Blog UJS Ceará

O blog de política da juventude cearense!
Mostrando postagens com marcador Noticias Variadas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Noticias Variadas. Mostrar todas as postagens

Preconceito e truculência no Shopping Iguatemi  

Vídeo em que os seguranças do Shopping Iguatemi tentam barrar a entrada de uma mulher "aparetemente pobre", nas suas dependências, expõe de forma categórica o preconceito de classe em nossa sociedade.


Vídeo gravado por populares

Leia mais...

UJS Meruoca participa de Mutirão contra a Dengue  

O ano de 2010 mal comerçou e a preocupação com a dengue continua. Um ofício enviado pela Secretaria de Saúde do Municipio requisitou 15 pessoas para um mutirao contra a dengue em na sede de nosso municipio, dividindo as tarevas em duas etapas. A UJS esta mobilizado sua Militancia para combatemos junto este mal que ja levou muitas vidas.

Uma das principais maneiras de combarter a dengue é a preventiva, onde cada pessoa se torna responsável. Essa é mais uma das ações que a Secretaria Municipal de Saúde de Meruoca vem desenvolvendo para combater a proliferação do mosquito Aedes aegypti.

Ações como essa a UJS torna-se paceira. No enanto, é necessário que a população ajude tapando garrafas, pneus, caixas-dàguas, mantendo secos os vasos de plantas, para evitar o acúmulo de água , dentre outras ações.


A dengue

A dengue é uma doença infecciosa transmitida pela picada dos mosquitos Aedes aegypti contaminados. Seu período de incubação é de 8 a 10dias.

Os sintomas

Os sintomas da Dengue são semelhantes a uma gripe: dores de cabeça e nas articulações, fraqueza, falta de apetite, febre e carocinhos avermelhados na pele. Sua duração varia de 5 a 7 dias. A dengue também pode se manifestar na forma hemorrágica que atinge, principalmente, as pessoas anteriormente acometidas pela forma benigna da doença.

O tratamento

Não há tratamento específico para a dengue, por ser uma doença viral. Quando não há dúvida que a pessoa tem dengue, na maioria das vezes o médico pode recomendar que o tratamento seja feito em casa, combatendo seus sintomas com hidratação e antitérmicos.(Simone Kobe)

De Meruoca, Dáltony (Daltim)

Acesse o blog da UJS Meruoca

Leia mais...

Hemoce precisa de doações para fim de ano  


O Ano Novo vem chegando e é tempo de praticar o amor ao próximo. Nos últimos meses, o estoque de sangue do Hemoce enfrenta uma baixa. Por isso, é preciso contar com a solidariedade dos doadores voluntários para atender a demanda diária por transfusão de sangue dos hospitais de toda a rede pública do Ceará e também se preparar para as festas de final de ano. Especialmente os doadores que tem sangue Rh negativo, o tipo mais raro, já que só 10% da população tem este tipo de sangue.

Venha a uma das nossas unidades em Fortaleza (na Avenida José Bastos ou no IJF) e também em nossa unidade móvel para doar sangue. Para reforçar o estoque, foi feita uma programação especial de coletas na Praça do Ferreira, no Centro da Capital, para tocar o coração dos fortalezenses que estiverem de passagem para fazer suas compras de fim de ano. Nossa unidade móvel estará na Praça nestas segunda-feira (28), terça-feira (29) e quarta-feira (30) de dezembro, sempre de 8 horas às 16 horas.

Para doar

Em Fortaleza:

-Hemoce: Av. José Bastos, 3390, Rodolfo Teófilo
-Posto de coleta no IJF: Av. Barão do Rio branco, 1816, Centro

No Interior:

-Hemocentro de Sobral: (88) 3677.4624 / 3677.4627
-Hemocentro do Crato: (88) 3102.1260 / 3102.1261
-Hemocentro de Iguatu: (88) 3581.9409
-Hemocentro de Quixadá: (88) 3445.1006
-Hemocentro de Juazeiro do Norte: (88) 3102.1169 / 3102.1170

Fonte: Assessoria de Imprensa da Hemoce

Leia mais...

Boas Festas e um 2010 repleto de lutas e vitórias  

O ano de 2009 foi muito intenso para os jovens socialistas. Como é marca dos 25 anos da UJS, não fugimos de nenhuma batalha e não esmorecemos quando as dificuldades atravessaram nossos caminhos e ameaçaram nossos objetivos. Do coletivo militante a UJS retirou a força para alcançar cada vitória.

Participamos de maneira destacada dos Congressos da UNE e da UBES; diversas frentes de atuação realizaram suas atividades, diversificando mais o trabalho de nossa organização; fomos às ruas dizer que a juventude não pagaria pela crise do capitalismo; tivemos campanha de filiação e comemoramos de norte a sul do país os 25 anos da UJS; lançamos a corajosa bandeira de 50% do Fundo do Pré-Sal para a Educação; iniciamos os debates para o nosso 15º Congresso.

Todo este esforço precisa e merece ser coroado em 2010. A nossa geração terá a responsabilidade de impulsionar as mudanças no Brasil e garantir que as forças do atraso sejam, mais uma vez, derrotadas. 2010 será o ano de consagrarmos este novo país que está em construção e desperta o otimismo e a esperança de cada jovem brasileiro.

Nós, que acima de tudo somos militantes da UJS, estamos de parabéns, pois encerramos 2009 com a certeza de que nos esforçamos para cumprir nosso dever. Iniciaremos o ano novo com as energias e convicções revolucionárias renovadas para lutar por um Brasil socialista.

Um 2010 repleto de lutas e vitórias!

Executiva Nacional da UJS

Leia mais...

Confraternização de Natal da UJS Sobral  

Na noite do dia 22 de dezembro de 2009, a militância de várias gerações da União da Juventude Socialista de Sobral decidiu se reunir para colocar as conversas em dias e firmar o compromisso com as lutas em 2010, além da comemoração do aniversário desse que vos escreve.

O evento foi realizado na Churrascaria e Pizzaria Churrascão e contou com a presença de figuras ilustres como Miguel Silva (um dos fundadores da UJS em Sobral), Célio Brito (Presidente do Sindicato dos Servidores Municipais), Ricardo Lopes (Presidente do Centro Acadêmico de Biologia), André Pinheiro (Presidente atual da UJS Sobral), Karlos Patrick (Secretário de Organização do PCdoB e meu mentor político), Niara Farias (Tesoureira Estadual da UJS), além de militantes que fizeram e fazem parte da história da gloriosa União da Juventude Socialista.

Jonas Freitas, Secretário de Comunicação da UJS Sobral

Leia mais...

Dilma, sem peruca, chora ao lembrar combate à ditadura  

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, apareceu pela primeira vez em público sem peruca nesta segunda-feira (21), depois de vencer um câncer linfático com quimioterapia. Ela chorou ao participar em Brasília da entrega do Prêmio Direitos Humanos 2009 a Inês Etiene Romeu, sua companheira de combate à ditadura militar.

Ao falar no evento, Dilma também emocionou o público ao lembrar seus tempos de luta contra a ditadura. "É o testemunho da coragem, da generosidade e dignidade de uma geração. Quem viveu aquele tempo é capaz de compreender com razão, memória e coração. É sempre doloroso lembrar de todos que foram para a cadeia e de todos que foram de uma forma ou de outra barbaramente torturados. Muitas vezes tiraram dessas pessoas a dignidade e muitas vezes a vida", disse a ministra.

Mineira, como Dilma, Inês Etiene era estudante e bancária em Belo Horizonte quando se engajou na resistência antiditatorial. Presa em 1971, em São Paulo, pelo célebre delegado-torturador Sérgio Paranhos Fleury, sofreu os mais selvagens suplícios e foi condenada à prisão perpétua. Só foi libertada em 1979.

Também participando da entrega do prêmio, o vice-presidente José Alencar, veterano da luta contra o câncer, elogiou o novo visual de Dilma. "Eu já passei por isso. Eu também perdi o cabelo, mas agora está nascendo. Eu estou meio calvo ainda, mas está nascendo. Agora, está bonito o cabelo dela. Está moderno", disse Alencar.

Lula: "Cada gesto valeu a pena"

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, igualmente presente, destacou a pré-candidatura presidencial da ministra ao falar sobre os perseguidos pela ditadura. "Se alguém torturou a Dilma, se alguém achou que a vida tinha acabado, ela é possível candidata a presidente", lembrou Lula.

"Cada gesto de vocês, cada choque que vocês levaram, cada apertão que vocês sofreram valeu a pena, porque nós garantimos que não haverá mais retrocesso nesse país", afirmou ainda o presidente.

O presidente brincou com o fato de a ministra estar sem a peruca na cerimônia : "Vocês viram eu botando a mão no cabelo do Zé Alencar ( vice-presidente). É que teve um tempo que tinha caído o cabelo do Zé Alencar. E vocês estão percebendo que a Dilma está de cabelo novo? Não é peruca, não. É cabelo normal dela que voltou a se apresentar em público", disse Lula.

A ministra usava peruca desde maio para disfarçar a queda de cabelo causada pela quimioterapia. Em setembro, os médicos anunciaram que o tratamento tinha sido bem sucedido e que a ministra estava livre do câncer.

Da redação, com agências

Leia mais...

Mesmo com pontos polêmicos, Confecom se encerra com balanço positivo  

*Por Karol Assunção

A 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) termina hoje (17) com um saldo positivo para a democratização da comunicação no país. Isso é o que avalia Joaquim Ernesto Palhares e Wagner Nabuco de Araújo, diretores da Agência Carta Maior e da revista Caros Amigos, respectivamente.

