Blog UJS Ceará

O blog de política da juventude cearense!

"Férias no Ceará – Um Festival de Alegria", será?  

A Secretaria de Turismo do Ceará divulgou recentemente a programação da segunda edição do "Férias no Ceará – Um Festival de Alegria". São vários shows gratuitos a serem realizados entre os dias 8 de janeiro e 1° de fevereiro, em sete municípios do estado (confira a programação completa no final da matéria).

Os grandes sítios de notícia da província saudaram com entusiasmo a iniciativa e eu já devo ter recebido uns dez correios eletrônicos de amigos divulgando a série de eventos. Não há dúvidas, são todas grandes bandas do Pop Rock nacional (algumas de alto nível) e a oportunidade de assistí-las de graça gera um frisson compreensível. Entretanto, sem nenhum laivo de bairrismo, causa espécie não encontrar uma banda cearense sequer no rol dos artistas que irão se apresentar no nosso verão. Nem mesmo as tradicionais bandas de forró eletrônico que tristemente representam musicalmente o Ceará para o Brasil.

Depois de já fechada a programação, a SETUR incluiu posteriormente duas apresentações do pianista Arthur Moreira Lima, talvez na tentativa de amenizar o cenário monotemático do projeto. Foi em vão, essa inclusão tardia deixou ainda mais gritante a mensagem transmitida nas entrelinhas da escolha dos artistas.

Esse festival será, com certeza uma grande alegria para milhares de turistas e jovens cearenses, mas será mais uma fonte de amarguras para os artistas do estado, especialmente os verdadeiros representantes da cultura local, que morrem à míngua, sem poder competir contra o jabá mainstream e a manipulação midiática da grande indústria de enlatados musicais.

Programação:

08/01- FORTALEZA (Parque do Cocó)- Arthur Moreira Lima
09/01- FORTALEZA (Bom Jardim)- Arthur Moreira Lima
09/01- SOBRAL (Margem Esquerda do Rio Acaraú) – Biquíni Cavadão
10/01- FORTALEZA (Parque do Cocó)- Biquíni Cavadão
11/01- CRATO (Lagoa da Refesa) - Biquíni Cavadão
17/01- FORTALEZA (Parque do Cocó) – Titãs
18/01- SOBRAL (Margem Esquerda do Rio Acaraú) – Titãs
19/01- CANOA QUEBRADA (Praça Dragão do Mar) – Titãs
23/01- CAMOCIM (Av. Beira Mar) – Jota Quest
24/01- FORTALEZA (Parque do Cocó) – Jota Quest
25/01- CRATEÚS (a definir) – Jota Quest
30/01- TIANGUÁ (a definir) - Paralamas do Sucesso
31/01- FORTALEZA (Parque do Cocó) - Paralamas do Sucesso
01/02- JUAZEIRO DO NORTE (a definir) - Paralamas do Sucesso

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Jogo de cena esconde o real objetivo do conflito em Gaza  

Ainda não há previsão para o fim da escalada genocida na Faixa de Gaza, iniciada em 27 dezembro e chamada por Israel de “Operação Chumbo Fundido”. Mas qual é mesmo o objetivo da guerra?

Por trás das tão exploradas controvérsias religiosas, do suposto apelo americano pelo fim dos ataques de Israel, e o absurdo silêncio da ONU, uma análise mais detida do conflito pode revelar um complexo jogo geopolítico para garantir à elite israelense a tomada da Palestina e aos EUA o controle do Oriente Médio.

Segundo o chefe dos serviços de emergência do Ministério da Saúde do Hamas em Gaza, os ataques do Exército israelense já mataram pelo menos 500 palestinos, sendo 87 deles crianças, e deixou 2.450 feridos. Hasanein destacou que 22 dos 40 palestinos mortos na invasão terrestre a Gaza, iniciada na noite de sábado (3), eram civis. Entre os mortos deste domingo (4) estão uma mãe palestina e seus quatro filhos, atingidos por bombardeio israelense.

Mesmo diante de tantas mortes, a fome de sangue do Exército israelense não está nem perto de acabar. O chefe dos serviços de emergência relatou que na manhã deste domingo, forças israelenses abriram fogo contra uma zona comercial na Cidade de Gaza, provocando um número ainda não determinado de mortos e feridos.

