Blog UJS Ceará

O blog de política da juventude cearense!

Caravana da UNE agita a UFC  

Como fez na Campanha do Petróleo é Nosso e no enfrentamento da Ditadura Militar, mais uma vez encontramos a UNE desempenhando um papel histórico do Movimento Estudantil, discutir as grandes questões do país. Discutir Saúde, envolvendo os novos paradigmas da Educação e da Cultura, é de fundamental importância para a sociedade brasileira hoje.

Estima-se que as atividades da Caravana da UNE, apenas na UFC (sem contar as outras 40 Universidades de 26 estados da Federação, por onde já passou ou passará), conseguiu envolver mais de 5 mil estudantes.

Foi um debate qualificado que se travou sobre os mais diversos temas interrelacionados com a saúde, as novas experiências de organização popular e o papel que o Movimento Estudantil deve assumir dentro desse contexto. Com certeza foi uma experiência transformadora e enriquecedora para todos os estudantes que foram tocados por mais esta grande iniciativa da UNE.

Saiba como foi

A Universidade Federal do Ceará (UFC) recebeu ontem (14/10), a Caravana da União Nacional dos Estudantes (UNE). A Caravana é resultado de parceria da União Nacional dos Estudantes (UNE) com o Ministério da Saúde e promoveu um dia inteiro de debates sobre Cultura, Educação e Saúde sob a ótica das Políticas Públicas.

Uma tenda do Ministério da Saúde esteve montada ao longo do dia no CH1 para consultas, exames e distribuição de preservativos, além do ônibus do Hemoce com a campanha de doação de sangue. Às 8h, as companhias de teatro Tá na Rua e a Trupe Caba de Chegar se apresentaram no Bosque da Letras. O primeiro debate, sobre violência de gênero e direitos sexuais e reprodutivos, começou às 10h, com a participação de Thereza De Lamare, coordenadora de Saúde do Jovem e Adolescente do Ministério da Saúde, Odorico Monteiro, Secretário de Saúde de Fortaleza e Camila Silveira, militante do Movimento de Mulheres.

À tarde foi uma saudável desordem de tudo ao mesmo tempo. Enquanto no Auditório da Biblioteca eram exibidos os filmes "SOS Saúde", de Michael Moore e “O Afeto se Encerra em nosso Peito Juvenil”, de Sílvio Tendler, no Bosque aconteciam a Oficina de Circo e apresentações de Teatro de Rua, ao passo que no MAUC acontecia a reunião de articulação do Centro Universitário de Cultura e Arte - CUCA, que em breve será organizado no Ceará, a partir da mobilização de estudantes da UFC.

Às 20h aconteceu o último debate do dia, "Saúde, Educação e Cultura para um Novo Brasil: desenvolvimento e Políticas Públicas", no Auditório da Reitoria. Os debatedores foram a Presidente da UNE, Lúcia Stumpf, o Professor André Jalles — representando da Pró-Reitoria de Graduação da UFC, David Barros Araújo — membro do Conselho Nacional de Juventude (CONJUVE), Alexandre Santini — Coordenador dos CUCAs da UNE, Norma Paula — Coordenadora de Gestão de Sistemas e Pontos de Cultura da Secretaria de Cultura do Ceará e o Médico Chico Passeata — Representante do Ministério da Saúde.

O encerramento da Caravana se realizou na Concha Acústica da UFC com apresentação do Maracatu Az de Ouro e as bandas Mufinus, Avenida Funk e Relicário. Por volta de mil estudantes participaram da celebração.

De Fortaleza a caravana segue para Natal, no Rio Grande do Norte. A última parada será na Universidade de Brasília (UnB), no Distrito Federal, no dia 27 de novembro.

Poema composto por Ronaldo Wanderley, estudante de Letras da UFC, em homenagem à Caravana

CARAVANA

LÁI RÊM A CARAVANA DE OUTRO MUNDO
COM TATUAGENS
E SOTAQUES
DE OUTROS MUNDOS
GIRO O MUNDO
GIRA O MUNDO
CARAVANA
CARA ANA
VAN CARAANA
DE ONDE VEM A CARAVANA
QUE É A CARA DO MEU MUNDO

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A Caravana da Saúde da UNE chega à UFC  

A União Nacional dos Estudantes (UNE), em parceria com o Ministério da Saúde, lançou o ousado projeto “Caravana da UNE – Saúde, Educação e Cultura”.

Desde 11 de agosto até 27 de novembro a entidade máxima de representação dos estudantes universitários estará percorrendo 41 Universidades de 27 estados da Federação. Neste dia 14 de outubro (terça), no Campus do Benfica da UFC, será a vez dos cearenses participarem da maior Caravana já realizada no país.

Confira a Programação completa da Caravana:

Terça-feira (14/10)

08h – Apresentação da “Cia de Teatro Tá na Rua” e “Trupe Caba de Chegar” (Bosque da Letras, no CH1).

10h – Debatendo Saúde: Direitos Sexuais e Reprodutivos. Descriminalização e Legalização do aborto, Planejamento Familiar, Violência de Gênero e Masculinidade, Exploração Sexual e Tráfico de Jovens (Biblioteca Central da UFC, no CH1).

14h – Apresentação do filme “SOS Saúde”, direção: Michael Moore (Biblioteca Central da UFC, no CH1).

18h – Apresentação do filme “O Afeto se Encerra em nosso Peito Juvenil”, direção: Sílvio Tendler (Auditório da Reitoria da UFC).