Para Palhares, a Confecom representou um "marco na luta pela comunicação democrática no país", e considera que, agora, todos serão obrigados a entender a pluralidade da comunicação brasileira. "O Governo vai entender que comunicação não se faz com meia dúzia de famílias", afirma.

Além das propostas aprovadas, a Confecom, na visão de Joaquim Palhares e de Wagner de Araújo, também serviu para aproximar empresários e pequenos empreendedores de veículos de comunicação. Prova disso é que os empresários de mídia alternativa envolvidos no processo da Confecom decidiram se articular para formar uma associação brasileira de pequenos empreendedores de comunicação.

Para eles, tal associação servirá para debater com autoridades municipais, estaduais e federais a fim de que elas percebam a "existência real" de outros veículos de comunicação e a participação da sociedade. "Queremos que a comunicação alternativa sente na mesma mesa que a grande imprensa", destaca Palhares.

Apesar de muitas propostas aprovadas ainda precisarem ir para o Congresso Nacional, o diretor da revista Caros Amigos acredita que, agora, o caminho será mais rápido. "A Confecom colocou a democratização da comunicação na agenda política. Agora, o monopólio não será mais tão forte", acredita.

A avaliação positiva também é compartilhada por Antonio Martins, membro do Conselho de Gestão do Le Monde Diplomatique Brasil. Para ele, o resultado da Conferência foi bom devido a três aspectos principais. O primeiro, segundo ele, foi colocar a comunicação na pauta da agenda nacional, evitada durante muitos anos principalmente pelos grandes empresários. "Queriam retirar a comunicação da discussão das políticas públicas", comenta, destacando também a tentativa de boicote à Conferência por parte de um grupo de empresários.

O segundo, de acordo com Martins, é o processo de perda de audiência de algumas emissoras dominantes ao mesmo tempo em que há um aumento de publicações alternativas. E, por último, ele cita a divisão do setor de comunicação clássico. Segundo ele, a Confecom deixou claro que existe também, em alguns setores empresariais, o desejo de mudança da comunicação brasileira.

Mesmo com o saldo positivo de propostas, Martins lembra que o último dia da Confecom não é o fim, mas apenas o começo de um processo de luta e articulação da sociedade civil. Para ele, agora é necessário transformar as propostas que precisam de aprovação no Congresso Nacional em projetos de lei e, as que não precisam, em medidas a serem adotadas o mais rápido possível. "A Confecom não é o final, é só começo. Agora vamos virar a página e iniciar um novo processo", comenta.

Entre as propostas aprovadas, destacam-se: a criação do Conselho Nacional de Jornalismo; a divisão do espectro radioelétrico seguindo a proporção de 40% para o sistema público, 40% para o privado e 20% para o estatal; a proibição da publicidade destinada a crianças menores de 12 anos; o reconhecimento do direito humano à comunicação como direito fundamental previsto na Constituição Federal; a criação de Observatório de Mídia de Igualdade Racial; e a desburocratização dos processos de autorização para rádios comunitárias.

Avaliação do Governo

A avaliação positiva e o tom de otimismo resultante da 1ª Confecom não foram apenas entre empresários de mídia alternativa e sociedade civil. De acordo com Ottoni Fernandes Junior, secretário executivo da Secretaria de Comunicação Social do Governo (Secom), a Confecom foi um avanço para a "convergência de interesse entre Governo e sociedade civil".

Para ele, a Conferência é uma forma de o Governo mostrar que quer assegurar mais acesso e participação da sociedade. De acordo com ele, a meta agora é consolidar as conquistas adquiridas nessa Conferência para, depois, "avançar em um novo marco regulatório para comunicação" no Brasil.

Em relação a críticas recebidas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como um mandato fraco na área de comunicação e a concentração de publicidade governamental em alguns veículos, o secretário explica que a comunicação não foi fraca, apenas mais voltada para ampliar o acesso da população a informações sobre políticas públicas.

Sobre a distribuição de verbas de publicidade, afirma que já existem encaminhamentos para obrigar os órgãos de governo a desconcentrarem as verbas de publicidade presentes somente em alguns veículos e "regionalizar e democratizar as verbas de anúncios estatais".

*Karol Assunção é Jornalista da Adital
Fonte: Portal Adital

Leia mais...

Marcha da Maconha lança Carta Aberta à Sociedade Brasileira  

A proibição judicial da Marcha da Maconha em São Paulo, João Pessoa e Salvador, não intimidou a intensa a mobilização via internet para o evento, que acontece em todo o mundo de 2 a 9 de maio. No Brasil estão previstas marchas em 14 estados. Em carta divulgada nesta quinta-feira (30), e assinada por diversas entidades e personalidades, os organizadores da marcha brasileira expõem os motivos de sua luta pela legalização da Cannabis.

Leia a seguir a íntegra da carta.

Carta Aberta à Sociedade Brasileira: Sobre a necessidade de debater a maconha

“…Temos clareza de que as metas de um ‘mundo sem drogas’ se mostraram inatingíveis, com visível agravamento das “conseqüências não desejadas”, tais como aumento da população carcerária por delitos de drogas, aumento da violência associada ao mercado ilegal das drogas, aumento da mortalidade por homicídio e violência entre jovens - com reflexo dramático nos indicadores de mortalidade e de expectativa de vida da população. Agregue-se a isso exclusão social por uso de drogas, a ampliação do mercado ilegal…” (General Jorge Armando Felix, 11 de março de 2009).

Por, Sergio Vidal [1]

A Cannabis aparece nos documentos de referência da ONU produzidos nas Convenções de 1961 e 1971 de maneira contraditória, além de cientificamente incorreta. [...] O Brasil teve papel fundamental na gênese dessa situação, na Convenção de 1924. Faz sentido que o Brasil busque correção de equívoco histórico que já perdura por quase um século”(Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas, Março de 2009) [3].

A planta Cannabis sativa é conhecida no Brasil popularmente como maconha, mesmo nome que é dado também ao fumo usado como droga, apenas uma entre as diversas possibilidades de uso da planta. As folhas, caule, sementes e flores foram e ainda são utilizadas em diversos países do mundo, como matéria prima para inúmeros produtos nas mais diversas áreas. Poderíamos expor dados a respeito de como o Brasil tem se furtado a lucrar com a regulamentação da exploração comercial das partes não-psicoativas da planta e seus derivados, sem necessariamente legalizar o uso para fins recreativos e existem diversos estudos, livros, artigos e outros trabalhos científicos e técnicos que podem ser consultados a esse respeito. Porém, dentro de uma discussão sobre leis e políticas públicas sobre drogas que se proponha de fato debater acesso à saúde, segurança e cidadania aos cidadãos, precisamos atentar não apenas para as perdas econômicas da exploração desse nicho de mercado, mas principalmente para os custos que a manutenção de políticas e leis proibicionistas causam para toda a sociedade.

Mesmo que o uso da maconha e de outras plantas psicoativas tenha sido uma presença constante em quase toda a trajetória humana na terra, somente a partir do final do século 19, após a Guerra do Ópio, surgiram os Encontros Internacionais para discutir o tema. Durante os encontros de 1909, 1911, 1912 e 1921, realizados para discutir questões relacionadas à coca e ao ópio, não houve qualquer menção à maconha. Na Reunião de 1924, Brasil, Egito, Grécia e alguns outros países cujos governantes tinham interesses em proibir seu uso iniciaram uma campanha para que ela também fosse considerada perigosa e incluída na lista de proscrições. Sob pressão, uma Comissão especial foi criada para analisar a matéria. Inspirados na criação dessa Comissão, na década de 1930, alguns países, a exemplo do Brasil (1932) e EUA (1937), criaram leis federais banindo seu uso. Desde então, passaram a pressionar para que os Tratados Internacionais incluíssem a Cannabis sativa, o que só foi conseguido na Convenção Única de Entorpecentes, em 1961. De lá pra cá, o consumo não diminuiu, mas a repressão foi intensificada, na mesma medida em que aumentou a violência relacionada à produção e comercialização não-autorizada de maconha, bem como de outros crimes e problemas sociais relacionados, como os citados pelo General Jorge Armando Félix.

É importante ressaltar que a participação da delegação brasileira nesses encontros, ao expor dados sobre os perigos da maconha no país, contrariou os dados clínicos e científicos que existiam no país. Até mesmo um relatório publicado por encomenda do Governo Brasileiro em 1959 sobre a planta foi desconsiderado. Ou seja, a delegação brasileira, queremos crer que por imprudência ou imperícia, levou dados equivocados sobre a planta para um Encontro Internacional. Esses dados foram utilizados para equiparar a maconha à heroína e outros opiáceos, drogas incluídas na Lista IV, justificando uma decisão que influência até hoje as leis de diversos países, incluindo o Brasil.

A história da maconha e da sua proibição no Brasil e no mundo é cheia de capítulos obscuros. Não é possível precisar ao certo como uma planta que foi cultivada em todo o mundo e considerada econômica e socialmente importantíssima passou a ser perseguida política e legalmente. Especificamente no Brasil, é difícil entender como uma planta cultivada oficialmente pela Coroa Portuguesa e disseminada em todo o país e que teve seu uso difundido e tolerado passou a ser estigmatizada e criminalizada. É apenas possível ver nesses processos indícios de racismo, etnocentrismo, xenofobia, autoritarismo e muitos outros ‘ismos’ que sabemos tão perniciosos à construção de um Estado Democrático de Direito.

