Blog UJS Ceará

O blog de política da juventude cearense!

Lula, bem-vindo ao jornalismo!  

"A minha cama...
É uma folha de jornal"
(Noel Rosa)

Depois de Fidel Castro com suas indispensáveis "Reflexiones del Comandante", e do presidente da Venezuela, com suas densas argumentaçõs em "Las líneas de Chávez", teremos agora a coluna que Lula vai publicar regularmente em jornais espalhados por todo este país, cujo título, conforme está na Mensagem do Executivo enviada ao Congresso, será "O presidente responde".

Talvez poucos jornalistas tenham lido o documento, o que não é raro em se tratando de jornalistas, há muitos que não lêem estes documentos. Será interessante ter, na mesma página que ataca o Lula, suas respostas, suas interpretações, e suas análises para fenômenos políticos e sociais...

Trata-se de decisão política relevante, com muitos significados e, sobretudo, abrindo novas janelas para os que lutam para transformar os meios de comunicação, o jornalismo em particular, em instrumentos de civilização e democratização. Primeiramente porque o jornalismo ganha em conteúdo informativo, pois, ninguém duvida, trata-se de um "colega”altamente informado. E ganha também porque raramente alguém com a rica experiência de vida e de história que ele possui, com o olhar crítico popular sobre um jornalismo feito pelas elites e para as elites, tem acesso a escrever.

Não carece repetir a volumosa tendência antilulista predominante no jornalismo atual, o que tem levado o presidente a criticar com alguma freqüência a mídia, a baixaria televisiva e também um certo jornalismo por lhe causar azia. Pois, a decisão de se transformar um colunista político de jornal indica, primeiramente, que Lula dá um novo passo concreto para transformar o panorama comunicativo brasileiro, muito embora até mesmo muitos de seus aliados tenham dificuldades em reconhecer mudanças em curso na área, certamente porque a ditadura midiática rigorosamente hegemônica e onipresente, ofusca, confunde e cega.

Recapitulemos. Em 2002, um Seminário Nacional de Cultura e Comunicação, realizado em cinco regiões do Brasil, produziu um documento chamado “A imaginação a serviço do Brasil", incorporado como programa na campanha Lula-Presidente daquele ano. Este documento programático foi duramente criticado pela mídia conservadora, Veja à frente, como de inclinação "bolchevique-caipira"...

O documento trazia a proposta da TV Pública a partir da fusão entre Radiobrás e TVE, mais tarde realizada pelo presidente Lula, após convocar o primeiro Fórum Nacional de TVs Públicas ocorrido no Brasil. Trazia ainda a idéia de uma nova relação com as TVs e rádios comunitárias, que só agora, vencendo as dificuldades, começa a se delinear, sobretudo a partir da proposta de descriminalização (rádios-com) e também das várias políticas de audiovisual que podem também alcançar as TVs comunitárias.

Há muitíssimo o que caminhar, mas o sinalizado não está incorreto. Os muitos Pontos de Cultura criados expandem a produção audiovisual comunitária e regional, colocando, é verdade, um bom problema: o de se encontrar espaços de divulgação. Não sem razão a TV Brasil está fazendo a licitação para instalar repetidoras em 200 cidades de grande e médio porte, o que significa sim disputa de audiência.

Tímida? Pode ser, mas a direção é corretíssima, confere o que está na Constituição que pede comunicação plural, regionalizada, educativa e civilizatória. Sim, mas tem que chegar aos grotões. Sei o quanto é difícil pedir paciência em comunicação diante do pavoroso audiovisual embrutecedor, mas o fundamental agora é ajudar a construir esta TV Brasil e até muitos dos críticos já se calaram......

Pois Lula agora vai um pouco mais além: ele próprio transforma-se em colunista de jornal o que de certo modo já responde a uma descabido pito acadêmico que erroneamente considerou sua crítica a um jornalismo que faz mal ao fígado, como se fosse elogio à não-leitura. Se desprezasse a leitura, não se transformaria ele próprio em jornalista, disposto com o gesto a enfrentar o debate pouco equilibrado em curso no jornalismo brasileiro, com os conglomerados midiáticos unidos numa linha editorial predominantemente oposicionista ao seu governo.