20h – Debatendo Saúde, Educação e Cultura para um Novo Brasil. Desenvolvimento e Políticas Públicas (Auditório da Reitoria da UFC).

22h – Apresentação Cultural na Concha Acústica da UFC:

• Boi Juventude

• Projeto Circo

• Maracatu Az de Ouro

• Mufinus

• Avenida Funk

• Relicário

*Entrada franca

Mais informações:

Rudiney de Souza (fone: 85 9977 1480)
David Aragão (fone: 85 8774 5115)

Fonte: Blog Não Pare na Pista - Chapa 5 - Movimento para o DCE da UFC

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Leia entrevista com Luizianne após a vitória para a prefeitura de Fortaleza  

Após conquistar a reeleição em primeiro turno, a prefeita petista Luizianne Lins (39) abriu espaço em sua apertada agenda de comemorações e, claro, projeções de nova gestão, para conversar com este Blog. Em entrevista ao nosso colaborar mais do que especial, jornalista Demitri Túlio, Luizianne abre o verbo. Conta, por exemplo, que, vez em quando sente falta da liberdade pessoal. Não esconde situações difíceis à frente da administração que a levaram, vez por outra, a momentos de depressão. Ela, no entanto, projeta um segundo período de "consolidação administrativa".

Consolidada como liderança na capital cearense, Luizianne Lins afirma que ganhou a eleição no primeiro turno por méritos de quem demonstrou compromisso com a cidade. Não há, segundo a petista, projeto individual de poder, beneficiamento de grupo político ou mágica de marqueteiro.

Sobre João Alfredo, ex-aliado e o vereador mais votado em Fortaleza, não poupa: espera uma oposição sectária. Luizianne anuncia também reestruturação das Regionais. Além disso, o novo perfil dos titulares das Regionais deverá ser "menos político e mais técnico". Na gestão que está terminando, alguns "se investiram mais de poder do que a própria prefeita."

BLOG - Um "prefeitinho" às vezes tem mais poder que a prefeita. As secretarias regionais vão passar por reformulação?

Luizianne Lins - Olhe, visitei em 2006 uma experiência em Rosário na Argentina. Lá, eles estão há 16 anos descentralizando as "regionais". De lá troxemos a experiência da praça de atendimento inteligente. Já estamos experimentando na Regional VI. Na hora que a pessoa chega e diz o que quer, a demanda dele entra em um sistema e uma senha eletrônica o direciona para a fila que tem menos gente para ser atendida. É para resolver seus problemas de maneira menos demorada. Estamos utilizando verbas do Programa Nacional de Apoio à Gestão Administrativa e Financeira. É um programa de modernização da gestão de uma forma geral. A idéia também é criar outras duas regionais para dividir o trabalho da VI, que é maior territorialmente, e a V. As regionais serão mais fortalecidas no sentido da execução. Planeja-se em uma secretaria temática, no governo e se executa na regional. Para isso, retomaremos o Instituto de Planejamento de Fortaleza (Iplanfor). Na secretaria regional se terá menos margem de se fazer políticas individuais.

BLOG - Isso aconteceu na primeira gestão?

Luizianne Lins - A gente observou que há uma tendência disso acontecer. Eu costumo dizer que uma regional é a segunda maior cidade do Ceará depois de Fortaleza, porque no mínimo você tem 350 mil pessoas. Se não cuidar, ele vira um "prefeito" e você terá seis cidades segregadas.

BLOG - Na eleição passada a senhora tinha outros aliados, nessa vive outra realidade. Que filme passa na cabeça?

Luizianne Lins - Na verdade, nós perdemos pouca gente. Havia três figuras públicas que nos apoiavam mais diretamente, afora uma militância que está toda na campanha. Era o João Alfredo (hoje PSol), o Pinheiro (Francisco Pinheiro, hoje vice-governador) e o Sérgio Novais. O João Alfredo e o Renato Roseno foi uma separação política muito doída, mas a gente está muito feliz porque somos os mesmos com as mesmas pessoas que estão em volta e enfrentando o desafio de ser governo.

BLOG - A senhora chamaria os dois para um trabalho na Prefeitura?

Luizianne Lins - Eu tenho achado as posições deles muito sectárias, muito esquerdista e não de esquerda. Esquerdista como dizia o camarada Lênin: "esquerdismo é doença infantil do comunismo". Os quadros políticos do PSol não vêem nada de bom no governo Lula! Como não? Não há mediação nenhuma na crítica. Como achei também um absurdo, acusarem a Prefeitura de ser estar pressionando servidor para apoiar a reeleição. Nunca, nunca, a Prefeitura foi tão isenta no processo eleitoral. Constituímos uma ouvidoria eleitoral, fizemos uma cartilha de orientação e distribuímos com todos os servidores: comissionados e não comissionados.

BLOG - Como a senhora imagina a oposição que João Alfredo fará na Câmara Municipal?

Luizianne Lins - Acredito que a postura dele tem sido muito intolerante ao grupo que ficou.

BLOG - Sua vida mudou totalmente, principalmente agora. A senhora não tem mais tanta liberdade como antes. A senhora tem alguma saudade de outros tempos?