Ainda neste domingo, palestinos disseram à imprensa que testemunharam a chegada de mais de 80 veículos blindados do Exército, como tanques, sendo estacionados no antigo assentamento judaico de Mitzarin, cerca de três quilômetros ao sul da Cidade de Gaza.

Palestina: 500 mortos; Israel: cinco

O desproporcional poderio bélico de Israel comprova-se pelas notícias divulgadas na mídia da região. Segundo a rede de TV qatariana Al Jazeera, o Hamas disse ter matado cinco soldados israelenses e ferido outros 20 nos combates deste domingo em Gaza. Já o Exército de Israel confirmou, por meio de um porta-voz, a morte de apenas um soldado.

Foi a primeira morte israelense anunciada pelo serviço militar desde o início da operação por terra na Faixa de Gaza. Segundo Israel, outros 32 israelenses ficaram feridos durante a invasão por terra.

O sanguinário presidente de Israel, Shimon Peres, voltou a destilar seu ódio neste domingo ao reafirmar que não haverá interrupção nos ataques a Gaza. ''Queremos acabar com o terrorismo. E o Hamas precisa de uma lição real e séria. E agora eles estão tendo essa lição'', disse Peres ao programa This Week, da ABC News.

Onde Peres diz ‘lição’, pela determinação com que o chefe de Estado tem levado à frente sua guerra cruel, e a despeito dos milhares de protestos pela paz que crescem em todo o mundo, inevitavelmente se compreende ‘extermínio’.

ONU permanece calada

Em sua terceira reunião desde que o conflito se iniciou, e após quatro horas de debates a portas fechadas — e apenas algumas depois da invasão terrestre de Israel a Palestina —, a conclusão da reunião deste sábado do Conselho de Segurança da ONU foi vexatória. De lá não saiu qualquer acordo sobre os termos de uma declaração pedindo o cessar-fogo na Faixa de Gaza.

''Não houve acordo entre os países membros, mas houve concordância quanto à preocupação sobre a escalada da violência e a deterioração da situação, além de um forte consenso quanto a um cessar-fogo imediato, duradouro e respeitado pelas partes”, tentou amenizar Jean-Maurice Ripert, que preside o Conselho.

O presidente geral da Assembléia da ONU, o nicaraguense Miguel D'Escoto, foi mais realista e classificou a incursão israelense como ''uma monstruosidade'', acrescentando, “e, mais uma vez, o mundo assiste consternado a disfuncionalidade do Conselho de Segurança''.

Os EUA foram decisivos para o fracasso da reunião. O país, um dos cinco com poder de veto no grupo e aliado de Israel, vetou a proposta de cessar-fogo sob a alegação de que o Hamas não acataria as medidas. “O direito de defesa de Israel é inegociável”, disse o embaixador americano, Alejandro Wolff.

Diante dos fatos, a justificativa para o início da invasão — proteger o sul israelense dos ataques de foguetes do Hamas — não convence a ninguém. Mesmo assim, com o voto dos Estados Unidos — justamente no Ano Novo, momento de apelo à paz e não de um chamado à guerra —, a ONU preserva o silêncio assustador sobre o genocídio de Israel a Palestina.

A disputa política pela paz

Com Shimon Peres de um lado, e de outro a polêmica tática de resistência do Hamas, os setores mais elitistas de Israel encontram um cenário propício para colocar em prática um antigo plano: o controle político da Palestina.

Para tanto, como tem reiteradamente mostrado o presidente israelense, não serão poupados nem mesmo os mais sórdidos meios para que a Palestina tenha a sua ‘lição’. Doa a quem doer, gostem ou não gostem: o verdadeiro terrorismo de Estado é praticado por Shimon Peres, escrevem colunistas.

Corroborara com o plano de Israel o silêncio garantido pelos EUA do Conselho de Segurança. Ao calar a ONU — além de abrir graves precedentes contra a paz mundial — o governo americano sustenta à guerra de Israel e, em troca, ganha o apoio israelense para controlar a região.

