Blog UJS Ceará

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Regulamentação da profissão DJ: Como? Pra quem?  

Por DJ Saddam*

A regulamentação da profissão DJ no Brasil vem ocupando com destaque a mídia e provocando discussões acaloradas nos profissionais do toca-discos.

O projeto de lei 740/2007, do Senador Romeu Tuma – político que realmente tem um "vínculo intrínseco com a categoria e com a cultura"- altera a Lei 6533/78 que dispõe sobre a regulamentação de Artistas e de Técnicos em Espetáculo de Diversões. O projeto já começa mal, pois coloca o DJ como profissional técnico, retirando o artístico da profissão, que há tempos vem ocupando lugar de destaque no cenário musical, com profissionais de ponta como Marky, Patife, Anderson Noise e Marlboro conquistando mercado em outras praças.

Vários festivais são realizados, reunindo milhares de pessoas, onde os Djs são as únicas atrações. Nestes espetáculos, os técnicos: sonoplastas, iluminadores, contra-regras e outros, trabalham em função do DJ que está no palco e é o artista.

Muitos abraçam este projeto de lei como fosse o “ovo do Colombo”, a “salvação da lavoura” pois finalmente reconhece legalmente a profissão DJ. Isso é defendido principalmente pelos mais antigos que sonham se aposentar como tal. Mas a lei, na verdade, não atende a maior parte da categoria que é de autônomos. Prevê como carga máxima horária diária 6 horas, quando na verdade, qualquer profissional do ramo sabe que isso é extremamente desgastante para o DJ e, ao mesmo tempo, pode influenciar a dispensa de Djs por proprietários de casas noturnas, uma vez que já que a carga máxima é de 6 horas, um único DJ pode muito bem conduzir sozinho uma festa, recebendo o mesmo cachê mixuruca que é praticado na maioria dos lugares.

A categoria dos Djs tem uma peculiaridade: como é composta em sua maioria por autônomos, fica mais difícil um convívio maior com outros profissionais do ramo e torna o mercado cada vez mais cruel, com a competição forte e muitas vezes desleal. Ao contrário de outras categorias em que aquele velho antagonismo de classes “patrão X empregado” é o que dita a une, no ramo dos toca-discos, na maioria das vezes o grande vilão dos Djs é o próprio colega de cabine de som, que tenta de todas as formas queimar o trabalho do outro, cobra mais barato pra tirar o serviço do colega, fala que contrato é coisa de estrela, entre outras pérolas do mau-caratismo.

Há mais ou menos 4 anos atrás, convoquei uma reunião para o Teatro Casa Grande, no Leblon, que havia sofrido um incêndio, com o objetivo de fundar uma Associação dos Djs profissionais. Compareceram mais de 30 pessoas, entre elas vários “top Djs” como Marlboro, Roger Lyra e Marcelinho Da Lua, entre outros. Este encontro foi noticiado pela grande imprensa, que me colocava como líder do movimento. Coisa de 15 dias depois, eu bati de frente com a direção de uma grande casa noturna da Baixada Fluminense, quando me recusei a dar exclusividade à casa naquela região ( eu só tocava lá aos domingos e os donos não queriam que eu tocasse em outras casas por lá). Convoquei os outros Djs a fazerem o mesmo, pois a casa não teria como mandar todo mundo embora e o momento era bom, pois estávamos nos organizando. Resultado: fui o único a bater de frente e, por conseguinte, o único a perder o trabalho.

Há um tempo rolaram reuniões para tratar deste projeto do Tuma. Mas, quando recebi o convite para a primeira reunião e vi que estava marcada para a sede do PMDB do Rio, desisti de ir na hora. Não é hipocrisia. É público que sou militante do Partido Comunista do Brasil, mas acho profundamente temerário, que seja marcado este tipo reunião de organização profissional em sede de partido político. Quando li o projeto de lei e vi que era ruim, conclui que era perda de tempo. Depois de conversar com alguns músicos importantes como o cantor e compositor Tibério Gaspar e o Maestro Silvio Barbato, percebi que eles tinham simpatia na tese dos Djs serem regulamentados pela Ordem dos Músicos do Brasil como uma categoria especial de músico-praticante. Isso teria uma série de vontade, pois não dependeria da aprovação de lei específica e sim de um aditivo ao estatuto da OMB, como também elevaria o DJ à condição de artista da música, que é o que ele realmente é. Vários colegas viram com simpatia esta tese. Mas quando a apresentei à comunidade dos Djs do Rio no orkut, o pessoal da ADJ-RJ – que é uma associação que representa pequena parcela da classe – veio descendo o pau, dizendo que eu não tinha participado da discussão (aquela que começou na sede do PMDB) e que tinha que ter um sindicato próprio da categoria.