Luizianne Lins - Eu sempre fui uma pessoa do mundo, sempre ganhei o mundo e transitei em todo canto. O maior sacrifício pra mim é essa ausência de poder estar em qualquer lugar, a qualquer hora da forma que eu quiser estar. Sinto falta. Já aconteceu caso como num dia em que sai andando no aeroporto velho (Pinto Martins), sozinha, e as pessoas começaram a olhar para mim. Me senti estranha e comecei a olhar a roupa para ver se tinha algo sujo ou errado. Comecei a ficar preocupada. Quando alguém gritou "olha a Luizianne", caiu a ficha. Eu tinha esquecido que era prefeita! Eu sinto falta dessa liberdade.

BLOG - Tiveram momentos em que a senhora pensou em desistir da reeleição?

Luizianne Lins - Eu passei alguns dias muito mal. Era o sentimento de saber se eu queria como pessoa, como ser humano, se deveria renovar esse compromisso com o povo. Eu levo muito a sério isso, não é brincadeira ou ganância barata por poder. Eu vejo como missão como a minha vida pública toda. Sinto saudades da universidade (UFC), quero voltar a estudar. Me organizei mentalmente para terminar o primeiro mandato e ir terminar meu mestrado em Filosofia Contemporânea, depois ir fazer meu doutorado fora do Brasil. Passar uns dois anos fora do Brasil. Veio essa missão e de qualquer maneira a gente acabou não construindo alternativa para continuar o projeto. Era muito coisa para fazer e priorizar. Era a cidade quebrada financeiramente. Havia o dilema de você ter feito tudo e entregar de mão beijada. Saneamos as contas, pagamos 95% das dívidas de curto prazo. Se há uma coisa que fiz, foi correr atrás de dinheiro para assegurar recursos. Hoje tenho 60 milhões para fazer os Cucas com o dinheiro do BID; tenho já aprovado o Transfor; 40 milhões para o Hospital da Mulher; 5 milhões para o calçadão da Praia de Iracema e 22 milhões que sairá depois da eleição para urbanizar o resto da Praia de Iracema. Os nós grandes da cidade estamos enfrentando como é o caso da Vila do Mar, a Rosalina onde construímos 1802 casas - maior que Nova Jaguaribara.

BLOG - O governador Cid Gomes (PSB) deverá ser candidato à reeleição em 2010. Ele é seu candidato?

Luizianne Lins - Se for candidato à reeleição, ele é meu candidato. Acredito que não vá ter grandes alterações. A única coisa que poderia acontecer, é uma hipótese que eu não acredito, de o PSDB querer se coligar com a esquerda. Nós não iremos se coligar com o PSDB em nenhuma hipótese. Ainda mais porque além de tudo - do ponto de vista político -, o PSDB é muito ruim.

BLOG - As declarações do deputado federal Ciro Gomes (PSB) elogiando seu carisma é um aceno?

Luizianne Lins - Eu tenho dito em relação a ele que não me interessa o que ele pensa ou diz. Não dou a menor notícia. Ainda mais, além de me atacar, diz que ganhei por causa do Duda Mendonça. É uma falta de respeito. Achei leviano o tom desrespeitoso que ele utilizou contra mim e o governo. Foi mal educado ao me chamar de "coronel de saia", "stalinista", "Fortaleza puteiro a céu aberto", que Duda Mendonça elegeria até um "tolete de cocô". Definitivamente, ele não é referencial para mim.

BLOG - A senhora se deprimiu nessa campanha?

Luizianne Lins - Eu passei 20 dias deprimida. Era uma angústia pessoal, não era política. Fiquei muito angustiada sem saber se queria ou não queria retomar esse compromisso com o povo. Faço política com a alma, é muita responsabilidade. Comecei tudo muito cedo e nunca tive padrinho político. Fui eleita vereadora com 26 anos, fui eleita prefeita com 36, hoje tenho 39 anos. Fui a mais votada do PT com 26 anos, passei 10 anos no parlamento e quatro anos de governo. Não deixa de ser sacrifício muito grande para quem não é corrupto e não vê o governo como um negócio. Para você ter uma idéia, não tirei um dia de férias e até nas viagens havia compromissos políticos. Eu não desligo, eu sou assim.

BLOG - No começo da campanha, a imprensa e os analistas políticos diziam que a senhora não seria eleita. A senhora fazia que leitura?

Luizianne Lins - Eu sempre estive tranqüila, da mesma maneira que em 2004. O mesmo sentimento que eu ia ganhar a eleição. Comecei com 30% das intenções de votos segundo o Datafolha. Era um empate com o Moroni, que vive numa eterna expectativa e eu que estou no olho do furacão! A oposição apostava no fracasso e que o ciclo deles voltaria. O desastre não se consolidou porque demonstramos pulso e determinação. De 2004 pra cá eu era a única mulher prefeita de capital do Brasil e a mais nova. Não é uma situação confortável, tem uma série de preconceitos. Era um desafio que conseguimos vencer. Olha, o Duda Mendonça não venceu a eleição. A "Duda Mendonça" fez a campanha. O Duda foi consultor. Quem fez a campanha foi o mesmo pessoal que fez a campanha de 2004. O Joe Pimentel, a Isabela, o pessoal de rádio da campanha passada. A todo momento teve uma interação, o slogan inicial foi mudado a pedido nosso, o fundo do material de propaganda, o posicionamento estratégico no primeiro momento. Ele achava que tinha de rebater críticas e seguramos porque eu disse que não ia polarizar com ninguém. Não ia responder besteira.

BLOG - De quem foi a decisão que você iria para os debates?

Luizianne Lins - Minha. Eu disse que não ia faltar a nenhum debate porque nunca tive medo de debate. Decidi por respeito ao povo e disseram que eu queria me fazer de vítima.