Solidariedade e luta pela paz

A fim de melar o propalado acordo geopolítico, espera-se que o crescente aumento do número de vítimas civis intensifique a pressão internacional sobre Israel para que encerre sua maior operação na Faixa de Gaza em quatro décadas. Há também os significativos riscos políticos que os combates — especialmente se suas forças sofrerem pesadas baixas nos confrontos de rua — trazem para os líderes israelenses nas vésperas da eleição nacional, marcada para 10 de fevereiro.

Como se vê, neste complexo e histórico conflito joga grande papel a solidariedade à Palestina e a mobilização mundial pela paz. Em diversas cidades, de inúmeros países e em todos os continentes, crescem os protestos pela imediata retirada das tropas de Israel e luta pela paz.

Mesmo estando tão distante, a população brasileira já começou a dar a sua contribuição realizando, na última sexta (2), um ousado ato que contou com mais de 300 pessoas. “Me comovi com as notícias da violência que eles estão sofrendo. É a primeira vez que me envolvo em uma manifestação assim”, disse na ocasião a estudante Kátia da Costa, de 17 anos. Kátia não é descendente de árabes e nem é muçulmana. Ela foi até a Avenida Paulista por se identificar com a causa e ficou sabendo do ato por uma comunidade do Orkut.

Leia também:

- Partidos comunistas e operários lançam apelo por palestinos

Fotos do conflito:


Fonte: Portal Vermelho de Notícias

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50 anos da Revolução Socialista em Cuba  

No dia 1° de janeiro se comemorou o cinquentenário da Revolução Socialista na pequena e heróica ilha caribenha. Em um momento de grande efervescência política e importantes transformações sociais em curso na América Latina, com a vitória de vários governos progressistas nos últimos anos, Cuba permanece como um símbolo na luta contra a exploração do homem pelo homem, contra as profundas injustiças e desigualdades do capitalismo.

O afastamento de Fidel Castro, por motivos de saúde criaram uma grande expectativa no mundo. A experiência socialista cubana se manterá de pé sem o homem que a liderou por mais de 4 décadas? Já percebemos os ianques e reacionários de Miami lançarem seus olhares cobiçosos em direção a Cuba.

Cuba é não apenas um símbolo forte, mas polêmico. Aqui no blog, sempre que o assunto surge, a contenda é certa. Como o argumento empírico parece surtir grande efeito sobre os leitores, resolvi não argumentar eu próprio, mas apresentar um testemunho in loco de quem pôde analisar de perto a situação em que vive o povo cubano. É um texto insento e muito bem escrito, confiram.

Uma Visão sobre Cuba

Maria Dirlene Trindade Marques*

Participei de um grupo de mineiros que esteve em Cuba do dia 20 de janeiro a 5 de fevereiro de 2008, nas Brigadas de Solidariedade. A carta renúncia de Fidel e os comentários da imprensa e das diversas pessoas que encontro, me levaram a escrever este texto, considerando o que vivi, vi, ouvi, observei e estudei. Influenciadas (os) pela intensa propaganda na imprensa, fomos a Cuba procurando a miséria e a ditadura. E, no nosso subconsciente, o povo deveria ser muito passivo e muito bronco, para manter uma ditadura de 49 anos. E o que encontramos?

Tivemos um choque pois encontramos um povo com um nível cultural bem acima da media do povo brasileiro. Tivemos liberdade de ir e vir, de bisbilhotar, entrar em todos os lugares e de conversar com todos. Alias, até de forma muito invasiva, entravamos nas casas, nas escolas infantis, nos muitos museus. Procurávamos crianças e adultos de pés no chão, mendigando, dormindo debaixo de marquises, casas miseráveis. Só então entendemos a verdade do outdoor próximo ao aeroporto: "Esta noite, 200 milhões de crianças dormirão nas ruas do mundo. Nenhuma é cubana". Outro: "A cada ano, 80 mil crianças morrem vitimas de doenças evitáveis. Nenhuma delas é cubana". Sabemos que milhares delas são brasileiras, a 8ª economia do mundo.