Se o próprio presidente da república sente a necessidade de responder ele próprio às desinformações e manipulações ou às sonegações praticadas pela grande mídia contra si e seus atos — inclusive aquela que recebe enorme quantidade recursos financeiros do governo que ataca, até mesmo para produzir, por exemplo, programas como o Telecurso, de boa qualidade educativa, mas inexplicavelmente exibido de madrugada — imagine-se a vulnerabilidade do cidadão comum indefeso diante do poderio demolidor imagético dos meios!!!!

Vargas, Lula e a comunicação

Lições da história, os presidentes mudam a comunicação. Casos positivos: Perón criou a TV que já nasceu pública na Argentina; Guevara tomou o exemplo da Agência Latina de Perón e criou a Agência Prensa Latina em Cuba: o general Alvarado no Peru foi além nacionalizando os meios de comunicação e entregando-os aos sindicatos que, sem saber operá-los, os devolveu ao Estado. Chávez criou a Telesur.

A grande transformação comunicativa de sentido público havida no Brasil ocorreu na Era Vargas. Juntamente com a industrialização, a nacionalização do subsolo, a criação das empresas estatais estratégicas, do Instituto do Açúcar e do Álcool para abrir a era da energia da biomassa, e da legislação trabalhista que começava a tirar os trabalhadores da senzala oligárquica do direito trabalhista-zero, Vargas sentiu também a necessidade de mudanças no plano comunicativo e cultural.

Tendo criado o Instituto Nacional do Livro, o Instituto Nacional do Cinema, do Teatro, o ensino público obrigatório, o presidente gaúcho, que também havia sido redator de jornal no movimento estudantil, assume a criação da Rádio Nacional, da Rádio Mauá — a Emissora do Trabalhador —, do jornal A Manhã, A União, na Paraíba, tendo inclusive nacionalizado outros periódicos como A Noite, até mesmo O Estado de S.Paulo, durante o período em que o Tenente João Alberto, ex-integrante da Coluna Prestes esteve à frente do governo paulista.

Vargas criou ainda outras publicações, mas duas delas merecem registro: O Pensamento da América, destinado à integração latino-americana, e a Revista Cultura, cuja excelência, em ambas, devia-se à qualidade de seu quadro de redatores, entre os quais Carlos Drummond de Andrade, Gustavo Capanema, Nestor de Hollanda, Clarice Lispector, Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Manuel Bandeira, etc. Estas publicações desapareceram soterradas pela mesma ação demolidora do patrimônio nacional que buscou acabar com a Era Vargas.

É verdade que o sindicalista Lula fez muitas críticas a Vargas, quiçá pela proximidade que tinha com uma certa sociologia paulista, inspirada em valores coloniais-oligárquicos, que mais tarde veio a privatizar a Vale do Rio Doce, a CSN, a Telebrás, a Portobrás, e, em boa medida a Petrobras. Tentaram rebatizá-la de PetrobraX, lembram-se?

Faz muito tempo, Lula chegou mesmo a declarar que "se Vargas era o pai dos pobres, era a mãe dos ricos". Talvez, com a experiência de quem tem que tocar o barco, não as repita hoje. Basta dizer, é o próprio presidente que hoje fala que nunca antes os banqueiros ganharam tanto dinheiro como em seu próprio governo.

Mais importante é, debaixo do tiroteio das declarações, numa caminhada de décadas, que fazem a alegria de uma mídia que quer condenar para todo o sempre a Era Vargas, descobrir linhas de coincidências históricas entre Vargas e Lula. Lembrando que Lula chegou a se emocionar quando visitou o túmulo de Vargas em São Borja, acompanhado de Leonel Brizola. E , mais recentemente, baixou decreto criando a Semana Vargas para que, segundo explicou, todos conheçam profundamente a obra daquele que foi o maior dos presidentes. Declaração dele.

Pois se Vargas criou a Rádio Nacional, a Rádio Mauá, a Voz do Brasil — instrumento de democratização da informação via rádio acessível a uma esmagadora maioria de brasileiros que ainda hoje, como há décadas, continua proibida da leitura de jornal —, Lula, com o mesmo sentido histórico, criou a TV Brasil, a TV pública brasileira, cujo projeto estava sendo trabalhado por Vargas como desdobramento da Rádio Nacional, tendo sido sepultado junto com o gaúcho, para a alegria do capital estrangeiro, das oligarquias nacionais, dos inimigos eternos dos direitos trabalhistas e também da comunicação pública. Hoje continuam tramando contra a Voz do Brasil, atacam o jornalismo chapa-branca, mas perdoam o jornalismo chapa-oligopólio.