BLOG - Qual vai ser o papel do Tin Gomes como vice?

Luizianne Lins - O papel dele político a gente vai discutir posteriormente. A idéia é que ele cumpra um papel de auxiliar à prefeita e colabore com a cidade. Está sempre à disposição da cidade, sem ficar tencionando internamente o governo. Quanto mais discreto e colaborador ele for, melhor. Não é a toa que quando nos foi oferecido a vice-governadoria escolhemos o Pinheiro (Francisco). Nós pensamos em um quadro de alta qualidade política e intelectual. O Cid Gomes já me disse que eu dei pra ele o vice que pediu a Deus. Ele só colabora.

BLOG - Que música você quer ouvir amanhã (hoje)?

Luizianne Lins - Aquela do Chico Buarque: "Apesar de você amanhã há de ser outro dia/ Eu pergunto a você onde vai se esconder/Da enorme euforia? Como vai proibir/ quando o galo insistir em cantar?/Água nova brotando...".


(Foto - Edimar Soares)

Fonte: Blog do Eliomar

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Às vésperas das eleições panfletos apócrifos contra Luizianne invadem Fortaleza mais uma vez  

Ninguém esperava que essa fosse uma disputa limpa. A velha política suja de Fortaleza acredita que pode seguir em frente com suas práticas anti-éticas e covardes e ainda assim vencer o páreo. Como se não bastassem os ataques constantes e diretos à Luizianne durante toda a campanha até aqui, sem nenhuma proposta, a oposição filistina resolveu baixar o nível de vez. Preparem-se, a baixaria de verdade agora começou.

Novamente os partidos comprometidos com a direita reacionária e as elites conservadoras recorrem ao panfleto anônimo e à nota avulsa para tentar desestabilizar a campanha de Luizianne Lins, que vem construindo uma trajetória transparente, sóbria e propositiva, buscando a reeleição para a prefeitura da quarta capital do Brasil.

Nas eleições passadas, durante um 2° Turno acirradíssimo, entre Luizianne Lins e o candidato do DEM, Moroni Torgan, milhões de panfletos apócrifos invadiram a cidade dias antes das eleições acusando a candidata petista de ser lésbica e contra às igrejas. Ela, que tem uma ligação forte com o movimento GLBTT e com as pastorais da igreja católica, não se intimidou diante das falácias e enfrentou os petardos de frente, conquistando a vitória com uma vantagem confortável.

Agora, mais uma vez, mesmo diante da constatação do fracasso da estratégia da difamação órfã nas eleições de quatro anos atrás, a oposição retoma a carga e repete a fórmula. Faltando pouco mais de 24 horas para as eleições do dia 05 de outubro, milhões de panfletos são prodigamente distribuídos pela cidade alegando um falso acordo entre Luizianne e o ex-prefeito Juraci Magalhães e um mentiroso aumento das passagens já arranjado para depois do pleito.

Viemos aqui denunciar a manobra ignóbil da direita em Fortaleza porque este tipo de prática desonesta perde cada vez mais e mais espaço com o crescimento do espírito crítico do eleitorado brasileiro. Nossa cidade e o resto do país está mudando e está mudando para melhor. Podem manter os seus inescrupulosos anacronismos e engodos, o povo não acredita e nem aceita mais eles. A prefeita Luizianne Lins será, com certeza, como apontam todas pesquisas, reeleita ainda no 1° turno.

Vejam o panfleto apócrifo (cliquem na imagem para ver maior):



David Aragão,
Secretário de Comunicação UJS/Ce.

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Cubanos driblam dificuldades e promovem explosão de blogs  

A explosão dos blogs chegou a Cuba, apesar das dificuldades de sua população para ter acesso à internet e ao reduzido número de computadores. O surgimento de uma comunidade de pessoas com este modo de comunicação neste país pode rapidamente deixar de ser um sonho.

“Penso que blogar a partir de Cuba é algo importante para divulgar nossa realidade, pontos de vista e nos comunicarmos com o mundo”, disse à IPS Roger Trabas, programador autodidata e autor do site intitulado Kilómetro Cero. “O mais difícil é conseguir uma conexão com a internet”, reconheceu Trabas, que tem de acessar a rede a partir de seu trabalho e também lidar com outros problemas com a lentidão da comunicação.

Por causa do odioso bloqueio norte-americano, Cuba só pode se conectar à internet via satélite — o que reduz drasticamente a largura da banda e encarece o tráfego de informação. Isto pode mudar com a instalação de um cabo submarino de fibra ótica desde a Venezuela, projetado para o começo de 2010.

Apenas 5,2% das pessoas consultadas na Pesquisa sobre Acesso a Serviços Selecionados de Informação e Comunicação de 2007, do Escritório Nacional de Estatísticas (ONE), usavam computador em sua casa. Segundo o levantamento, 88,8% se conectam em locais de trabalho ou estudo.

Essa desproporção poderia responder ao modelo de “informatização da sociedade” estabelecido pelo governo, que prioriza o acesso às novas tecnologias informáticas e da comunicação em centros científicos, educacionais, instituições culturais e órgãos estatais, acima do uso individual.

“Fica difícil, mas, tudo está no empenho de cada um”, disse Trabas, que compartilha em seu site o interesse pela programação informatizada com temas da realidade cubana. “Na maioria das vezes se mantém um blog por amor à arte, porque economicamente não te traz nenhum benefício, mas conhecimentos — a possibilidade de compartilhar com pessoas e descobrir a si mesmo”, acrescentou.

