira garantiu em outras áreas. Isso impede que o país cresça democraticamente e se torne socialmente mais justo''. E continua: ''A democracia brasileira precisa de maior diversidade informativa e de amplo direito à comunicação. Para que isso se torne realidade, é necessário modificar a lógica que impera no setor e que privilegia os interesses dos grandes grupos econômicos (...)''.

Um dos objetivos, ainda segundo o texto, é a democratização das verbas públicas, apoiando que ''as verbas de publicidade e propaganda sejam distribuídas levando em consideração toda a ampla gama de veículos de informação e a diversidade de sua natureza; que os critérios de distribuição sejam mais amplos, públicos e justos, para além da lógica do mercado; e que ao mesmo tempo o poder público garanta espaços para os veículos da mídia livre nas TVs e nas rádios públicas, nas suas sinopses e meios semelhantes''. O documento está disponível na íntegra aqui.

Antes mesmo do evento no Rio de Janeiro, o movimento social de comunicação já está se mobilizando em oito cidades: Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Belém, Fortaleza, Recife, Aracaju e Salvador. Os primeiros relatos já estão disponíveis no site. O próprio evento é um importante passo na discussão e deliberação sobre os rumos do movimento social de comunicação.

Programação

O 1º Fórum de Mídia Livre acontecerá dias 17 e 18 de maio de 2008 (sábado e domingo), das 9h às 17h (com pausas entre os debates e grupos de trabalho). Será realizado no campus da UFRJ da Praia Vermelha, no Auditório Pedro Calmon do Fórum de Ciência e Cultura (FCC) e salas anexas. Endereço: Avenida Pasteur, 250 – Praia Vermelha. O Auditório Pedro Calmon fica no segundo andar do FCC. Confira em breve no site do evento a programação completa do evento.

Inscrições

A participação no 1º Fórum de Mídia Livre é aberta e a inscrição é obrigatória. Os participantes podem também se informar sobre os pré-encontros em suas respectivas cidades. O custo individual da inscrição é de R$15 (quinze reais) para o público em geral e R$5 (cinco reais) para estudantes, pagos no dia do evento, junto à secretaria executiva do evento. A secretaria executiva do evento emitirá um certificado de participação para os que compareceram nos dois dias de evento.

A inscrição no 1º Fórum de Mídia Livre não garante, por ora, o transporte, estadia e alimentação dos inscritos, que no entanto estão sendo negociados. Inscreva-se já e participe dos debates.


Saiba mais: Sítio eletrônico do I Fórum de Mídia Livre.

Fonte: Blog Os Sonhos Não Envelhecem.

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A vitória de Lugo e seus reflexos no Brasil  

Num clima de euforia, dezenas de milhares de pessoas tomaram as ruas centrais de Assunção na noite deste domingo (20) para comemorar o anúncio oficial, divulgado pelo Tribunal Superior de Justiça Eleitoral (TSJE), da vitória do ex-bispo católico Fernando Lugo no pleito presidencial do Paraguai.

A festa popular, carregada de esperança, marca uma virada histórica neste sofrido país, encerrando seis décadas de domínio do direitista Partido Colorado, e confirma a inédita guinada à esquerda do tabuleiro político na América Latina - tão temida pelo imperialismo estadunidense e pelas forças oligárquicas da região e incompreendida por alguns setores esquerdistas sectários.

Segundo várias agências de notícias, a multidão em êxtase ocupou a frente do comitê da Aliança Patriótica para a Mudança quando a apuração apontou a ampliação da vantagem de Lugo sobre a colorada Blanca Ovelar. Ninguém parecia acreditar no resultado, já que pairavam dúvidas sobre o risco de fraudes eleitorais.

Cauteloso, o novo presidente anunciou: "Quando a Justiça ratificar o resultado, estaremos abertos para construir a integração real do continente". O dia do candidato foi emblemático do seu perfil progressista, de adepto da Teologia da Libertação. Ele foi votar, às 7h12, de braços dados com a argentina Hebe de Bonafini, legendária líder das Mães da Praça de Maio. Depois, ao lado do amigo brasileiro Frei Betto, Lugo rezou na paróquia São João Batista.

Intrigas da mídia venal

A vitória do "bispo dos pobres", como ele é chamado por seu trabalho junto aos sem-terra de San Pedro, uma das regiões mais miseráveis do país, enche de esperanças o povo paraguaio, reforça o processo de integração progressista do continente e desperta preocupação no Brasil.