Chegamos um dia apos o encerramento do processo eleitoral, onde se elegeu o Parlamento, eleição não obrigatória, com 95% de participação. E, para nossa surpresa, ficamos sabendo que o Partido Comunista Cubano não é uma organização eleitoral e portanto não se apresenta nas eleições e nem postula candidatos. Os candidatos são tirados diretamente, em assembléias publicas nas diversas formas de organizações existentes: do bairro, das mulheres, jovens, estudantes, campesinas. Que depois vão se reunindo por região, estado e finalmente, no nível nacional. Estes representantes nacionais, elegem o presidente e o vice. Todos os representantes podem ser destituíveis, a qualquer momento, pelas suas bases, caso não estejam respondendo ao projeto de sua eleição. E vimos como 46% dos eleitos são mulheres (e no Brasil conseguimos as cotas de 30% para concorrer!). As estruturas de funcionamento são mais próximas de uma democracia direta. Parece-me um contra-senso chamar este processo de ditadura. Seguramente, é diferente da democracia burguesa, onde apos colocar o voto na urna finda a obrigação do eleitor. Os críticos valem-se da mágica de que "o que é bom para os EUA é bom para o resto do mundo".

Tentando entender o que víamos - pouca riqueza material, um povo simples e culto, simpático e sem stress - procuramos estatísticas: alfabetização de 99,8% (no Brasil 86,30%) e que de 1959 a 2007, a quantidade de escolas passou de 7.679 a 12.717, os professores passaram de 22.800 para 258.000, com uma população em torno de 11 milhões de habitantes sendo o pais com o maior índice de professores por habitante do mundo. No IDH 2007 da ONU, o Brasil comemorou o fato de figurar em 70º lugar. Cuba figura em 51º lugar. O país conta com 70.594 médicos para uma população de 11,2 milhões (1 médico para 160 habitantes); índice de mortalidade infantil de 5,3 para cada 1.000 nascidos vivos (nos EUA são 7 e, no Brasil, 27); 67 universidades gratuitas. Dados da UNESCO em 2002 mostram que 98% das residências cubanas possuíam instalações sanitárias adequadas (contra 75% no Brasil). Dados da CIA (central de inteligência americana), estimava em 1,9% o desemprego em Cuba; no Brasil era de 9,6% no ano de 2007. E que, a expectativa de vida ao nascer na ilha era de 77,41 anos e no Brasil era de 71,9 anos.

Esses são alguns números que encontramos, a despeito de ser uma pequenina ilha, ao alcance de um tiro de canhão disparado de Miami, que resistiu a uma tentativa de invasão norte-americana (Baía dos Porcos, 1961) e a várias outras de assassinato de Fidel Castro e ações terroristas orquestradas pela CIA, ter um bloqueio econômico e político apenas rompido por países com autonomia como Venezuela, Bolívia, China e alguns países da Europa.

Continuamos procurando outros sinais de desmandos: e os presos políticos?

De fato, há pessoas detidas mas não pelo que pensam, mas pelo que fazem, como o de organizar grupos financiados pela embaixada dos EUA. Fora isso, todas as personalidades importantes da dissidência estão em liberdade, mantendo suas atividades políticas como Martha Beatriz Roque, Vladimiro Roca e Oswaldo Paya. É importante ressaltar que Cuba sofreu intensamente com o terrorismo nos últimos 40 anos, perfazendo mais de 3500 mortos. Documentos oficiais dos EUA confirmam o financiamento de cubanos exilados para promover ações contra o governo cubano. O museu na Praia Giron (ou Baía dos Porcos) é um monumento de denúncia das ações terroristas, iniciadas desde 1961 com o rompimento das relações diplomáticas e a instauração do bloqueio econômico. Alguns dados: em 1963 o democrata Kennedy aprova o plano de manter todas as pressões possíveis com o fim de perpetrar um golpe de Estado, obrigando Fidel Castro a viver como nômade. Nos anos 90, a Lei Torricelli reforça o bloqueio econômico (seção 1705): "Os Estados Unidos proporcionarão assistência governamental adequada para apoiar a indivíduos e organizações não governamentais que promovam uma mudança democrática não violenta em Cuba". Esta lei vai ser reforçada na administração de Clinton, pela lei Helms-Burton: "O presidente dos EUA está autorizado a proporcionar assistência e oferecer todo tipo de apoio a indivíduos e organizações não governamentais independentes com vistas a construir uma democracia em Cuba". O governo Bush não podia ficar atrás e, em 2004 aprovou um financiamento de 36 milhões de dólares para financiar a oposição a Cuba, em 2005 mais 14,4 milhões de dólares, em 2006 mais 31 milhões de dólares alem de 24 milhões de dólares para a Radio e TV Marti, transmitida dos EUA para Cuba neste caso, infringindo a legislação internacional que proíbe este tipo de transmissão. Querem impor a Cuba a democracia (sic) que estão implantando no Iraque.