Encontro

Trabas organizou junto ao empresário e blogueiro francês David Chape, estabelecido em Havana há 12 anos, o primeiro Encontro Blogueiros por Conta Própria, convocado a partir do site Bloggers Cuba, que aconteceu no último dia 27 no governamental Palácio de Computação e Eletrônica, na capital cubana. A esse primeiro encontro do que pode chegar a ser a comunidade de blogs da ilha compareceu um pequeno grupo de blogueiros, especialistas em jornalismo digital e entusiastas dessa experiência, de Cuba e da França.

Os blogs são sites na internet que costumam refletir os interesses e as opiniões de uma pessoa, em geral o autor e administrador ao mesmo tempo, sobre qualquer tema. Freqüentemente permitem a publicação de comentários dos internautas, a partir do qual são criadas redes sociais multinacionais hoje em plena expansão.

O número dos publicados na ilha ainda é impreciso. A direção de Bloggers Cuba apenas abriga 14 páginas pessoais, enquanto o site Blogs sobre Cuba — que inclui os abertos em outros países — se refere a 650. Por outro lado, na direção da não-governamental União de Jornalistas de Cuba (UPEC) aparecem 174.

Um informe do site Technorati, atualizado até o dia 20 passado, informou que no mundo há 133 milhões de blogs. Deste número, apenas 7,4 milhões renovaram sua informação nos últimos quatro meses e cerca de 1,5 milhão o fez na semana anterior ao fim da pesquisa. A expansão do fenômeno dos blogs abriu novas interrogações no mundo da comunicação e em particular no jornalismo, que de certo modo vê ameaçado seu status profissional pela irrupção de milhões de potenciais cronistas da realidade.

“É muito interessante que se desenvolva em Cuba o fenômeno do jornalismo feito pelas pessoas, porque isso acontece há muito tempo em nível internacional”, disse Anidelys Rodríguez, professora da Faculdade de Comunicação da Universidade de Havana. Encarregada de uma assinatura de jornalismo digital, Anidelys considera o auge deste “jornalismo cidadão” como uma maneira de pressão sobre os meios tradicionais para que melhorem a qualidade de sua proposta informativa e ampliem as agendas temáticas.

“É importante em Cuba que as pessoas contem e falem sobre o país a partir de suas próprias experiências, do que sentem — e não a partir da visão tão especializada dos meios de comunicação cubanos, que têm uma agenda e interesses específicos nem sempre coincidentes com os das pessoas”, afirmou.

Uma das experiências de jornalismo cidadão, o blog Generación Y, da filóloga Yoani Sánchez, foi distinguida este ano pelo jornal espanhol El País com o prêmio Ortega y Gasset. Embora o primeiro Encontro Blogueiros por Conta Própria tenha concluído sem acordos formais, os participantes concordaram quanto à necessidade de criar uma comunidade, cuja plataforma poderia ser o site Bloggers Cuba.

“O mais importante é dar o primeiro passo — e já fizemos isso de fato”, disse Trabas. “Espero que a comunidade cresça, que as pessoas com acesso à internet aproveite isso também para escrever coisas úteis, para gerar informação. A partir daqui vai crescer e acredito que não vai parar”, afirmou este blogueiro “por conta própria”, de 34 anos.

Fonte: IPS/Envolverde

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Lula sanciona reforma ortográfica  

Bandeiras lusófonas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta última segunda-feira (29), dia em que se completaram os cem anos da morte de Machado de Assis, o decreto que estabelece a reforma ortográfica da língua portuguesa. As mudanças na escrita começam a valer a partir de 1º de janeiro de 2009. A solenidade ocorreu na Academia Brasileira de Letras (ABL), no Rio de Janeiro.

A reforma da ortografia pretende unificar o registro escrito nos oito países que falam português - Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor Leste, Brasil e Portugal.

De 2009 até 31 de dezembro de 2012, ou seja, durante quatro anos, o país terá um período de transição, no qual ficam valendo tanto a ortografia atual quanto as novas regras. Assim, concursos e vestibulares deverão aceitar as duas formas de escrita – a atual e a nova.

Nos livros escolares, a incorporação das mudanças será obrigatória a partir de 2010. Em 2009, podem circular livros tanto na atual quanto na nova ortografia.

O que muda na escrita

De acordo com especialistas, 0,45% das palavras brasileiras sofrerão alterações, ao passo que em Portugal haverá mudanças em 1,6% dos vocábulos. As regras que mudam são as seguintes:

Novas letras – há a incorporação do "k", do "w" e do "y" ao alfabeto. O número de letras passa de 23 para 26.

Trema – deixa de existir. A grafia passa a ser: linguiça e frequente.

Acentos diferenciais – serão suprimidos acentos como o de "pára", do verbo parar.

Acentos agudos de ditongos – somem os acentos de palavras como "idéia", que vira "ideia".

Acento circunflexo – somem os acentos de "vôo" ou de "crêem".

Hífen – palavras começadas por "r" ou "s" não levarão mais hífen, como em anti-semita (ficará "antissemita") ou em contra-regra (ficará contrarregra).

Pontos em aberto

O acordo não define todos os usos de hífens, por exemplo. Assim, palavras como pé-de-cabra, ainda não têm o rumo certo e dependem da elaboração de um vocabulário pela Academia Brasileira de Letras e pelos órgãos dos outros sete países signatários.