O proibicionismo, ou seja, as políticas e leis que nas quais é utilizada de forma exagerada e perniciosa a proibição enquanto regra é uma criação recente na história. Acredito realmente que os representantes de cada país, tanto no passado quanto atualmente queiram o melhor para suas nações e para o mundo. Porém as boas intenções iniciais de regular o mercado para que ele não causasse danos aos indivíduos nem à sociedade foram esquecidas em algum momento no passado. As trocamos por uma ilusão coletiva de que a melhor forma de lidar com as drogas e com as pessoas que as consomem é publicar decretos proibindo suas existências e ampliar as maneiras e intensidades de punir aqueles que insistem em não se encaixar nesse mundo utópico. Ao fazer isso, esquecemos também que políticas e leis sobre drogas não podem causar danos mais graves à sociedade ou aos indivíduos do que o uso das drogas em si.

Segundo os dados do Levantamento Domiciliar sobre o uso de Drogas Psicotrópicas de 2005, estima-se que 5.000.000 de pessoas fumaram maconha ao menos uma vez na vida. Isso significa que correram o risco de ser processadas e passar pelos trâmites policiais e jurídicos por terem fumado maconha, uma prática que, até outubro de 2006 era punível com até 2 anos de prisão. Esses dados dão uma aproximação da realidade e nos levam a refletir que todas as pessoas conhecem alguém – um parente, um vizinho, um amigo ou conhecido – que fuma maconha, freqüentemente ou não, ou então que já fumou. Sendo assim, em todas as famílias brasileiras existem pessoas que sofrem direta ou indiretamente as conseqüências negativas das políticas e leis sobre drogas adotadas atualmente. Mesmo que não seja possível mensurar qual seria o impacto da autuação e processo de todos esses cidadãos brasileiros que consomem derivados de Cannabis sativa, é possível imaginar o que tem representado para o país e para essas pessoas a adoção de leis e políticas pouco tolerantes com suas condutas. No mínimo, essas políticas e leis não têm alcançado seus objetivos principais de assegurar acesso à segurança, saúde e cidadania.

Estão previstas para ocorrer nos próximos dias 2, 3 e 9 de maio a Marcha da Maconha em 14 cidades brasileiras e em mais de 250 cidades em todo o mundo, tendo como objetivo promover reflexões em torno dos danos causados pelas atuais políticas e leis sobre a maconha e seus derivados. Essa não é uma manifestação que interessa apenas às pessoas que usam maconha ou outras drogas. Interessa a todos os cidadãos e cidadãs que querem ajudar a construir e a manter a Democracia Brasileira.

Em uma Nação que se pretenda afirmar como Estado Democrático de Direito, qualquer tentativa de desvirtuamento do Artigo 5º da Constituição Brasileira, do Código Civil ou mesmo da Lei 11.343, com a intenção de obscurecer os objetivos da Marcha da Maconha ou incutir-lhe qualquer conotação de apologia ao crime ou incentivo ao uso de drogas é inaceitável. Movimentos sociais não podem ser criminalizados apenas por querer reabrir um debate político-legal ou por manifestar seus posicionamentos, como ocorreu em quase todo o país em 2008 e como estamos vendo ocorrer esse ano em João Pessoa, São Paulo e Salvador.

Ao afirmar na 52ª Sessão da Comissão de Entorpecentes da ONU para o tema das drogas que as metas acordadas nos Tratados Internacionais anteriores se mostraram inatingíveis, o Brasil tomou uma posição de coragem, admitindo o caráter utópico de uma das principais metas que sustentam a manutenção das políticas proibicionistas. Assim como ao reafirmar a necessidade de avançar com firmeza na garantia dos Direitos Humanos dos cidadãos usuários de drogas. Também deu um passo importante quando aprovou na última reunião do CONAD – Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas, realizada em março desse ano, que errou na reunião de 1924 e que deve ser enviada uma moção pedindo retração por esses erros e sugerindo a exclusão da Cannabis da Lista IV. Porém, muitos passos ainda precisam ser dados para sairmos do lugar incomodo onde atualmente estamos e começarmos a trilhar caminhos que verdadeiramente respeitem a diversidade, os direitos humanos e assegure o acesso à saúde, segurança e cidadania.

[1] Sergio Vidal é pesquisador, redutor de danos, militante antiproibicionistas, membro do coletivo Marcha da Maconha Salvador e Representante da União Nacional dos Estudantes – UNE – no Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas – Conad

[2] Trecho da Intervenção do Ministro de Estado Chefe do Gabinete de Segurança Institucional e Presidente do Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas, General Jorge Armando Felix, no Debate Geral do Segmento de Alto Nível da UNGASS - 11 de março de 2009.

[3]Trecho das ‘Conclusões’ do Parecer da Câmara de Assessoramento Técnico-Científico sobre encaminhamento à ONU de proposição de retirada da Cannabis e substâncias canabinóides da Lista IV, com sua manutenção na Lista I da Convenção Única sobre Estupefacientes de 1961


Assinam em apoio esta Carta:

- Instituições
Abesup – Associação Brasileira de Estudos Sociais sobre o uso de Psicoativos;
Aborda – Associação Brasileira de Redutoras e Redutores de Danos;
Acard - Associação Capixaba de Redução de Danos
Bem Viver - Consultores Associados;
Coletivo Marcha da Maconha Salvador
Flores de Maio – Movimento Estudantil da Univesidade Federal da Bahia
Giesp – Grupo Interdisciplinar de Estudos sobre Substâncias Psicoativas;
Movimento Mudança – Movimento Estudantil;
NEIP – Núcleo de Estudos Interdisciplinar sobre Psicoativos;

- Indivíduos
Adriana Barcellos – Representante de São Paulo no Colegiado Aborda e Membro da Diretoria da Rede Paulista de Redutores de Danos;
Edward MacRae – Antropólogo, Prof. da Universidade Federal da Bahia, membro do Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas
Felipe Vago Ferreira – Redutor de Danos;
Helder Uhebe Soares El-Bachá – Psicólogo e Redutor de Danos, CRP-03/04083
João Sampaio Martins – Psicólogo CRP 03/03791, Apoiador Institucional da Área Técnica de Saúde Mental da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia;
Maurício Fiore – Antropólogo Neip/Cebrap;
Pablo Ornelas Rosa, sociólogo/antropólogo, professor da UTFPR - Universidade Tecnológica Federal do Paraná e pesquisador do Nejuc/UFSC e NEIP.
Ronaldo Pinto Júnior - Diretor de Assistência Estudantil da UNE e membro da Direção Nacional da Juventude do PT;
Semíramis Maria Amorim Vedovatto - Psicóloga crp 08/6207, Especialista em Saúde Mental.

Fonte: Blog Marcha da Maconha

Leia mais...

Fortaleza e Ceará decidem campeonato cearense neste domingo  

Leia mais...

Eita preula Fernando Lugo!  

Após o escândalo de Viviana Rosalith Carrillo Cañete, que afirma ter tido um filho com o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, quando ele ainda era bispo, mais seis mulheres resolveram sair do anonimato e entrarão com processo de paternidade contra Lugo. Alguns rumores indicam que o presidente do Paraguai teria até 17 filhos ilegítimos.

Leia mais...

Lula também será blogueiro  

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai entrar para o mundo digital. Sua assessoria está criando um blog para disponibilizar informações com linguagem mais descontraída e informal. A data de lançamento do blog depende ainda, segundo a Folha apurou, de o governo achar o tom ideal dessa linguagem e se familiarizar com a mídia.

O pedido partiu de Lula em dezembro, quando entrou no ar o blog do governo de transição americano e, depois, o blog da Casa Branca. Segundo interlocutores do governo, os blogs de Barack Obama e do primeiro-ministro inglês, Gordon Brown, servem de modelo.

O governo quer atingir o público que utiliza a internet como principal meio de informação. Antes de lançar o blog, os responsáveis estão fazendo pilotos, montando layouts, experimentando linguagens. O segundo passo será criar um Twitter.

Em fevereiro, foi criado um Twitter falso do presidente. O acesso e a divulgação ampla das informações impressionaram e fizeram o governo acelerar a entrada de Lula no mundo virtual.

Fonte: Folha On Line

Leia mais...

A Rede Globo e seus plágios  

Estão pipocando na net os sucessivos supostos plágios realizados pela toda poderosa Rede Globo de Televisão nas aberturas de três de suas novelas, uma mais antiga “7 Pecados”, a da novela “Negócio da China” e a da mais recente “Caminho das Índias”.

Assisti aos vídeos e as aberturas são, no mínimo (sendo gente boa), muito parecidas com o comercial da Ikea, com a cena do filme "Indiana Jones e o Templo da Perdição", e com vinhetas de programas do canal Sahara One, respectivamente.

Não sei se são realmente plágios, mas como não tenho a mínima intenção de livrar a cara da Globo... Tô me juntando ao coro... PLÁGIO!

Assistam aos vídeos e tirem suas conclusões, pois se dependerem de mim, já sabem minha opinião.

A abertura de “7 pecados” e o comercial da Ikea:


A abertura de Negócio da China e a cena do filme plagiado:


As vinhetas do canal Sahara One:


Fonte: Blog do Diniz Sena

Leia mais...

Entenda o motivo de o Carnaval não ter uma data fixa  

Você já percebeu que a data do Carnaval varia a cada ano? Isso acontece porque ela é calculada a partir do dia de Páscoa, que também é uma data móvel. Veja só como funciona:

A Páscoa sempre acontece no primeiro domingo de lua cheia após o dia 21 de março, que é o dia em que começa o outono aqui no Brasil. Definida a data da Páscoa, é só contar 47 dias pra trás e encontrar a terça-feira de carnaval!