Aí, verificando o tal projeto do Tuma, percebi que após a regulamentação, os Djs para obterem seus registros profissionais junto ao Ministério do Trabalho, deveriam ter diploma expedido por curso registrado no MEC (o que não existe) ou autorizado pelo sindicato. Aqueles que já fossem atuantes e, portanto garantidos pelo direito adquirido, deveriam ir ao sindicato para retirar a sua carta de apresentação. Aí caiu a ficha: se o interesse fosse tão somente na regulamentação, a hipótese da OMB seria abraçada com louvor. Mas como existe o interesse na formação do sindicato e na consequente arrecadação na emissão das cartas e nas autorização dos cursos, a regulamentação, por pior que o projeto do Tuma a apresente, tornou-se algo interessante.

No fim de fevereiro, eu e o maestro Sílvio Barbato participamos de um painel do evento Rio Music Conference, que reuniu Djs na Marina da Glória aqui no Rio. Apesar do tempo curto do debate, foi o suficiente para a tese da OMB passar a ser ventilada.

Vejam: eu sou favorável à regulamentação, mas não da forma que está sendo proposta. A grande coisa deste movimento é a possibilidade de se abrir uma discussão ampliada em um fórum nacional, para que se discuta a melhor forma da regulamentação, seja pela OMB ou por sindicato próprio, mas não da forma que está sendo proposta, pois desvaloriza o DJ o retirando da condição de artista. Faço questão de afirmar isto, pois está rolando um maniqueísmo barato no sentido de quem é contra o projeto do jeito que está é contra a regulamentação. Vamos avançar no debate e construir uma proposta concreta e objetiva para a regulamentação e, principalmente a valorização da profissão DJ.

*DJ Saddam é Produtor cultural e membro da Nação Hip Hop – RJ.

Fonte: Blog do Cuca

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Vozes da periferia contra o crack  

Preto Rap lançou seu primeiro CD no Teatro Boca Rica

Marcos Vidal de Souza era apenas um menino nascido em Itapipoca e criado nas vielas da comunidade do Pirambu quando fugiu de casa para aprender a riscar com carvão nas calçadas da Praça do Ferreira e da Beira-Mar. Negro, de família humilde, as perspectivas não eram as melhores pr´aquele garoto agitado. Mas a paixão pelo traço o tirou dos caminhos óbvios da droga e da marginalidade e o fez caminhar em direção à arte urbana do grafiti. Nos últimos anos, ele se tornou um dos grafiteiros mais requisitados de Fortaleza, com trabalho direcionado especialmente para as lutas sociais, colorindo muros de escolas, viadutos e outros prédios públicos como as sedes das regionais, e privados como colégios e grandes eventos como o Festival Vida & Arte. Mas ninguém o conhece pelo nome de batismo e sim por Preto Rap.

É claro que, ao mergulhar no mundo do grafiti, ele se aproximou da cultura hip hop e logo também se arriscou nos versos ritmados do rap. Daí vem o Preto Rap que, além de ter o nome consolidado na arte do grafiti em Fortaleza, começa a inscrever como revelação da cena local de rap. Ele hoje faz o lançamento do seu primeiro CD, Fala que é nóis, dentro da programação do Pacto Hip Hop contra o Crack que promove campeonato de break individual e shows de hip hop hoje no Teatro da Boca Rica (Praia de Iracema), a partir das 18 horas, com a meta de fazer campanha contra o uso de drogas, em especial o crack. O evento é uma promoção da Comunidade Reunida em parceria com a Central Única de Favelas (Cufa-CE). Além de Preto Rap, estão programados para se apresentar na noite de hoje os grupos Costa A Costa, Sertão Rap, Eita! e Arsenal da Rima.