História do acordo

O acordo ortográfico da língua portuguesa foi assinado em Lisboa em 1990 e deveria ter entrado em vigor em 1994, o que não se concretizou. Em 1998, foi assinado em Cabo Verde um protocolo que modificava a data de vigência, que foi ratificado em 2002.

Sem que as mudanças se aplicassem, em 2004 foi assinado um novo protocolo modificativo, que previa a adesão do Timor Leste, independente desde 2002. Este novo protocolo previa que as mudanças na ortografia entrariam em vigor a partir da assinatura de três países.

O acordo ortográfico já foi ratificado por Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Portugal, e, portanto, pode entrar em vigor. O processo de implementação em cada país pode variar.

Resistência às alterações

Em Portugal o acordo foi aprovado em maio deste ano e a nova ortografia deverá ser obrigatória dentro de seis anos, porém em terras lusitanas o acordo encontra resistência. No Brasil, alguns estudiosos descreem que o país adote as normas em apenas quatro anos e, tampouco, que entrem em vigor, de fato, em Portugal.

O que não resta dúvidas é que se o acordo não for cumprido dessa vez por todos os países envolvidos, perderemos a chance de fortalecer cultural e politicamente um bloco embrionário de povos lusófonos, que por conta da forte identificação linguística, à revelia das decisões políticas, anseia por caminharem juntos, apara assim se tornarem mais fortes e representativos.

Leia o texto do Decreto do Governo Lula sobre a Reforma Ortográfica

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Hobsbawm: A crise do capitalismo e a importância atual de Marx  

“Marx não regressará como uma inspiração política para a esquerda até que se compreenda que seus escritos não devem ser tratados como programas políticos, mas sim como um caminho para entender a natureza do desenvolvimento capitalista”. A análise é de Eric Hobsbawm, considerado um dos maiores historiadores vivos.

Em entrevista ao sítio Sin Permiso, Hobsbawm analisa a atualidade da obra de Karl Marx e o renovado interesse que vem despertando nos últimos anos, mais ainda agora após a nova crise de Wall Street. E fala sobre a necessidade de voltar a ler o pensador alemão. Hobsbawm é presidente do Birbeck College (London University) e professor emérito da New School for Social Research (Nova Iorque). Entre suas muitas obras, encontra-se a trilogia acerca do “longo século XIX”: “A Era da Revolução: Europa 1789-1848” (1962); “A Era do Capital: 1848-1874” (1975); “A Era do Império: 1875-1914 (1987) e o livro “A Era dos Extremos: o breve século XX, 1914-1991 (1994), todos traduzidos em vários idiomas.

Leia abaixo a entrevista concedida a Marcello Musto, reproduzida da Agência Carta Maior:

Marcello Musto - Duas décadas depois de 1989, quando foi apressadamente relegado ao esquecimento, Karl Marx regressou ao centro das atenções. Livre do papel de intrumentum regni que lhe foi atribuído na União Soviética e das ataduras do “marxismo-leninismo”, não só tem recebido atenção intelectual pela nova publicação de sua obra, como também tem sido objeto de crescente interesse. Em 2003, a revista francesa Nouvel Observateur dedicou um número especial a Marx, com um título provocador: “O pensador do terceiro milênio?”. Um ano depois, na Alemanha, em uma pesquisa organizada pela companhia de televisão ZDF para estabelecer quem eram os alemães mais importantes de todos os tempos, mais de 500 mil espectadores votaram em Karl Marx, que obteve o terceiro lugar na classificação geral e o primeiro na categoria de “relevância atual”. Em 2005, o semanário alemão Der Spiegel publicou uma matéria especial que tinha como título “Ein Gespenst Kehrt zurük” (A volta de um espectro), enquanto os ouvintes do programa “In Our Time” da rádio 4, da BBC, votavam em Marx como o maior filósofo de todos os tempos. Em uma conversa com Jacques Attali, recentemente publicada, você disse que, paradoxalmente, “são os capitalistas, mais que outros, que estão redescobrindo Marx” e falou também de seu assombro ao ouvir da boca do homem de negócios e político liberal, George Soros, a seguinte frase: “Ando lendo Marx e há muitas coisas interessantes no que ele diz”. Ainda que seja débil e mesmo vago, quais são as razões para esse renascimento de Marx? É possível que sua obra seja considerada como de interesse só de especialistas e intelectuais, para ser apresentada em cursos universitários como um grande clássico do pensamento moderno que não deveria ser esquecido? Ou poderá surgir no futuro uma nova “demanda de Marx”, do ponto de vista político?

Eric Hobsbawm - Há um indiscutível renascimento do interesse público por Marx no mundo capitalista, com exceção, provavelmente, dos novos membros da União Européia, do leste europeu. Este renascimento foi provavelmente acelerado pelo fato de que o 150° aniversário da publicação do Manifesto Comunista coincidiu com uma crise econômica internacional particularmente dramática em um período de uma ultra-rápida globalização do livre-mercado. Marx previu a natureza da economia mundial no início do século 21, com base na análise da “sociedade burguesa”, cento e cinqüenta anos antes. Não é surpreendente que os capitalistas inteligentes, especialmente no setor financeiro globalizado, fiquem impressionados com Marx, já que eles são necessariamente mais conscientes que outros sobre a natureza e as instabilidades da economia capitalista na qual eles operam.