Veja só os dias em que cai o Carnaval nos próximos anos:

2009: 24 de fevereiro
2010: 16 de fevereiro
2011: 08 de março
2012: 21 de fevereiro
2013: 12 de fevereiro
2014: 04 de março
2015: 17 de fevereiro

Leia mais...

A origem do carnaval  

A vida humana está associada a fenômenos astronômicos e a ciclos naturais, tais como o ano e o dia que permitiram a elaboração dos calendários civis e religiosos, onde as grandes festas universais, como a Páscoa, o Natal etc., constituem lembranças astronômicas de grande importância histórica e econômica para a época em que foram instituídas. Muitas dessas tradições de origem pagã foram absorvidas pelas religiões atuais do mundo ocidental. A grande maioria dos foliões do nosso carnaval, ao se divertir, não sabe que estará inconscientemente fazendo apelo a uma reminiscência astronômica de origem solar.

De fato, na Antigüidade a importância dos astros era enorme na vida econômica e social. Como não possuíssem um calendário preciso que lhes permitissem prever com segurança a ocorrência do início das estações e, portanto, a época da semeadura e colheita -- eram os povos primitivos, em especial os camponeses, obrigados a observar o céu. Em função de determinadas estrelas muito brilhantes, sabiam com antecedência quando iria ocorrer a chegada da primavera, do verão, do outono e do inverno.

Por outro lado, a observação astronômica, além de ser motivada pela sua principal atividade econômica -- a agricultura --, era estimulada também pela ausência de luz nas grandes metrópoles da época, o que facilitava muito a observação dos astros. Com efeito, a feérica iluminação das grandes cidades modernas tem afastado o antigo hábito de observação do céu. Assim, ofuscados pelas luzes, não vemos os astros, que regem a nossa vida social em virtude de toda uma série de tradições de origem astronômica que foram estabelecidas pelas civilizações que nos antecederam.

Festa de Ísis

Desde as mais recuadas eras, os diferentes povos estabeleceram algumas festas de grande alegria. Assim, encontram-se entre os egípcios as festas de Ísis – deusa antropomórfica da magia e da ressurreição --, e do Touro Ápis – deus da fecundidade e do renascimento, representado por um touro branco com um disco solar entre os chifres --; as dionisíacas – danças e festas em homenagem ao deus Dionísio --; festa em honra de Baco, deus do vinho, entre os romanos; entre os gregos; as lupercais – festas ao Luperco ou Pã, deus protetor dos pastores e dos rebanhos comemorado em 15 de fevereiro, na Roma Antiga --; e as saturnais – festas a Saturno, deus da agricultura, celebrado entre os dias 17 e 19 de dezembro, quando se comemorava a semeadura da safra, entre os romanos. Todas envolviam festins, danças e disfarces. Embora seja muito difícil caracterizar a origem verdadeira do Carnaval, parece que os nossos atuais festejos estão intimamente associados às duas últimas festas romanas.

Logo após o início do Ano Novo, os romanos, nas calendas de janeiro, comemoravam as saturnais, festas instituídas por Janus em memória do deus Saturno que, segundo a lenda, teria transmitido a arte da agricultura aos italianos. Durante as saturnais, as distinções sociais não eram levadas em consideração. Os escravos ocupavam os lugares dos seus patrões, que os serviam à mesa. Nesse período não funcionavam os tribunais e as escolas. Os julgamentos eram suspensos e os condenados não podiam ser executados. Interrompiam-se toda e qualquer hostilidade. Os escravos percorriam as ruas cantando e se divertindo na maior desordem. As casas eram lavadas e purificadas. As pessoas de um certo nível social preferiam se retirar para o campo, durante as saturnais, o que permitia ao povo celebrar com maior alegria esse período de liberdade.

Numa seqüência lógica aos excessos libertários, os romanos procediam à sua purificação pelas comemorações das lupercais, festas celebradas em 15 de fevereiro, em homenagem ao deus Pã, matador da loba que aleitara os irmãos Rômulo e Remo, fundadores de Roma segundo a lenda.

Princípio da fecundidade

Nesses festejos celebrava-se o princípio da fecundidade. Durante as comemorações das lupercais, untados em sangue de cabra e lavados com leite, os lupercos nus, com uma pele de um bode sobre os ombros, saíam pelas ruas batendo nos pedestres com uma correia de couro. As mulheres grávidas saíam às ruas e se ofereciam aos golpes das correias na esperança de escaparem às dores do parto. Por outro lado, as mulheres com desejo de possuírem um filho também procuravam ser atingidas pelas correias dos lupercos na esperança de virem a engravidar.

Como todos esses festejos, que consistiam essencialmente em mascaradas, disfarces e danças, já estivessem de tal modo implantados nos costumes quando do aparecimento do cristianismo, a Igreja só teve uma saída: adotou-os e, ao mesmo tempo, procurou santificá-los.

De fato, o Carnaval parece ter tido origem nessas antiquíssimas comemorações pagãs, em geral de grande alegria e liberalidade, que eram celebradas durante a passagem do ano e com o objetivo de anunciar a próxima chegada da primavera. Com efeito, o atual carnaval era o tempo de regozijo, que ia desde a Epifania (6 de janeiro). até a quarta-feira de Cinzas. Com o tempo, essa festa acabou limitada aos últimos dias que antecediam o início da Quaresma, período de 40 dias que vai da quarta-feira de Cinzas até o domingo de Páscoa, e durante os quais os católicos e ortodoxos fazem sua penitência.

O período carnavalesco variou e ainda varia segundo as tradições de cada país. Assim, parece que ele se iniciava primitivamente na Idade Média em 25 de dezembro, incluindo a festa de Natal, o dia do Ano Novo e a Epifania. Mais tarde, passou a ser comemorado desde o dia de Reis até um dia antes das Cinzas. Em alguns lugares da Espanha, sua comemoração inclui também a quarta-feira de Cinzas. Em alguns países só se comemora na terça-feira, ao passo que no Brasil é festejado no sábado, domingo, segunda e terça-feira.

Esses festejos de janeiro e fevereiro, ligados às antigas festas pagãs de abertura do ano, estão associados, como já demonstraram os peritos em folclore cristão. Não eram simples rituais desprovidos de significações mais profundas, como se podia supor inicialmente. Na realidade essas festas populares cíclicas dos países cristãos, que serviam para abrir o ano e anunciar a vinda da primavera, estão todas elas intimamente associadas ao fenômeno astronômico do solstício de inverno no hemisfério Norte, de onde surgiram todas essas práticas.

Igrejas

As igrejas católica e ortodoxa herdaram tais festas ou rituais do mundo greco-romano, que, por seu lado, as teria recebido do Oriente. Assim, na realidade, todos os festejos cíclicos, tais como o próprio carnaval, estariam associados aos antigos rituais pagãos referentes às mudanças de estação, quando então se adoravam os deuses naturais da fecundidade, do crescimento, da colheita e da abundância, praticando-se penitências ou até mesmo o sacrifício de seres vivos. Essas festas continuaram tradicionalmente a ser respeitadas mesmo nas regiões que não apresentam as mesmas mudanças meteorológicas. Assim, as festas do carnaval comemoradas durante o inverno no hemisfério Norte são celebradas, no hemisfério Sul, em pleno verão.

Micareta, o carnaval alternativo

Nos primeiros decênios do século XX, o jornalista Francisco Guimarães – o conhecido Vagalume --, percebendo que o sábado de Aleluia se distanciava muito do período carnavalesco, introduziu no Rio de Janeiro a Mi-Carême (Meia Quaresma), importada da França. Essa festa parisiense foi comemorada no Rio, nos anos de 1920 até 1922, anualmente.

O vocábulo Mi-Carême foi abrasileirado em Micareta ou Micarema, cuja comemoração é muito comum nas cidades do nordeste, principalmente em Feira de Santana. De fato, nessa cidade baiana, comemora-se a Micareta, anualmente, na quinta-feira da terceira semana da Quaresma. Ao contrário, do que ocorreu no Rio, a festa carnavalesca realiza-se 15 dias após a Páscoa. Ela surgiu, em Feira de Santana, em 1937, quando choveu muito durante o período do Carnaval e foi decidido que a festa de Momo fosse transferida para o mês de maio daquele mesmo ano. Em virtude do grande sucesso é habito até hoje, em Feira de Santana, comemorar um segundo carnaval também após a Páscoa.

Conclusão

Finalmente, convém lembrar este texto pouco conhecido de Albert Einstein:

“Os homens não vivem só de pão. É possível que as pessoas não versadas nas ciências atinjam uma parcela da beleza e virtudes inerentes ao pensamento, com a condição de que este pensamento lhes seja tornado assimilável. Não devemos exigir que a ciência nos revele a verdade. Num sentido corrente, a verdade é uma concepção muito vasta e indefinida. Devemos compreender que só podemos visar à descoberta de realidades relativas. Além disso, no pensamento cientifico existe sempre um elemento poético. A compreensão de uma ciência, assim como apreciar uma boa música, requer em certa medida processos mentais idênticos. A vulgarização da ciência é de grande importância, se proceder duma boa fonte. Ao procurar-se simplificar as coisas não se deve deformá-las. A vulgarização tem de ser fiel ao pensamento inicial.”