Com o nosso olhar de turistas de classe média, nos chocavam alguns problemas da vida cotidiana como habitações modestas, transporte publico precário, limitações econômicas para se ter papel higiênico (e pensávamos, pobrezinho dos cubanos). Estas são carências verdadeiras, alem de várias outras apresentadas pelo secretario do partido comunista, em uma palestra para os brigadistas: o aumento da prostituição, dos pequenos delitos, da corrupção e da desigualdade social. Sabiam dos problemas que poderia acarretar a abertura para o turismo apos o fim da União Soviética e a intensificação do bloqueio, nos anos 90. O investimento no turismo e posteriormente, com a criação da moeda turística, cresce a entrada de divisas, possibilitando um rendimento para os trabalhadores destes setores acima do restante da população, ocasionando o aumento da desigualdade social. Afirma ele que vivem em uma quádrupla ilha: posição geográfica; única nação socialista do Ocidente; órfã de sua parceria com a União Soviética e bloqueada há mais de 40 anos pelo governo dos EUA. Consciente destes novos problemas, buscam construir respostas coletivas. Desencadearam um processo de críticas e sugestões, através das organizações de massa e dos setores profissionais. Até agora, mais de 1 milhão de sugestões foram recebidas e estão sendo trabalhadas.

Mas, para nos brasileiros de classe média (somos quantos? 5%? 10%) e que não conhecemos a realidade dos 90% do nosso povo, que não tem como pagar um plano de saúde, com educação precária, com pouca alimentação, que fica com os restos do desperdício dos 10%, é difícil entender a lógica econômica de uma sociedade voltada para os 100% da população. E ficamos horrorizados por eles não terem papel higiênico. Mas não nos deixam horrorizados que tenham bibliotecas e livrarias em toda escola e em toda cidadezinha. Ou que tenham acesso à saúde e educação da melhor qualidade, habitação com saneamento e aparelhos eletrodomésticos novos que economizam energia. Ou, que vivam em um país sem degradação ambiental.

E a busca do conhecimento? E as escolas? Como é possível ver os círculos infantis, crianças de 1 a 4 anos, assentadas ouvindo historias, sem a professora estar gritando, mandando ficarem quietas? E ver os portões destas escolas abertas e as crianças não fugirem? Como é possível não serem stressadas? E conversando com as crianças do pré-escolar e do escolar (5 a 11 anos), ficávamos surpresas com as perguntas cheias de inteligência e informação sobre nosso pais. Como nos permitiam entrar nas salas de aulas, fotografar, bisbilhotar as bibliotecas onde encontrávamos livros de Marx a Lênin, de Jorge Amado, Machado de Assis, a Shakespeare? Imagine isto aqui no Brasil! Ficávamos encantadas. Eu, como professora da UFMG, tida como uma das melhores do Brasil, me encantava com aquelas bibliotecas. E as livrarias? Na pequenina Caimito onde ficava o acampamento, literalmente invadimos uma livraria, comprando tudo quanto e tipo de livro, pela sua qualidade e pelo preço (comprei um livro do Boaventura de Souza Santos por 8 pesos cubanos (mais ou menos a R$ 0,50), outro do Che Guevara sobre Economia Política de 397 págs. por 22 pesos cubanos, portanto em torno de R$ 1,40.

E o investimento na potencialidade do ser humano não pára aí. O desenvolvimento das artes - dança, pintura, musica, poesia, desportos - é encontrado em cada escola, em cada esquina, em cada cidade.

Tivemos também as frustrações no contato com pessoas, especialmente em Havana, onde impera o espírito da cidade turística, buscando sempre ganhar alguma coisa, passar a perna, apenas diferenciando de nossas cidades turísticas como o Rio de Janeiro pela intensidade dos problemas. É mais ingênuo, meio estilo anos 60. De todo jeito, frustrante. Nos entristeceu encontrar cubanos sonhando em sair da ilha, acreditando por exemplo, que o Brasil é um paraíso, visão que têm através das telenovelas (que todos lá assistem).