Da mesma forma que seu grafiti busca criar uma linguagem cearense, própria, no traço, Preto Rap busca fazer um hip hop com características regionais. "Se não fica aquela coisa muito sul, muito paulista, ou americanizado. Por isso, procuro fazer um rap usando maracatu, baião...", explica. Preto Rap se apresenta hoje secundado pelo DJ Falcão e o rapper Caboco - este último integrante do grupo Eita! Uma característica toda particular do CD é que Preto Rap não dá título a seus raps. "Quando você dá um título se direciona um tema da música, mas o rap fala de muito mais coisa", justifica.

Preto Rap


Fonte: Sítio Jornal O Povo

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Nação Hip Hop SP lança campanha Educação ou Camburão  

Escolha a melhor alternativa para os jovens brasileiros. Para os descrentes, o Camburão seria o mais sensato, afinal como permitir um jovem roubar, assaltar e até matar? O Camburão e posteriormente anos de cadeia seria o castigo "merecido". Porém para outros o melhor "remédio" para evitar essas atitudes é uma boa educação para a juventude brasileira. Pensando assim, a Nação Hip Hop Brasil/SP lançará uma campanha em todo o estado, intitulada, justamente com a pergunta, "Educação ou Camburão?".

Oráculo, presidente da Nação, explica como surgiu a idéia da campanha: "A Nação existe há três anos, e nesse tempo percorremos muitas cidades, visitamos as periferias, conversamos com moradores, e infelizmente, uma coisa que todas têm em comum é a violência. O índice de homicídios cresce a cada dia, sem contar a violência contra a mulher, a violência social, de todas as formas e tipos, ela está presente no cotidiano dos jovens das periferias. A única forma de combater isso, imposta pelo sistema, é o Camburão, inibindo moradores, e muitas vezes, gerando ainda mais violência." Contrários a esse "método" adotado, a Nação Hip Hop Brasil/SP resolveu discutir essa questão com a juventude, as comunidades carentes, entidades, instituições e o poder público. Para Oráculo, a educação e o trabalho precisa ser o "senso comum" das quebradas, e não a violência, o camburão e a prisão.

A campanha terá seu lançamento oficial na cidade de São Paulo na Secretaria de Justiça do Estado, no dia 14 de julho, a partir das 19 horas.

"Educação ou Camburão?" percorrerá mais de vinte cidades, o tema violência será amplamente discutido. "Em cada cidade, vamos promover além dos debates, atividades culturais, para reafirmar que é há sim, outras maneiras combater a violência, e a cultura é uma delas".

Além de debater o assunto nas comunidades carentes, onde a violência prevalece, esse debate também será levado para dentro de instituições de ensino como escolas e universidades, segundo Oráculo, já está no cronograma, a Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Federal do ABC (UFABC), Centro Universitário Metropolitano de São Paulo (Unifig) em Guarulhos, Universidade Católica de Santos (Unisantos) e Universidade Federal de Osasco.

Para o encerramento da campanha, em novembro, será realizado uma audiência pública com o Secretário Estadual de Segurança Pública e Educação, as demais autoridades governamentais, os movimentos sociais e as entidades parceiras para apresentação do documentário da campanha e documento com as propostas apresentadas nos debates.

"Educação ou Camburão" é uma campanha organizada pela Nação Hip Hop Brasil do estado de São Paulo com o apoio da União Estadual dos Estudantes (UEE/SP), União Paulista dos Estudantes Secundaristas (UPES), União Nacional dos Estudantes (UNE), Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Sindicato dos Correios da cidade de São Paulo, Sindicato dos Trabalhadores em Telemarketing (Sintratel) da capital paulista, Secretaria de Justiça do Estado de São Paulo e Instituto Cidadania Democrática.

A campanha passará pelas seguintes cidades: São Paulo, Guarulhos, Santo André, Santos, Campinas, Osasco, Ribeirão Preto, São José dos Campos, São José do Rio Preto, Araraquara, Sorocaba, Rio Claro, Marília, Hortolândia, Ribeirão Pires, Francisco Morato, Suzano, Itapevi, São Carlos, Piracicaba, Jundiaí, Mogi das Cruzes, São Bernardo do Campo, Poá, Diadema e Barueri.

Fonte: Sítio nacional da UJS

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