A leitura desse pensamento seria suficiente para eliminar um pouco a incompreensão da importância da divulgação científica, mas Einstein continua:

“A ciência não pode, é evidente, significar o mesmo para toda a gente. Para nos, a ciência é em si mesma um fim, pois os homens de ciência são espíritos inquisidores. Mas não devemos esperar que todos comunguem das nossas concepções, e assim os profanos em matéria de ciência devem constituir objeto de uma especial consideração. A sociedade torna possível o trabalho dos sábios, alimenta-os. Tem o direito, portanto, de lhes pedir por seu lado uma alimentação digestiva.”

Assim como Einstein acreditou que a sociedade pede aos que guardam segredos a sete chaves, sejam científicos ou de natureza política, que liberem-na de uma forma algo bem digestível.

Bibliografia

Albin, Ricardo Cravo. O Livro de Ouro da MPB, Ediouro, Rio de Janeiro, 2003.
---. Tons e Sons do Rio de Janeiro de São Sebastião, Instituto Cravo Albin, Rio de Janeiro, 2005.
---. Dicionário Houaiss Ilustrado – Música Popular Brasileira, Paracatu Editora, Rio de Janeiro, 2006.
Araújo, Hiram (coordenador). Memória do Carnaval, Oficina do Livro, Rio de Janeiro, 1991
Maximo, João e Didier, Carlos. Noel Rosa, uma biografia, Editora UnB, Brasília, 1990.
Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, 2ª edição revista e ampliada, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1996.
---. Que dia é hoje?, Unisinos, São Leopoldo, RS, 2003.
---. O livro de ouro do universo, 7ª edição, Ediouro, Rio de Janeiro, 2005.

Por Ronaldo Rogério de Freitas Mourão - Astrônomo, criador e primeiro diretor do Museu de Astronomia e Ciências Afins.

Leia mais...

Leia entrevista com Luizianne após a vitória para a prefeitura de Fortaleza  

Após conquistar a reeleição em primeiro turno, a prefeita petista Luizianne Lins (39) abriu espaço em sua apertada agenda de comemorações e, claro, projeções de nova gestão, para conversar com este Blog. Em entrevista ao nosso colaborar mais do que especial, jornalista Demitri Túlio, Luizianne abre o verbo. Conta, por exemplo, que, vez em quando sente falta da liberdade pessoal. Não esconde situações difíceis à frente da administração que a levaram, vez por outra, a momentos de depressão. Ela, no entanto, projeta um segundo período de "consolidação administrativa".

Consolidada como liderança na capital cearense, Luizianne Lins afirma que ganhou a eleição no primeiro turno por méritos de quem demonstrou compromisso com a cidade. Não há, segundo a petista, projeto individual de poder, beneficiamento de grupo político ou mágica de marqueteiro.

Sobre João Alfredo, ex-aliado e o vereador mais votado em Fortaleza, não poupa: espera uma oposição sectária. Luizianne anuncia também reestruturação das Regionais. Além disso, o novo perfil dos titulares das Regionais deverá ser "menos político e mais técnico". Na gestão que está terminando, alguns "se investiram mais de poder do que a própria prefeita."

BLOG - Um "prefeitinho" às vezes tem mais poder que a prefeita. As secretarias regionais vão passar por reformulação?

Luizianne Lins - Olhe, visitei em 2006 uma experiência em Rosário na Argentina. Lá, eles estão há 16 anos descentralizando as "regionais". De lá troxemos a experiência da praça de atendimento inteligente. Já estamos experimentando na Regional VI. Na hora que a pessoa chega e diz o que quer, a demanda dele entra em um sistema e uma senha eletrônica o direciona para a fila que tem menos gente para ser atendida. É para resolver seus problemas de maneira menos demorada. Estamos utilizando verbas do Programa Nacional de Apoio à Gestão Administrativa e Financeira. É um programa de modernização da gestão de uma forma geral. A idéia também é criar outras duas regionais para dividir o trabalho da VI, que é maior territorialmente, e a V. As regionais serão mais fortalecidas no sentido da execução. Planeja-se em uma secretaria temática, no governo e se executa na regional. Para isso, retomaremos o Instituto de Planejamento de Fortaleza (Iplanfor). Na secretaria regional se terá menos margem de se fazer políticas individuais.

BLOG - Isso aconteceu na primeira gestão?

Luizianne Lins - A gente observou que há uma tendência disso acontecer. Eu costumo dizer que uma regional é a segunda maior cidade do Ceará depois de Fortaleza, porque no mínimo você tem 350 mil pessoas. Se não cuidar, ele vira um "prefeito" e você terá seis cidades segregadas.

BLOG - Na eleição passada a senhora tinha outros aliados, nessa vive outra realidade. Que filme passa na cabeça?

Luizianne Lins - Na verdade, nós perdemos pouca gente. Havia três figuras públicas que nos apoiavam mais diretamente, afora uma militância que está toda na campanha. Era o João Alfredo (hoje PSol), o Pinheiro (Francisco Pinheiro, hoje vice-governador) e o Sérgio Novais. O João Alfredo e o Renato Roseno foi uma separação política muito doída, mas a gente está muito feliz porque somos os mesmos com as mesmas pessoas que estão em volta e enfrentando o desafio de ser governo.

BLOG - A senhora chamaria os dois para um trabalho na Prefeitura?

Luizianne Lins - Eu tenho achado as posições deles muito sectárias, muito esquerdista e não de esquerda. Esquerdista como dizia o camarada Lênin: "esquerdismo é doença infantil do comunismo". Os quadros políticos do PSol não vêem nada de bom no governo Lula! Como não? Não há mediação nenhuma na crítica. Como achei também um absurdo, acusarem a Prefeitura de ser estar pressionando servidor para apoiar a reeleição. Nunca, nunca, a Prefeitura foi tão isenta no processo eleitoral. Constituímos uma ouvidoria eleitoral, fizemos uma cartilha de orientação e distribuímos com todos os servidores: comissionados e não comissionados.

BLOG - Como a senhora imagina a oposição que João Alfredo fará na Câmara Municipal?

Luizianne Lins - Acredito que a postura dele tem sido muito intolerante ao grupo que ficou.

BLOG - Sua vida mudou totalmente, principalmente agora. A senhora não tem mais tanta liberdade como antes. A senhora tem alguma saudade de outros tempos?

Luizianne Lins - Eu sempre fui uma pessoa do mundo, sempre ganhei o mundo e transitei em todo canto. O maior sacrifício pra mim é essa ausência de poder estar em qualquer lugar, a qualquer hora da forma que eu quiser estar. Sinto falta. Já aconteceu caso como num dia em que sai andando no aeroporto velho (Pinto Martins), sozinha, e as pessoas começaram a olhar para mim. Me senti estranha e comecei a olhar a roupa para ver se tinha algo sujo ou errado. Comecei a ficar preocupada. Quando alguém gritou "olha a Luizianne", caiu a ficha. Eu tinha esquecido que era prefeita! Eu sinto falta dessa liberdade.

BLOG - Tiveram momentos em que a senhora pensou em desistir da reeleição?

Luizianne Lins - Eu passei alguns dias muito mal. Era o sentimento de saber se eu queria como pessoa, como ser humano, se deveria renovar esse compromisso com o povo. Eu levo muito a sério isso, não é brincadeira ou ganância barata por poder. Eu vejo como missão como a minha vida pública toda. Sinto saudades da universidade (UFC), quero voltar a estudar. Me organizei mentalmente para terminar o primeiro mandato e ir terminar meu mestrado em Filosofia Contemporânea, depois ir fazer meu doutorado fora do Brasil. Passar uns dois anos fora do Brasil. Veio essa missão e de qualquer maneira a gente acabou não construindo alternativa para continuar o projeto. Era muito coisa para fazer e priorizar. Era a cidade quebrada financeiramente. Havia o dilema de você ter feito tudo e entregar de mão beijada. Saneamos as contas, pagamos 95% das dívidas de curto prazo. Se há uma coisa que fiz, foi correr atrás de dinheiro para assegurar recursos. Hoje tenho 60 milhões para fazer os Cucas com o dinheiro do BID; tenho já aprovado o Transfor; 40 milhões para o Hospital da Mulher; 5 milhões para o calçadão da Praia de Iracema e 22 milhões que sairá depois da eleição para urbanizar o resto da Praia de Iracema. Os nós grandes da cidade estamos enfrentando como é o caso da Vila do Mar, a Rosalina onde construímos 1802 casas - maior que Nova Jaguaribara.

BLOG - O governador Cid Gomes (PSB) deverá ser candidato à reeleição em 2010. Ele é seu candidato?

Luizianne Lins - Se for candidato à reeleição, ele é meu candidato. Acredito que não vá ter grandes alterações. A única coisa que poderia acontecer, é uma hipótese que eu não acredito, de o PSDB querer se coligar com a esquerda. Nós não iremos se coligar com o PSDB em nenhuma hipótese. Ainda mais porque além de tudo - do ponto de vista político -, o PSDB é muito ruim.

BLOG - As declarações do deputado federal Ciro Gomes (PSB) elogiando seu carisma é um aceno?

Luizianne Lins - Eu tenho dito em relação a ele que não me interessa o que ele pensa ou diz. Não dou a menor notícia. Ainda mais, além de me atacar, diz que ganhei por causa do Duda Mendonça. É uma falta de respeito. Achei leviano o tom desrespeitoso que ele utilizou contra mim e o governo. Foi mal educado ao me chamar de "coronel de saia", "stalinista", "Fortaleza puteiro a céu aberto", que Duda Mendonça elegeria até um "tolete de cocô". Definitivamente, ele não é referencial para mim.