É assim, uma sociedade muito diferente que nos estimula e atrai. Aliás, nada melhor para expressar isto do que a crônica do Clovis Rossi, o "pop star" se aposenta do dia 20 de fevereiro na Folha de S. Paulo, relatando o episodio de um encontro do GATT, com a presença dos chefes de estados, diferentes autoridades mundiais e jornalistas de todo o mundo. Diz ele que o burburinho na sala do encontro e na sala dos jornalistas era enorme, com a atenção dispersa. Quando se anunciou Fidel Castro houve uma grande agitação, com todos procurando o melhor lugar para assisti-lo e "ao terminar, uma chuva de aplausos, inclusive de seus pares, 101% dos quais não tinham nem nunca tiveram nenhum parentesco e/ou simpatia com o comunismo. Difícil entender o que aconteceu ali".

Para terminar, quero colocar uma idéia desenvolvida na mesa redonda integrada por vários cientistas cubanos e sintetizada pelo jornalista Jesus Rodrigues Diaz, falando sobre o potencial no desenvolvimento do conhecimento quando ele se dá de forma coletiva: "Temos que insistir também que, quando falamos do Potencial Humano criado pela revolução, não nos referimos exclusivamente à quantidade de conhecimentos técnicos incorporados em nossa população. Mais importante ainda é a semeadura de valores éticos, de atitudes ante a vida. Na sociedade do conhecimento faz falta um cidadão com vocação de aprender e de criar, e de levar seus conhecimentos aos demais seres humanos. Os conhecimentos técnicos nos podem dizer como se trabalha, porém são os valores os que nos fazem compreender por que se trabalha e deles tiramos as motivações e as energias para seguir adiante.

Que se passa agora se os conhecimentos se voltem ao fator mais importante da produção, inclusive os bens de capital? Não é difícil de prever. A resposta do capitalismo é a intenção de converter também o conhecimento em Propriedade Privada. Porem, a boa noticia é que isto não vai funcionar. O conhecimento não é igual ao Capital. Está nas pessoas e não se pode facilmente privatizar. O conhecimento requer circulação e intercâmbio amplo. As leis da propriedade intelectual inibem este intercâmbio. O conhecimento é validado pela sua aplicação social, não pela sua venda. "O uso amplo dos produtos do conhecimento é o que os potencializa", termina o jornalista. Esta é a grande limitação do raciocínio capitalista em entender a potencialidade da criação coletiva. Ignoram que a criação humana coletiva tem muito mais possibilidades do que as leituras positivistas do conhecimento.

O maior feito desta pequenina ilha, com um povo cheio de dignidade e coragem, terá sido o de mostrar ao mundo que é possível construir uma sociedade baseada no ser humano e não na mercadoria e na acumulação de capital. E isto ameaça o mundo capitalista, e é rejeitada pela imprensa burguesa e pelos setores médios que querem impor as condições de suas vidas para a totalidade do mundo. Mas, Cuba não esta só. Existe hoje uma rede internacional de solidariedade ocasionada pelos médicos e professores cubanos em mais de 100 países, pela Operação Milagros, pelas brigadas de solidariedade e por todos aqueles que acreditam que Um Outro Mundo é Possível e que lutam pela sua construção.

* Professora da UFMG e conselheira do Conselho Federal de Economia.

Leia também a Carta do Comitê Central do PCdoB saudando o governo de Cuba.

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Reforma ortográfica da língua portuguesa entra em vigor  

Bandeiras lusófonas

A partir desta quinta-feira, 1° de janeiro, o Brasil adotou oficialmente uma nova grafia da língua portuguesa determinada pelo Acordo Ortográfico aprovado em 1990 e assinado em setembro do ano passado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Há um cronograma com tolerância de quatro anos, até dezembro de 2012, para aplicação do acordo, período em que as duas formas de escrever serão aceitas.

Além do Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor Leste e Macau (região administrativa especial da China que também fala o português) assinaram o acordo. O objetivo dos governos com as mudanças foi simplificar e uniformizar as grafias da língua portuguesa, ampliando a cooperação comercial e social entre os países.