A maioria da esquerda intelectual já não sabe o que fazer com Marx. Ela foi desmoralizada pelo colapso do projeto social-democrata na maioria dos estados do Atlântico Norte, nos anos 1980, e pela conversão massiva dos governos nacionais à ideologia do livre mercado, assim como pelo colapso dos sistemas políticos e econômicos que afirmavam ser inspirados por Marx e Lênin. Os assim chamados “novos movimentos sociais”, como o feminismo, tampouco tiveram uma conexão lógica com o anti-capitalismpo (ainda que, individualmente, muitos de seus membros possam estar alinhados com ele) ou questionaram a crença no progresso sem fim do controle humano sobre a natureza que tanto o capitalismo como o socialismo tradicional compartilharam. Ao mesmo tempo, o “proletariado”, dividido e diminuído, deixou de ser crível como agente histórico da transformação social preconizada por Marx.

Devemos levar em conta também que, desde 1968, os mais proeminentes movimentos radicais preferiram a ação direta não necessariamente baseada em muitas leituras e análises teóricas. Claro, isso não significa que Marx tenha deixado de ser considerado como um grande clássico e pensador, ainda que, por razões políticas, especialmente em países como França e Itália, que já tiveram poderosos Partidos Comunistas, tenha havido uma apaixonada ofensiva intelectual contra Marx e as análises marxistas, que provavelmente atingiu seu ápice nos anos oitenta e noventa. Há sinais agora de que a água retomará seu nível.

Marcello Musto - Ao longo de sua vida, Marx foi um agudo e incansável investigador, que percebeu e analisou melhor do que ninguém em seu tempo o desenvolvimento do capitalismo em escala mundial. Ele entendeu que o nascimento de uma economia internacional globalizada era inerente ao modo capitalista de produção e previu que este processo geraria não somente o crescimento e prosperidade alardeados por políticos e teóricos liberais, mas também violentos conflitos, crises econômicas e injustiça social generalizada. Na última década, vimos a crise financeira do leste asiático, que começou no verão de 1997; a crise econômica Argentina de 1999-2002 e, sobretudo, a crise dos empréstimos hipotecários que começou nos Estados Unidos em 2006 e agora tornou-se a maior crise financeira do pós-guerra. É correto dizer, então, que o retorno do interesse pela obra de Marx está baseado na crise da sociedade capitalista e na capacidade dele ajudar a explicar as profundas contradições do mundo atual?

Eric Hobsbawm - Se a política da esquerda no futuro será inspirada uma vez mais nas análises de Marx, como ocorreu com os velhos movimentos socialistas e comunistas, isso dependerá do que vai acontecer no mundo capitalista. Isso se aplica não somente a Marx, mas à esquerda considerada como um projeto e uma ideologia política coerente. Posto que, como você diz corretamente, a recuperação do interesse por Marx está consideravelmente – eu diria, principalmente – baseado na atual crise da sociedade capitalista, a perspectiva é mais promissora do que foi nos anos noventa. A atual crise financeira mundial, que pode transformar-se em uma grande depressão econômica nos EUA, dramatiza o fracasso da teologia do livre mercado global descontrolado e obriga, inclusive o governo norte-americano, a escolher ações públicas esquecidas desde os anos trinta.

As pressões políticas já estão debilitando o compromisso dos governos neoliberais em torno de uma globalização descontrolada, ilimitada e desregulada. Em alguns casos, como a China, as vastas desigualdades e injustiças causadas por uma transição geral a uma economia de livre mercado, já coloca problemas importantes para a estabilidade social e mesmo dúvidas nos altos escalões de governo. É claro que qualquer “retorno a Marx” será essencialmente um retorno à análise de Marx sobre o capitalismo e seu lugar na evolução histórica da humanidade – incluindo, sobretudo, suas análises sobre a instabilidade central do desenvolvimento capitalista que procede por meio de crises econômicas auto-geradas com dimensões políticas e sociais. Nenhum marxista poderia acreditar que, como argumentaram os ideólogos neoliberais em 1989, o capitalismo liberal havia triunfado para sempre, que a história tinha chegado ao fim ou que qualquer sistema de relações humanas possa ser definitivo para todo o sempre.

Marcello Musto - Você não acha que, se as forças políticas e intelectuais da esquerda internacional, que se questionam sobre o que poderia ser o socialismo do século 21, renunciarem às idéias de Marx, estarão perdendo um guia fundamental para o exame e a transformação da realidade atual?

Eric Hobsbawm - Nenhum socialista pode renunciar às idéias de Marx, na medida que sua crença em que o capitalismo deve ser sucedido por outra forma de sociedade está baseada, não na esperança ou na vontade, mas sim em uma análise séria do desenvolvimento histórico, particularmente da era capitalista. Sua previsão de que o capitalismo seria substituído por um sistema administrado ou planejado socialmente parece razoável, ainda que certamente ele tenha subestimado os elementos de mercado que sobreviveriam em algum sistema pós-capitalista.

Considerando que Marx, deliberadamente, absteve-se de especular acerca do futuro, não pode ser responsabilizado pelas formas específicas em que as economias “socialistas” foram organizadas sob o chamado “socialismo realmente existente”. Quanto aos objetivos do socialismo, Marx não foi o único pensador que queria uma sociedade sem exploração e alienação, em que os seres humanos pudessem realizar plenamente suas potencialidades, mas foi o que expressou essa idéia com maior força e suas palavras mantêm seu poder de inspiração.