BLOG - A senhora se deprimiu nessa campanha?

Luizianne Lins - Eu passei 20 dias deprimida. Era uma angústia pessoal, não era política. Fiquei muito angustiada sem saber se queria ou não queria retomar esse compromisso com o povo. Faço política com a alma, é muita responsabilidade. Comecei tudo muito cedo e nunca tive padrinho político. Fui eleita vereadora com 26 anos, fui eleita prefeita com 36, hoje tenho 39 anos. Fui a mais votada do PT com 26 anos, passei 10 anos no parlamento e quatro anos de governo. Não deixa de ser sacrifício muito grande para quem não é corrupto e não vê o governo como um negócio. Para você ter uma idéia, não tirei um dia de férias e até nas viagens havia compromissos políticos. Eu não desligo, eu sou assim.

BLOG - No começo da campanha, a imprensa e os analistas políticos diziam que a senhora não seria eleita. A senhora fazia que leitura?

Luizianne Lins - Eu sempre estive tranqüila, da mesma maneira que em 2004. O mesmo sentimento que eu ia ganhar a eleição. Comecei com 30% das intenções de votos segundo o Datafolha. Era um empate com o Moroni, que vive numa eterna expectativa e eu que estou no olho do furacão! A oposição apostava no fracasso e que o ciclo deles voltaria. O desastre não se consolidou porque demonstramos pulso e determinação. De 2004 pra cá eu era a única mulher prefeita de capital do Brasil e a mais nova. Não é uma situação confortável, tem uma série de preconceitos. Era um desafio que conseguimos vencer. Olha, o Duda Mendonça não venceu a eleição. A "Duda Mendonça" fez a campanha. O Duda foi consultor. Quem fez a campanha foi o mesmo pessoal que fez a campanha de 2004. O Joe Pimentel, a Isabela, o pessoal de rádio da campanha passada. A todo momento teve uma interação, o slogan inicial foi mudado a pedido nosso, o fundo do material de propaganda, o posicionamento estratégico no primeiro momento. Ele achava que tinha de rebater críticas e seguramos porque eu disse que não ia polarizar com ninguém. Não ia responder besteira.

BLOG - De quem foi a decisão que você iria para os debates?

Luizianne Lins - Minha. Eu disse que não ia faltar a nenhum debate porque nunca tive medo de debate. Decidi por respeito ao povo e disseram que eu queria me fazer de vítima.

BLOG - Qual vai ser o papel do Tin Gomes como vice?

Luizianne Lins - O papel dele político a gente vai discutir posteriormente. A idéia é que ele cumpra um papel de auxiliar à prefeita e colabore com a cidade. Está sempre à disposição da cidade, sem ficar tencionando internamente o governo. Quanto mais discreto e colaborador ele for, melhor. Não é a toa que quando nos foi oferecido a vice-governadoria escolhemos o Pinheiro (Francisco). Nós pensamos em um quadro de alta qualidade política e intelectual. O Cid Gomes já me disse que eu dei pra ele o vice que pediu a Deus. Ele só colabora.

BLOG - Que música você quer ouvir amanhã (hoje)?

Luizianne Lins - Aquela do Chico Buarque: "Apesar de você amanhã há de ser outro dia/ Eu pergunto a você onde vai se esconder/Da enorme euforia? Como vai proibir/ quando o galo insistir em cantar?/Água nova brotando...".


(Foto - Edimar Soares)

Fonte: Blog do Eliomar

Leia mais...

Hobsbawm: A crise do capitalismo e a importância atual de Marx  

“Marx não regressará como uma inspiração política para a esquerda até que se compreenda que seus escritos não devem ser tratados como programas políticos, mas sim como um caminho para entender a natureza do desenvolvimento capitalista”. A análise é de Eric Hobsbawm, considerado um dos maiores historiadores vivos.

Em entrevista ao sítio Sin Permiso, Hobsbawm analisa a atualidade da obra de Karl Marx e o renovado interesse que vem despertando nos últimos anos, mais ainda agora após a nova crise de Wall Street. E fala sobre a necessidade de voltar a ler o pensador alemão. Hobsbawm é presidente do Birbeck College (London University) e professor emérito da New School for Social Research (Nova Iorque). Entre suas muitas obras, encontra-se a trilogia acerca do “longo século XIX”: “A Era da Revolução: Europa 1789-1848” (1962); “A Era do Capital: 1848-1874” (1975); “A Era do Império: 1875-1914 (1987) e o livro “A Era dos Extremos: o breve século XX, 1914-1991 (1994), todos traduzidos em vários idiomas.

Leia abaixo a entrevista concedida a Marcello Musto, reproduzida da Agência Carta Maior:

Marcello Musto - Duas décadas depois de 1989, quando foi apressadamente relegado ao esquecimento, Karl Marx regressou ao centro das atenções. Livre do papel de intrumentum regni que lhe foi atribuído na União Soviética e das ataduras do “marxismo-leninismo”, não só tem recebido atenção intelectual pela nova publicação de sua obra, como também tem sido objeto de crescente interesse. Em 2003, a revista francesa Nouvel Observateur dedicou um número especial a Marx, com um título provocador: “O pensador do terceiro milênio?”. Um ano depois, na Alemanha, em uma pesquisa organizada pela companhia de televisão ZDF para estabelecer quem eram os alemães mais importantes de todos os tempos, mais de 500 mil espectadores votaram em Karl Marx, que obteve o terceiro lugar na classificação geral e o primeiro na categoria de “relevância atual”. Em 2005, o semanário alemão Der Spiegel publicou uma matéria especial que tinha como título “Ein Gespenst Kehrt zurük” (A volta de um espectro), enquanto os ouvintes do programa “In Our Time” da rádio 4, da BBC, votavam em Marx como o maior filósofo de todos os tempos. Em uma conversa com Jacques Attali, recentemente publicada, você disse que, paradoxalmente, “são os capitalistas, mais que outros, que estão redescobrindo Marx” e falou também de seu assombro ao ouvir da boca do homem de negócios e político liberal, George Soros, a seguinte frase: “Ando lendo Marx e há muitas coisas interessantes no que ele diz”. Ainda que seja débil e mesmo vago, quais são as razões para esse renascimento de Marx? É possível que sua obra seja considerada como de interesse só de especialistas e intelectuais, para ser apresentada em cursos universitários como um grande clássico do pensamento moderno que não deveria ser esquecido? Ou poderá surgir no futuro uma nova “demanda de Marx”, do ponto de vista político?

Eric Hobsbawm - Há um indiscutível renascimento do interesse público por Marx no mundo capitalista, com exceção, provavelmente, dos novos membros da União Européia, do leste europeu. Este renascimento foi provavelmente acelerado pelo fato de que o 150° aniversário da publicação do Manifesto Comunista coincidiu com uma crise econômica internacional particularmente dramática em um período de uma ultra-rápida globalização do livre-mercado. Marx previu a natureza da economia mundial no início do século 21, com base na análise da “sociedade burguesa”, cento e cinqüenta anos antes. Não é surpreendente que os capitalistas inteligentes, especialmente no setor financeiro globalizado, fiquem impressionados com Marx, já que eles são necessariamente mais conscientes que outros sobre a natureza e as instabilidades da economia capitalista na qual eles operam.

A maioria da esquerda intelectual já não sabe o que fazer com Marx. Ela foi desmoralizada pelo colapso do projeto social-democrata na maioria dos estados do Atlântico Norte, nos anos 1980, e pela conversão massiva dos governos nacionais à ideologia do livre mercado, assim como pelo colapso dos sistemas políticos e econômicos que afirmavam ser inspirados por Marx e Lênin. Os assim chamados “novos movimentos sociais”, como o feminismo, tampouco tiveram uma conexão lógica com o anti-capitalismpo (ainda que, individualmente, muitos de seus membros possam estar alinhados com ele) ou questionaram a crença no progresso sem fim do controle humano sobre a natureza que tanto o capitalismo como o socialismo tradicional compartilharam. Ao mesmo tempo, o “proletariado”, dividido e diminuído, deixou de ser crível como agente histórico da transformação social preconizada por Marx.

Devemos levar em conta também que, desde 1968, os mais proeminentes movimentos radicais preferiram a ação direta não necessariamente baseada em muitas leituras e análises teóricas. Claro, isso não significa que Marx tenha deixado de ser considerado como um grande clássico e pensador, ainda que, por razões políticas, especialmente em países como França e Itália, que já tiveram poderosos Partidos Comunistas, tenha havido uma apaixonada ofensiva intelectual contra Marx e as análises marxistas, que provavelmente atingiu seu ápice nos anos oitenta e noventa. Há sinais agora de que a água retomará seu nível.

Marcello Musto - Ao longo de sua vida, Marx foi um agudo e incansável investigador, que percebeu e analisou melhor do que ninguém em seu tempo o desenvolvimento do capitalismo em escala mundial. Ele entendeu que o nascimento de uma economia internacional globalizada era inerente ao modo capitalista de produção e previu que este processo geraria não somente o crescimento e prosperidade alardeados por políticos e teóricos liberais, mas também violentos conflitos, crises econômicas e injustiça social generalizada. Na última década, vimos a crise financeira do leste asiático, que começou no verão de 1997; a crise econômica Argentina de 1999-2002 e, sobretudo, a crise dos empréstimos hipotecários que começou nos Estados Unidos em 2006 e agora tornou-se a maior crise financeira do pós-guerra. É correto dizer, então, que o retorno do interesse pela obra de Marx está baseado na crise da sociedade capitalista e na capacidade dele ajudar a explicar as profundas contradições do mundo atual?