Abaixo um arquivo em PDF com dicas do Professor Sérgio Nogueira explica de maneira simplificada as mudanças:


Para fazer o download do arquivo, clique aqui.

Fonte: Povo On Line e O Globo.

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Chat UJS Ceará  

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UJS de Sobral conclama militantes da região norte  

Unidade pra Mudar a Universidade! Amanhã Há de Ser Outro Dia!

Camarada(s),

Nós que fazemos a UJS Sobral, conscientes do papel que a Universidade Estadual Vale do Acaraú - UVA representa para a juventude de toda a região norte do estado, bem como da importância de lá construir um movimento estudantil forte, combativo e representativo. Entendemos que é fundamental a participação e envolvimento dos camaradas da UJS de todas as cidades de nossa região no processo eleitoral do DCE dessa Universidade que ocorrerá entre os dias 5 e 14 de janeiro próximo.

Continuamos na luta por uma Universidade pública, gratuita e de qualidade, por mais verbas para a Assistência Estudantil, pelos RU's e Residências Universitárias, pela regulamentação e implementação da Lei do Estágio (Projeto de Lei 993/07 ) e por mais democracia em nossa universidade. Só com a participação de todos podemos sair vitoriosos nesse primeiro grande embate da UJS Ceará no ano de 2009.

Faça sua parte! Reúna a galera da UJS e mobilize os estudantes universitários de sua cidade para votarem na chapa “Unidade pra Mudar a Universidade! Amanhã Há de Ser Outro Dia!”

Texto por André Pinheiro (militante da UJS e estudante de Ciências Sociais da UVA).

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Bienal de Cultura da UNE divulga os selecionados para a mostra estudantil  

VI Bienal da UNE

Durante a 6ª Bienal de Cultura da UNE acontece a mostra estudantil, um dos motores que giram o movimento cultural protagonizado pela UNE. Foram muitas inscrições de trabalhos vindas de todos os cantos do Brasil e o que de mais importante a coordenação tem pra falar neste momento é que tanto os selecionados como os não selecionados cumpriram o papel de engrossar o caldo e qualificar a 6ª Bienal de Cultura. Valeu mesmo! Desejamos uma boa Bienal a todos e torcemos para que continue essa relação saudável e produtiva entre a UNE e os estudantes do Brasil.

MOSTRA ESTUDANTIL DA 6ª BIENAL DE CULTURA DA UNE

ARTES CÊNICAS

Adriano Matos Xavier | SE
Anderson Kassio (Ensaio ou Saio) | AP
Caroline Falcão Nogueira Britto | BA
Catarina Noronha Veiga | BA
Evelise Felizardo | Mendes | RS
Gustavo Santos Nery | BA
Joyce Custódio de Freitas | CE
Laércio Navarro de Lima | PB
Laísa Cristina Pereira da Silva | SC
Márcia Cristina Baltazar | SP
Márcio Fecher | RJ
Maria Ione do Nascimento | SE
Milena Alves de Luna | PE
Rita Rocha | BA
Soraia Arnoni | RJ
Tatiana Silveira |MG

ARTES VISUAIS

Adenilse Romana de S. Silva | BA
Ana Elizabeth Oliveira da Silva | PE
Ana Nunes | RJ
Ana Paula Felipi Putka | SC
André de Faria | BA
Anne Solimar Pacheco Félix | BA
Bruno Saliba d Souza Almeida | RJ
Cid Costa Neto | MG
Daniel Lopes | RJ
Daniel Victor Coriolano Serafim | CE
Danilo Nazareno Azevedo Baraúna | PA
Dênis Nicola Froner de Souza | RS
Giovannii Ferreira de Souza | RS
Helena Chiesa Zorzi | RS
Jaciara Conceição Matos | BA
Joelma Felix Brandão | BA
Josineire de Azevedo Alves | BA
Laís Guedes Pereira | BA
Lara Pacielo | RJ
Leandro Ferreira | BA
Leon Orianno Lobo Sampaio | BA
Leonardo Motta Campos | RJ
Lilian Carvalho de Medeiros | MG
Lúcia Dacosta | RJ
Luis Felipe Pilagallo da Silva M. Gonçalves | PR
Marcos Vinícius da S. Neves | BA
Péricles mendes da Silva | BA
Renata Voss Chagas | AL
Rodrigo Araújo Cabral | PB
Sandrinni Princy | RJ
Silvia Ferreira Noronha Neves | MG
Tarcio Renan Vasconcelos Moreira | BA
Thaís Cristina Martino Sehn | RS
Thais dos Santos Leite | RS
Vonaldo Lopes Mota
Yasmine Moraes Alves de Lacerda | CE