Há outras identidades, mantidas as diferenças de épocas históricas: Vargas deu início ao pró-alcool, montou o trem do álcool, Lula o retoma, o valoriza, o expande contra a pressão das potências estrangeiras, ambos os presidentes buscando a independência nacional energética. Vargas concretizou a campanha "O petróleo é nosso", Lula afirma agora que "o Petróleo Pré-Sal é do povo brasileiro não das transnacionais”, as mesmas que levaram Vargas ao suicídio-golpe. E ainda convocou a UNE a sair às ruas para uma nova campanha "O petróleo é nosso".

Vargas criou o BNDES, o maior banco de fomento do mundo, que FHC usou contra o Brasil na privataria, mas não conseguiu demolir. Lula recupera parcialmente a função social do BNDES, o fortalece enormemente, fortalece o sistema financeiro público. Outras coincidências: a política externa da Era Vargas, como a da Era Lula, afirmativas da integração latino-americana, da soberania nacional, da independência, não são de tirar os sapatos e rebaixar-se ante ordens de qualquer guardinha de alfândega dos Estados Unidos...

Jornal Público

Como o tema é comunicação, a partir da decisão de Lula tornar-se colunista, somos levados a pensar num sentido histórico para acreditar que estão sendo criadas as condições para que o mesmo desejo do presidente de democratizar informações, de intensificar o debate democrático de ideias possa ser feito não apenas com sua coluna, mas com a criação de novos instrumentos de comunicação dirigidos à grande massa que continua proibida de ler jornal. Ou seja, uma ideia leva à outra.

Se somadas todas as tiragens dos pouco mais de 300 jornais diários existentes no Brasil hoje não alcançamos o número de 7 milhões de exemplares. Ou seja, temos no Brasil indigência de leitura de jornais. Temos aí uma charada que o mercado, por si só, mostrou-se incapaz de resolver: como levar os brasileiros a ter pleno acesso à leitura, tornar acessível a eles uma tecnologia do século 16, a imprensa de Gutemberg?

Seja bem-vindo o presidente Lula ao mundo do jornalismo, até porque com certeza se ocupará mais diretamente dos desafios da comunicação que ainda fazem com que o Brasil seja um país com informação controlada por uma ditadura vídeo-financeira. Apesar de que exista uma capacidade ociosa crônica de 50% de nossa indústria gráfica, parada enquanto o povo não tem o que ler! Isto ilustra quando Lula diz que ainda não resolvemos problemas de outro século....

Lula e Evo: identidades no social

Quem sabe o colunista Lula não esteja já pensando — diante da expectativa positiva que criou ao anunciar que suas próprias palavras serão reproduzidas em centenas de jornais — em como superar os limites impostos pelo sistema de proibição da leitura. Diante de dilema similar de uma mídia de corte oligárquico, que ignora até mesmo que a Bolívia é hoje considerado "Território Livre do Analfabetismo” pela Unesco ou que já retomou corajosamente o controle nacional sobre suas riquezas minerais, Evo Morales viu-se impelido a lançar um jornal do poder público, já que o "livre jogo do mercado”conduz apenas à concentração, a um jornal para as minorias e a uma linha editorial rigorosamente antipatriótica.

Mercado não democratiza, mercado concentra, carteliza, exclui, discrimina, sonega, embrutece.... Como hoje até mesmo os inimigos do Estado estão agora "convertidos” a reconhecer o Estado como solução para a grande crise do capitalismo, no campo da comunicação podemos trabalhar com ainda mais desenvoltura as teses que reivindicam mais protagonismo do Estado: só o fortalecimento da comunicação pública, sua qualificação, sua capacidade de disputar audiência, leitores, poderá finalmente possibilitar que a invenção de Gutemberg seja acessível a todos os brasileiros, como aos bolivianos. Evo alfabetiza e democratiza a leitura. Lula cria a universidade da integração latino-americana (Unila) e torna o ensino do espanhol obrigatório. Muitas identidades. A coluna de jornal de Lula é apenas o primeiro passo, no sentido correto.