Eric Hobsbawm - Se a política da esquerda no futuro será inspirada uma vez mais nas análises de Marx, como ocorreu com os velhos movimentos socialistas e comunistas, isso dependerá do que vai acontecer no mundo capitalista. Isso se aplica não somente a Marx, mas à esquerda considerada como um projeto e uma ideologia política coerente. Posto que, como você diz corretamente, a recuperação do interesse por Marx está consideravelmente – eu diria, principalmente – baseado na atual crise da sociedade capitalista, a perspectiva é mais promissora do que foi nos anos noventa. A atual crise financeira mundial, que pode transformar-se em uma grande depressão econômica nos EUA, dramatiza o fracasso da teologia do livre mercado global descontrolado e obriga, inclusive o governo norte-americano, a escolher ações públicas esquecidas desde os anos trinta.

As pressões políticas já estão debilitando o compromisso dos governos neoliberais em torno de uma globalização descontrolada, ilimitada e desregulada. Em alguns casos, como a China, as vastas desigualdades e injustiças causadas por uma transição geral a uma economia de livre mercado, já coloca problemas importantes para a estabilidade social e mesmo dúvidas nos altos escalões de governo. É claro que qualquer “retorno a Marx” será essencialmente um retorno à análise de Marx sobre o capitalismo e seu lugar na evolução histórica da humanidade – incluindo, sobretudo, suas análises sobre a instabilidade central do desenvolvimento capitalista que procede por meio de crises econômicas auto-geradas com dimensões políticas e sociais. Nenhum marxista poderia acreditar que, como argumentaram os ideólogos neoliberais em 1989, o capitalismo liberal havia triunfado para sempre, que a história tinha chegado ao fim ou que qualquer sistema de relações humanas possa ser definitivo para todo o sempre.

Marcello Musto - Você não acha que, se as forças políticas e intelectuais da esquerda internacional, que se questionam sobre o que poderia ser o socialismo do século 21, renunciarem às idéias de Marx, estarão perdendo um guia fundamental para o exame e a transformação da realidade atual?

Eric Hobsbawm - Nenhum socialista pode renunciar às idéias de Marx, na medida que sua crença em que o capitalismo deve ser sucedido por outra forma de sociedade está baseada, não na esperança ou na vontade, mas sim em uma análise séria do desenvolvimento histórico, particularmente da era capitalista. Sua previsão de que o capitalismo seria substituído por um sistema administrado ou planejado socialmente parece razoável, ainda que certamente ele tenha subestimado os elementos de mercado que sobreviveriam em algum sistema pós-capitalista.

Considerando que Marx, deliberadamente, absteve-se de especular acerca do futuro, não pode ser responsabilizado pelas formas específicas em que as economias “socialistas” foram organizadas sob o chamado “socialismo realmente existente”. Quanto aos objetivos do socialismo, Marx não foi o único pensador que queria uma sociedade sem exploração e alienação, em que os seres humanos pudessem realizar plenamente suas potencialidades, mas foi o que expressou essa idéia com maior força e suas palavras mantêm seu poder de inspiração.

No entanto, Marx não regressará como uma inspiração política para a esquerda até que se compreenda que seus escritos não devem ser tratados como programas políticos, autoritariamente ou de outra maneira, nem como descrições de uma situação real do mundo capitalista de hoje, mas sim como um caminho para entender a natureza do desenvolvimento capitalista. Tampouco podemos ou devemos esquecer que ele não conseguiu realizar uma apresentação bem planejada, coerente e completa de suas idéias, apesar das tentativas de Engels e outros de construir, a partir dos manuscritos de Marx, um volume II e III de “O Capital”. Como mostram os “Grundrisse”, aliás. Inclusive, um Capital completo teria conformado apenas uma parte do próprio plano original de Marx, talvez excessivamente ambicioso.

Por outro lado, Marx não regressará à esquerda até que a tendência atual entre os ativistas radicais de converter o anti-capitalismo em anti-globalização seja abandonada. A globalização existe e, salvo um colapso da sociedade humana, é irreversível. Marx reconheceu isso como um fato e, como um internacionalista, deu as boas vindas, teoricamente. O que ele criticou e o que nós devemos criticar é o tipo de globalização produzida pelo capitalismo.

Marcello Musto - Um dos escritos de Marx que suscitaram o maior interesse entre os novos leitores e comentadores são os “Grundrisse”. Escritos entre 1857 e 1858, os “Grundrisse” são o primeiro rascunho da crítica da economia política de Marx e, portanto, também o trabalho inicial preparatório do Capital, contendo numerosas reflexões sobre temas que Marx não desenvolveu em nenhuma outra parte de sua criação inacabada. Por que, em sua opinião, estes manuscritos da obra de Marx, continuam provocando mais debate que qualquer outro texto, apesar do fato dele tê-los escrito somente para resumir os fundamentos de sua crítica da economia política? Qual é a razão de seu persistente interesse?

Eric Hobsbawm - Desde o meu ponto de vista, os ''Grundrisse'' provocaram um impacto internacional tão grande na cena marxista intelectual por duas razões relacionadas. Eles permaneceram virtualmente não publicados antes dos anos cinqüenta e, como você diz, contendo uma massa de reflexões sobre assuntos que Marx não desenvolveu em nenhuma outra parte. Não fizeram parte do largamente dogmatizado corpus do marxismo ortodoxo no mundo do socialismo soviético. Mas não podiam simplesmente ser descartados. Puderam, portanto, ser usados por marxistas que queriam criticar ortodoxamente ou ampliar o alcance da análise marxista mediante o apelo a um texto que não podia ser acusado de herético ou anti-marxista. Assim, as edições dos anos setenta e oitenta, antes da queda do Muro de Berlim, seguiram provocando debate, fundamentalmente porque nestes escritos Marx coloca problemas importantes que não foram considerados no “Capital”, como por exemplo as questões assinaladas em meu prefácio ao volume de ensaios que você organizou (Karl Marx's Grundrisse. Foundations of the Critique of Political Economy 150 Years Later).

Marcello Musto - No prefácio deste livro, escrito por vários especialistas internacionais para comemorar o 150° aniversário de sua composição, você escreveu: “Talvez este seja o momento correto para retornar ao estudo dos “Grundrisse”, menos constrangidos pelas considerações temporais das políticas de esquerda entre a denúncia de Stalin, feita por Nikita Khruschev, e a queda de Mikhail Gorbachev”. Além disso, para destacar o enorme valor deste texto, você diz que os “Grundrisse” “trazem análise e compreensão, por exemplo, da tecnologia, o que leva o tratamento de Marx do capitalismo para além do século 19, para a era de uma sociedade onde a produção não requer já mão-de-obra massiva, para a era da automatização, do potencial de tempo livre e das transformações do fenômeno da alienação sob tais circunstâncias. Este é o único texto que vai, de alguma maneira, mais além dos próprios indícios do futuro comunista apontados por Marx na “Ideologia Alemã”. Em poucas palavras, esse texto tem sido descrito corretamente como o pensamento de Marx em toda sua riqueza. Assim, qual poderia ser o resultado da releitura dos “Grundrisse” hoje?

Eric Hobsbawm - Não há, provavelmente, mais do que um punhado de editores e tradutores que tenham tido um pleno conhecimento desta grande e notoriamente difícil massa de textos. Mas uma releitura ou leitura deles hoje pode ajudar-nos a repensar Marx: a distinguir o geral na análise do capitalismo de Marx daquilo que foi específico da situação da sociedade burguesa na metade do século XIX. Não podemos prever que conclusões podem surgir desta análise. Provavelmente, somente podemos dizer que certamente não levarão a acordos unânimes.

Marcello Musto - Para terminar, uma pergunta final. Por que é importante ler Marx hoje?

Eric Hobsbawm - Para qualquer interessado nas idéias, seja um estudante universitário ou não, é patentemente claro que Marx é e permanecerá sendo uma das grandes mentes filosóficas, um dos grandes analistas econômicos do século 19 e, em sua máxima expressão, um mestre de uma prosa apaixonada. Também é importante ler Marx porque o mundo no qual vivemos hoje não pode ser entendido sem levar em conta a influência que os escritos deste homem tiveram sobre o século 20. E, finalmente, deveria ser lido porque, como ele mesmo escreveu, o mundo não pode ser transformado de maneira efetiva se não for entendido. Marx permanece sendo um soberbo pensador para a compreensão do mundo e dos problemas que devemos enfrentar.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

Fonte: Portal Vermelho de Notícias

Leia mais...

Viúva de Paulo Freire escreve Carta de Repúdio à Revista Veja  

Na edição de 20 de agosto a revista Veja publicou a reportagem "O que estão ensinando a eles?" De autoria de Monica Weinberg e Camila Pereira, ela foi baseada em pesquisa sobre qualidade do ensino no Brasil. Lá pelas tantas há o seguinte trecho:

"Muitos professores brasileiros se encantam com personagens que em classe mereceriam um tratamento mais crítico, como o guerrilheiro argentino Che Guevara, que na pesquisa aparece com 86% de citações positivas, 14% de neutras e zero, nenhum ponto negativo. Ou idolatram personagens arcanos sem contribuição efetiva à civilização ocidental, como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização".

Que a Revista Veja ataque figuras mais claramente identificadas com a luta socialista na América Latina, como Che Guevara e Fidel Castro, não é novidade, mas agora o ataque aos intelectuais de esquerda se torna cada vez mais brutal e direto.