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

Adriano José da Silva | PR
Anderson Rafael Cavalcante Nunes | CE
Anelise Dornelles Schantz | RS
Bruno Toríbio de Lima Xavier | MG
Caio Baccarin Xisto Paes | SP
Camila Guimarães de Almeida | PB
Camila Ramos dos Santos | BA
Carla dos Reis Santos | BA
Carlos Alberto Saraiva Monteiro | AM
César Augusto Boguchevski | PR
Clara Magda Barbosa Alexandre |CE
Cristina M. Quintela | BA
Cristina Xavier Cordeiro | MG
Daniela de Freitas Coelho | MT
Dario Ferreira Sousa Neto | SP
Edson Rodrigues Barreto Junior | SE
Fabiana de Souza Costa | SP
Fabiana Ramos da Silva | PR
Fernanda A. Andrade | BA
Gisele Ferreira de Lima | PR
Guilherme Bermeguy Chêne Neto | PA
Hugo Marcelo Ferreira de Deus Lima | RJ
Ingrid Mikaela Moreira de Oliveira | CE
Jaime Rodrigues Pinheiro | PA
Janaína Simone Neves | MG
Josemeyre Kenya Carvalho da Silva | MT
Juliam Lopes da Cunha | RS
Karen da Paz da Silva | AM
Leonardo Oliveira Moreira Pinto | MG
Lucas Benevides | RJ
Lucas Pereira de Melo | SP
Luciléia Belter | RS
Luisa Barbosa Pereira | RJ
Luiza de Almeida Bezerra | RS
Mabel Hartmann Monte Blanco | RS
Marcelo Gomes | RS
Márcio Roberto Silva de Castro | CE
Marcos Manoel Silva Cordeiro | CE
Monique Lima Marques | CE
Nágela Natasha Lopes Evangelista | CE
Patrícia D. Americano da Costa | BA
Ricardo Ramos Shiota | SP
Rodrigo Alexandre de Figueiredo | MG
Rodrigo Santos de Castro | MG
Rogério da Costa Sousa | PA
Roniere Lopes Caldas | PA
Sandra Corradini | BA
Tayame Costa | PA
Thaiany Guedes da Silva | AM
Vivian Francília Silva Kahi | RS

MÚSICA

Preto Tu | RJ
Orquestra Popular Brasil de Cara | RJ
Na Sala do Sino | RJ
Rodrigo de Almeida | PA
Xocós | SE
Cezar Silva Meneses | SE
Thiago di Luca | RS
Os Mamelungos | PE
DJ Gérson de Veras | DF
Coletivo Dinamite | MG
Silas Giron | BA
Sol | BA
Ana Luisa Barral | BA
Rafael Topázio | BA
Flauer | BA
João Lins | BA
Josyara Silva | BA
Acord | BA
Visão Urbana | BA
Opanijé | BA

CINEMA

Ricardo da Silva Andrade|BA
Projeto Oi Kabum | BA
Caio Souza Araújo | BA
Caio Souza Araújo | BA
Marcio Holmann Mota | DF
Luara Schamó | RN
Devid Souza | AM
Gustavo Melo | RJ
Bruna Barbosa | RJ
Andréia Neves Figueiredo | BA
Marcelo Bichara | RJ
Igor Min | CE
Debora Teles | CE
Magda Adinalva de Melo Lima | BA
Cristian Barbosa Dessa | BA
Projeto Educomunicação | BA

LITERATURA

Ainda em processo de seleção

*Por problemas no envio dos Correios, os trabalhos de Rondonópolis|MT e Cuiabá|MT [lotes enviados pelo DCE da UFMT] chegaram na secretaria da 6ª Bienal de Cultura da UNE após a montagem da curadoria. Dessa forma, a seleção para esses casos será divulgada dia 05 de janeiro de 2009.

Fonte: Blog da VI Bienal

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