Envenenado pela mídia hegemônica, há quem tema a eclosão de conflitos com a nação vizinha em função da energia hidrelétrica de Itaipu e da presença de milhares de fazendeiros brasileiros na agricultura paraguaia. De fato, estes temas foram centrais na campanha eleitoral, com todos os candidatos - e não apenas Lugo - defendendo mudanças, principalmente nas cláusulas do Tratado de Itaipu.

Mas o que realmente pode mudar nas relações entre Brasil e Paraguai? Quais serão os reflexos da histórica vitória de Fernando Lugo? Para entender melhor o que está em jogo, sem se contaminar com as intrigas da mídia venal, torna-se indispensável a leitura do livro recém-lançado O Direito do Paraguai à Soberania, organizado por Gustavo Codas (editora Expressão Popular).

Ele reúne três artigos que ajudam a explicar o surpreendente apoio ao teólogo da libertação, as propostas da sua organização eleitoral, batizada em guarani de Tekojoja (que significa "viver entre iguais") e as reais polêmicas em torno do inflamável Tratado de Itaipu - o foco principal da obra.

Dívidas do capitalismo brasileiro

Já na abertura, o paraguaio Gustavo Codas, que se exilou no Brasil durante a ditadura de Alfredo Strossner e milita na CUT, explícita que a vitória de Lugo deve, de fato, afetar a agenda externa brasileira. "O país sofre uma pesada herança da qual o Brasil é, em grande parte, responsável. O Paraguai foi castigado, primeiro, pelas conseqüências duradouras da guerra de extermínio que Brasil, Argentina e Uruguai lhe fizeram nos anos de 1864-1870, e, na segunda metade do século 20, pelo fortalecimento de um modelo capitalista mafioso vinculado à burguesia brasileira em todo tipo de negócios ilícitos - narcotráfico, lavagem de dinheiro, contrabando, etc.".

Para ele, três temas deverão pautar uma nova relação, mais justa e soberana, entre os dois países. "Primeiro, a renegociação do Tratado de Itaipu. Segundo, os resultados da invasão de boa parte do território oriental paraguaio por latifundiários brasileiros produtores de soja (iniciado nos anos 70). Terceiro, a integração ao Mercosul com uma verdadeira compensação das assimetrias deste pequeno e pobre país em relação aos dois maiores sócios deste projeto - Brasil e Argentina".

O livro, como explica Codas, tem como objetivo reforçar na esquerda brasileira "o compromisso com um internacionalismo que, para além dos discursos de solidariedade, deve ser transformar em passos concretos reparando as dívidas deixadas pelo capitalismo brasileiro no Paraguai".

O programa do Movimento Tekojoja

Neste rumo, os três textos dão importante contribuição ao debate. O primeiro, de Richard Gott, membro honorário do Instituto de Estudo das Américas da Universidade de Londres, apresenta detalhada biografia do "bispo vermelho do Paraguai". O segundo traz o resumo do programa do Movimento Popular Tekojoja, que está centrado na luta pela "revolução agrária", na estratégica "soberania energética", na "planificação pró-ativa do desenvolvimento nacional", no "trabalho produtivo e digno para todos", na "universalização da seguridade social", na "integração regional solidária", entre outros itens. É um programa reformista, desenvolvimentista, mas que se inspira nos "princípios libertários que alentaram a luta patriótica do nosso povo e nos ideais socialistas".

O texto mais longo, instigante e de interesse imediato para os brasileiros é do engenheiro Ricardo Canese, um dos principais assessores do novo presidente. Ele trata da "recuperação da soberania hidrelétrica do Paraguai". Com inúmeros dados técnicos, o autor argumenta que a capacidade de produção de energia do seu país é o único fator que pode destravar o desenvolvimento e garantir maior justiça social. Para ele, a vitória de Lugo reascenderá este debate estratégico, abandonado pela oligarquia paraguaia que "trocou de forma perversa a soberania hidrelétrica por concessões e apoios políticos fornecidos pelas elites dominantes dos nossos vizinhos mais poderosos", a exemplo do que ocorreu com o canal da Panamá e com as reservas de gás e petróleo da Bolívia.