No entanto, Marx não regressará como uma inspiração política para a esquerda até que se compreenda que seus escritos não devem ser tratados como programas políticos, autoritariamente ou de outra maneira, nem como descrições de uma situação real do mundo capitalista de hoje, mas sim como um caminho para entender a natureza do desenvolvimento capitalista. Tampouco podemos ou devemos esquecer que ele não conseguiu realizar uma apresentação bem planejada, coerente e completa de suas idéias, apesar das tentativas de Engels e outros de construir, a partir dos manuscritos de Marx, um volume II e III de “O Capital”. Como mostram os “Grundrisse”, aliás. Inclusive, um Capital completo teria conformado apenas uma parte do próprio plano original de Marx, talvez excessivamente ambicioso.

Por outro lado, Marx não regressará à esquerda até que a tendência atual entre os ativistas radicais de converter o anti-capitalismo em anti-globalização seja abandonada. A globalização existe e, salvo um colapso da sociedade humana, é irreversível. Marx reconheceu isso como um fato e, como um internacionalista, deu as boas vindas, teoricamente. O que ele criticou e o que nós devemos criticar é o tipo de globalização produzida pelo capitalismo.

Marcello Musto - Um dos escritos de Marx que suscitaram o maior interesse entre os novos leitores e comentadores são os “Grundrisse”. Escritos entre 1857 e 1858, os “Grundrisse” são o primeiro rascunho da crítica da economia política de Marx e, portanto, também o trabalho inicial preparatório do Capital, contendo numerosas reflexões sobre temas que Marx não desenvolveu em nenhuma outra parte de sua criação inacabada. Por que, em sua opinião, estes manuscritos da obra de Marx, continuam provocando mais debate que qualquer outro texto, apesar do fato dele tê-los escrito somente para resumir os fundamentos de sua crítica da economia política? Qual é a razão de seu persistente interesse?

Eric Hobsbawm - Desde o meu ponto de vista, os ''Grundrisse'' provocaram um impacto internacional tão grande na cena marxista intelectual por duas razões relacionadas. Eles permaneceram virtualmente não publicados antes dos anos cinqüenta e, como você diz, contendo uma massa de reflexões sobre assuntos que Marx não desenvolveu em nenhuma outra parte. Não fizeram parte do largamente dogmatizado corpus do marxismo ortodoxo no mundo do socialismo soviético. Mas não podiam simplesmente ser descartados. Puderam, portanto, ser usados por marxistas que queriam criticar ortodoxamente ou ampliar o alcance da análise marxista mediante o apelo a um texto que não podia ser acusado de herético ou anti-marxista. Assim, as edições dos anos setenta e oitenta, antes da queda do Muro de Berlim, seguiram provocando debate, fundamentalmente porque nestes escritos Marx coloca problemas importantes que não foram considerados no “Capital”, como por exemplo as questões assinaladas em meu prefácio ao volume de ensaios que você organizou (Karl Marx's Grundrisse. Foundations of the Critique of Political Economy 150 Years Later).

Marcello Musto - No prefácio deste livro, escrito por vários especialistas internacionais para comemorar o 150° aniversário de sua composição, você escreveu: “Talvez este seja o momento correto para retornar ao estudo dos “Grundrisse”, menos constrangidos pelas considerações temporais das políticas de esquerda entre a denúncia de Stalin, feita por Nikita Khruschev, e a queda de Mikhail Gorbachev”. Além disso, para destacar o enorme valor deste texto, você diz que os “Grundrisse” “trazem análise e compreensão, por exemplo, da tecnologia, o que leva o tratamento de Marx do capitalismo para além do século 19, para a era de uma sociedade onde a produção não requer já mão-de-obra massiva, para a era da automatização, do potencial de tempo livre e das transformações do fenômeno da alienação sob tais circunstâncias. Este é o único texto que vai, de alguma maneira, mais além dos próprios indícios do futuro comunista apontados por Marx na “Ideologia Alemã”. Em poucas palavras, esse texto tem sido descrito corretamente como o pensamento de Marx em toda sua riqueza. Assim, qual poderia ser o resultado da releitura dos “Grundrisse” hoje?

Eric Hobsbawm - Não há, provavelmente, mais do que um punhado de editores e tradutores que tenham tido um pleno conhecimento desta grande e notoriamente difícil massa de textos. Mas uma releitura ou leitura deles hoje pode ajudar-nos a repensar Marx: a distinguir o geral na análise do capitalismo de Marx daquilo que foi específico da situação da sociedade burguesa na metade do século XIX. Não podemos prever que conclusões podem surgir desta análise. Provavelmente, somente podemos dizer que certamente não levarão a acordos unânimes.

Marcello Musto - Para terminar, uma pergunta final. Por que é importante ler Marx hoje?

Eric Hobsbawm - Para qualquer interessado nas idéias, seja um estudante universitário ou não, é patentemente claro que Marx é e permanecerá sendo uma das grandes mentes filosóficas, um dos grandes analistas econômicos do século 19 e, em sua máxima expressão, um mestre de uma prosa apaixonada. Também é importante ler Marx porque o mundo no qual vivemos hoje não pode ser entendido sem levar em conta a influência que os escritos deste homem tiveram sobre o século 20. E, finalmente, deveria ser lido porque, como ele mesmo escreveu, o mundo não pode ser transformado de maneira efetiva se não for entendido. Marx permanece sendo um soberbo pensador para a compreensão do mundo e dos problemas que devemos enfrentar.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

Fonte: Portal Vermelho de Notícias

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