Diante disso a viúva de Paulo Freire, Nita, escreveu a seguinte carta de repúdio:

"Como educadora, historiadora, ex-professora da PUC e da Cátedra Paulo Freire e viúva do maior educador brasileiro PAULO FREIRE - e um dos maiores de toda a história da humanidade -, quero registrar minha mais profunda indignação e repúdio ao tipo de jornalismo que a cada semana a revista VEJA oferece às pessoas ingênuas ou mal intencionadas de nosso país. Não a leio por princípio, mas ouço comentários sobre sua postura danosa através do jornalismo crítico. Não proclama sua opção em favor dos poderosos e endinheirados da direita, mas , camufladamente, age em nome do reacionarismo desta.

Esta vem sendo a constante desta revista desde longa data: enodoar pessoas as quais todos nós brasileiros deveríamos nos orgulhar. Paulo, que dedicou seus 75 anos de vida lutando por um Brasil melhor, mais bonito e mais justo, não é o único alvo deles. Nem esta é a primeira vez que o atacam. Quando da morte de meu marido, em 1997, o obituário da revista em questão não lamentou a sua morte, como fizeram todos os outros órgãos da imprensa escrita, falada e televisiva do mundo, apenas reproduziu parte de críticas anteriores a ele feitas.

A matéria publicada no n. 2074, de 20/08/08, conta, lamentavelmente com o apoio do filósofo Roberto Romano que escreve sobre ética, certamente em favor da ética do mercado , contra a ética da vida criada por Paulo. Esta não é, aliás , sua primeira investida sobre alguém que é conhecido no mundo por sua conduta ética verdadeiramente humanista.

Inadmissivelmente, a matéria é elaborada por duas mulheres, que, certamente para se sentirem e serem parceiras do "filósofo" e aceitas pelos neoliberais desvirtuam o papel do feminino na sociedade brasileira atual. Com linguagem grosseira, rasteira e irresponsável, elas se filiam à mesma linha de opção política do primeiro, falam em favor da ética do mercado, que tem como premissa miserabilizar os mais pobres e os mais fracos.

Nas 12 páginas, nas quais proliferam um civismo às avessas e a má apreensão da realidade, os participantes e as autoras da matéria dão continuidade às práticas autoritárias , fascistas, retrógradas da cata às bruxas dos anos 50 e da ótica de subversão encontrada em todo ato humanista no nefasto período da Ditadura Militar.

Para satisfazer parte da elite inescrupulosa e de uma classe média brasileira medíocre que tem a Veja como seu "Norte" e "Bíblia". Apavorada com o que Paulo plantou, com sacrifício e inteligência, a Veja quer torná-lo insignificante e os e as que a fazem vendendo a sua força de trabalho, pensam que podem a qualquer custo, eliminar do espaço escolar o que há de mais importante na educação das
crianças, jovens e adultos: o pensar e a formação da cidadania de todas as pessoas de nosso país, independentemente de sua classe social, etnia, gênero, idade ou religião.

Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de concluir que os pais, alunos e educadores escutaram a voz de Paulo, a validando e praticando. Portanto, a sociedade brasileira está no caminho certo para a construção da autêntica democracia. Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de proclamar que Paulo Freire Vive!

São Paulo, 11 de setembro de 2008
Ana Maria Araújo Freire".

Leia mais...

Veja o Bush caindo de bêbado nas Olimpíadas de Beijing  

Bush passando vergonha diante da mulher e da filha

Bush alcoolizado em Beijing, durante as olimpíadas, deu o maior vexame, criou problemas para a segurança e até foi inconveniente com as jogadoras de voleibol, tentando pegar nas nádegas de uma delas. Mas a imprensa brasileira, covardemente (leia-se subservientemente), não publicou nada. Ao passo que choveram textos sobre a falta de liberdade na China. Imagino o que aconteceria se fosse com Lula, que nunca se prestou a esse tipo de exposição pública.

O fato se tornou motivos de milhares de posts em sítios de notícia e blogs de todo o mundo e tem até vários videos do You Tube, satirizando o presidente yankee pelo vacilo.

George W. Bush, que desde jovem tem um longo histórico de papudismo, e um currículo não menor de falências, ganhou muitos votos entre os eleitores conservadores cristãos dos EUA afirmando que havia sido salvo das veredas absconsas do pecado pela glória e graça de Jesus.

Vejam logo abaixo como ele foi sincero em seu testemunho de recuperação, dá até pena da mulher e da filha, que estão ao seu lado na maioria das fotos, rubras de vergonha. É esse o homem que dirige o maior aparato político-militar do planeta.

Tentando agarrar uma bola imaginária

Sendo levado pra fora do estádio pelos seus seguranças

Mirando a bunda da jogadora de vôlei

Levou uma queda!

Mamado até nas cerimônias oficiais

O Michael Phelps ficou lombrado só com o hálito

Veja o vídeo que anda fazendo sucesso no You Tube Com as imagens de Bush Alcoolizado:



David Aragão,
Secretário de Comunicação da UJS.

Leia mais...

Supremo garante a pesquisa com células-tronco  

Hora de de "correr atrás do tempo perdido"

O STF (Supremo Tribunal Federal) confirmou ao anoitecer desta quinta-feira (29), por sete votos a quatro, que a Lei de Biossegurança é constitucional e portanto as pesquisas brasileiras com células-tronco embrionárias podem prosseguir. No plenário lotado e em frente ao Supremo, portadores de doenças que poderão ser curados pela medida fizeram a festa.

O plenário do Supremo ficou completamente lotado desde a manhã de quarta-feira (28), quando teve início a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 3510. Jornalistas, advogados, integrantes de movimentos pró e contra as pesquisas e portadores de necessidades formaram o público. Cadeirantes posavam para fotografias ao lado de pesquisadores, no hall de entrada do Supremo, fazendo o sinal de vitória com os dedos.

O último a votar no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) que questionava o uso de células-tronco de embriões humanos em pesquisa científica, foi o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes. Seu voto foi contrário à liberação das pesquisas, mas esta já obtivera maioria.

O voto do ministro Celso de Mello foi o que decidiu a resolução. Em seguida, a pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP) Mayana Zatz disse que agora é o momento de "correr atrás do tempo perdido". Mayana se disse feliz com os sete votos a favor da constitucionalidade das pesquisas, sem restrições, "mas com um senso imenso de responsabilidade".

A pesquisadora ressaltou também que é preciso respeitar o posicionamento dos que são contrários ao uso de células-tronco de embriões, em geral por motivos religiosos. “Eu espero que dentro de alguns anos, quando nós tivermos os resultados, aqueles que votaram contra nos dêem razão”, concluiu.

Voto de 3 horas tentou barrar a pesquisa

A Ação Direta de Inconstitucionalidade foi apresentada em 2005 pelo então procurador-geral da República Cláudio Fonteles, católico praticante, que expressou a oposição da Igreja a esse tipo de pesquisa. Em 5 de março, quando o julgamento foi iniciado, os ministros Carlos Ayres Britto, relator da ação, e Ellen Gracie votaram pela continuidade das pesquisas, mas o ministro Carlos Alberto Menezes Direito pediu vistas do processo, adiando o julgamento.

Direito foi o ministro que se opôs com mais tenacidade à decisão: seu voto, na quarta-feira, durou mais de três horas e incluiu uma tentativa final de criar pelo menos obstáculos parciais a esse gênero de pesquisa científica, que segundo a comunidade médica pode permitir a cura de doenças hoje insanáveis.

Fonte: Portal Vermelho de notícias

Saiba mais sobre as pesquisas com células-tronco assistindo a este pequeno video educativo:

Leia mais...

1.600 sem-tetos invadem o Campus do Pici  

NOTA DO MOVIMENTO ESTUDANTIL SOBRE A OCUPAÇÃO DO CAMPUS DO PICI

Na madrugada da quinta para sexta-feira (25/04), um grupo com cerca de 200 pessoas ocupou parte do campus do Pici, derrubando inicialmente cerca de 600 metros do muro, próximo ao Parque Esportivo. O processo de ocupação continuou aumentando. Na noite de segunda, outra parte do muro foi derrubada seguida da incorporação de mais ocupantes (hoje são por volta de 1.600).

A Reitoria enviou ofício à Procuradoria Federal no Ceará, solicitando que fossem tomadas as providências judiciais cabíveis. A Procuradoria, por sua vez, ajuizou pedido de reintegração de posse, deferido no mesmo dia pela justiça.

Tendo em vista que o fato repercutiu na comunidade universitária e na imprensa, o movimento estudantil organizado vem ao público esclarecer que este fato nos faz refletir sobre a necessidade de uma reforma urbana no município de Fortaleza, tendo em vista as condições de pobreza de um número considerável da população.

Defendemos o direito à moradia assim como o direito legítimo à manifestação, mas ressaltamos que não concordamos com o constrangimento e agressão à comunidade universitária, depredação do patrimônio público (muro da UFC, CEDEFAM e equipamentos do Parque Esportivo), assim como a paralisação das atividades da Universidade que foram ocasionadas pela ação dos ocupantes. Entendemos também que o diálogo deveria ter sido um dos caminhos deste movimento com as instâncias da Universidade (DCE, SINTUFCe, ADUFC e Reitoria).

Vale ressaltar que não concordamos com qualquer ação que criminalize os movimentos sociais, tanto por parte da Administração Superior ou do Estado, e que todos os canais de diálogo estejam abertos, garantindo que a negociação para a desocupação seja pacífica.

Fortaleza, 29 de abril de 2008.

Conselho de Entidades de Base do DCE-UFC

Leia mais...