Os tratados de Itaipu e Yacyretá

Apesar de posições estranhas, como a que renega as experiências socialistas, a que reforça a tese do subimperialismo - "sofremos mais a conseqüência de depender das submetrópoles (Brasília e Buenos Aires) que do próprio império" - e a que afirma que não há alternativas ao capitalismo, Canese apresenta dados sólidos sobre o "roubo" da energia hidrelétrica do Paraguai. Revela que os preços fixados pelo Tratado de Itaipu estão bem abaixo do mercado, que os juros da obra são escorchantes e eternizam a dívida externa e que as regras de comercialização são draconianas. O Paraguai consome apenas 12% da energia gerada em Itaipu, mas é obrigado a vender o restante para o Brasil. Acordo similar foi feito com a Argentina na exploração da energia de Yacyretá.

Canese estima que o país perca US$ 3,645 bilhões ao ano em decorrência desses tratados lesivos. Para ele, a renegociação dos acordos com o Brasil e a Argentina é o único caminho para a nação poder alavancar o desenvolvimento e investir em programas sociais que superem a brutal miséria do país. "O Paraguai é um país hidrelétrico. É o único país da região com genuínos excedentes... Com um PIB da ordem de US$ 7,5 bilhões, possui uma riqueza hidrelétrica que vale 50% do seu PIB. Conseqüentemente, não há nada mais importante do que recuperar a soberania sobre essa valiosa riqueza natural".

As propostas que formula, que serviram de base ao programa de Lugo, não pregam o rompimento dos acordos - como insinua a mídia. Mas procuram garantir preços justos, redução dos juros e novas regras. Defendem nada mais do que a soberania do Paraguai.

* Altamiro Borges é jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB e autor livro recém-lançado Sindicalismo, Resistência e Alternativas (Editora Anita Garibaldi)

Fonte: Portal Vermelho

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UNE realiza ato na FEAACS contra as fundações privadas  

Conseguindo aglutinar em torno do Dia Nacional de Lutas nas Federais as principais forças dentro do movimento estudantil da UFC, a UNE realiza nesta quinta-feira, a partir das 18h, grande ato na FEAACS (Av. da Universidade, N° 2431) pedindo o fim das fundações privadas e auditoria nas suas contas. Leia abaixo a nota elaborada pelas organizações que participam da construção do ato:

É de conhecimento de todos a crise que se instalou na Universidade de Brasília – UnB, a partir da comprovação do uso indevido do dinheiro público para decorar luxuosamente o apartamento funcional do REItor, Timothy Mulholland, através da FINATEC (“fundação de apoio” vinculada à UnB). Diante destes fatos, os estudantes conseguiram através da mobilização e da ocupação da Reitoria, a renúncia do REItor e do seu vice.

Mas essa luta contra as fundações de apoio, ou melhor dizendo, fundações privadas, continua, pois essa é a realidade de todas as universidades públicas brasileiras. As fundações ditas de apoio foram criadas nos anos 70 e começaram a proliferar e se fortalecer nos anos 90, como instrumento para captar financiamento, principalmente privado, para as universidades públicas.

Na UFC, existem várias fundações privadas (CETREDE, FCPC, FACEP - antiga ACEP, ASTEF e ACEG, entre outras). A presença dessas fundações na nossa universidade traz vários prejuízos para nós estudantes. É o caso dos estudantes da FEAACS, onde muitos professores deixam de lecionar na graduação e passam a priorizar apenas os cursos pagos de pós-graduação, oferecidos pela ACEP. Resultado: disciplinas sem professores, a infra-estrutura das salas dos cursos pagos são as melhores, e mais, utilizando todo espaço público para favorecer a “privatização parcial da universidade”.

Por isso, a União Nacional dos Estudantes e o Movimento Estudantil da UFC, convocam todos os estudantes a se mobilizarem neste dia Nacional de Lutas nas Federais! Exigimos:

• O fim das fundações privadas nas universidades públicas e imediata auditoria pública nas suas contas!

• O fim das fundações privadas nas universidades públicas e imediata auditoria pública nas suas contas!

• Democracia! Eleições diretas para Reitor/a e paridade nos conselhos deliberativos!

• Acesso e Permanência! Mais vagas públicas, reserva de vagas e Assistência Estudantil!

• Rever os processos de afastamento dos professores que estão lecionando nas pós-graduações pagas!

Ato na FEAACS a partir das 18h, nesta quinta, dia 17/04. Venha participar da luta por uma educação pública, gratuita e socialmente referenciada!

David Aragão, Secretário de Comunicação da UJS-Ce.

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