Que não se diga que os poderes públicos não podem editar jornal!!! Será um decreto escrito nas estrelas? Ué, por que os críticos não ficam esbaforidos, nem indignados com o fato de que é o Estado que banca grande parte do jornalismo privado? Mas, jornalismo público, não??? Aí seria um crime??? Na França existe um jornal editado pela Previdência Social que chega a todos os segurados e não apenas com notícias previdenciárias. É um jornal, traz notícias, do país, do mundo, do futebol, das cidades, do clima, da economia, da cultura.

Por que será impossível pensar que o Programa Bolsa Família — que leva farinha, café, macarrão a 13 milhões de famílias — não pode também levar um jornal, talvez o único que os brasileiros pobres possam segurar em suas mãos não para forrar banheiro ou para servir de cama como na música de Noel Rosa? Mas, um jornal que respeite os mais pobres como cidadãos, que lhes traga informação sobre a vida, sobre o funcionamento da economia que eles, os mais pobres, movimentam.

Um novo jornalismo precisa ser criado para falar não apenas de bolsa de valores que ninguém sabe o que é, mas para falar do preço da latinha e do papelão que movem milhões de seres na economia dos recicláveis. Que não fale apenas de crimes, mas fale dos programas públicos, das oportunidades, da música popular, dos heróis nacionais. Que explique sobre medidas simples para a prevenção de doenças contagiosas, como o câncer de pênis, que pode ser prevenido em boa medida com informação em saúde, mas que os jornais sustentados por anúncios da indústria de medicamentos não querem divulgar.

Que lhes dê a oportunidade de criar finalmente um hábito de leitura, convenhamos que isto é impossível se não existe um jornal de distribuição gratuita, com linguagem simples e clara — não nos faltará talento para isto, afinal já demos um Monteiro Lobato, um Paulo Freire, um Ariano Suassuna, somos um país de preciosos cordelistas e payadores, mas que não têm onde escrever.

PAC da informação e da cultura

Este é o grande desafio: está muito bem que Lula seja colunista de jornal, sobretudo por ser cidadão de excepcional inteligência política — muito mais bem informado do que os mais bem informados jornalistas — e com sua capacidade de discernimento e leitura do mundo e de escrever uma outra história política para o povo brasileiro ao ter criado instrumentos, a CUT e o PT, que estimularam a participação direta dos mais pobres e excluídos na vida política e nos destinos do país.

Mas, esta coluna precisa também de um jornal para que seja lida por milhões, distribuído pelo mesmo mecanismo do Bolsa Família, pelas Redes do SUS, pelos sindicatos, fábricas, estádios de futebol, metrôs, ônibus e trens. Já que Lula se animou a entrar no jornalismo, tomara que seja o preâmbulo de um esforço para criar, além da TV Brasil, um jornal para os milhões de brasileiros proibidos da leitura. Aliás, a EBC é empresa de comunicação, não apenas de rádio e de televisão.

Esta proposta já havia sido levada pelo Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal ao Congresso Nacional da categoria: um Programa Público de Popularização da Leitura e Edição de Jornal, aproveitando a capacidade ociosa da indústria gráfica. É o PAC da informação e da cultura. Gera emprego, mas sobretudo, gera um cidadão novo, informado, cidadão completo.

"A gente não quer só comida", diz a música. Ou como diz o meu chará "Saciar a fome de pão e a fome de poesia também". Aquela masturbação acadêmica que procura a porta de saída do Bolsa-Família certamente não poderia rejeitar: além de nutridos, seres humanos com acesso à leitura, para enxergar mais longe na vida e na história. Os acadêmicos conservadores criticam o povo que não lê, então não podem rechaçar, devem apoiar, que se trabalhe para demolir o sistema de proibição da leitura né?

Que não se venha a inverter o verdadeiro debate falando de diploma: o desafio é criar um jornal para milhões. Se o Bolsa Família é dos maiores programas sociais do mundo, que ele seja enriquecido com a oferta de um jornal respeitoso ao pobre, civilizador, educativo, lúdico e informativo.

Quanto a diploma, é indispensável, sim, uma regulamentação, mas uma que permita a classes populares o exercício do jornalismo. Fica o tema para debate, mas definitivamente, o colunista Lula está dentro da lei, além do que seu único diploma, como declarou de modo comovedor, é o diploma de presidente da República que lhe foi dado por 63 milhões de eleitores-professores.

Por Beto Almeida,
Diretor da Telesur


Fonte: Portal Vermelho

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Vitória do sim: o povo tem razão  

Por Titi Alvares*

Estava em Belém para o Fórum Social Mundial, agora em janeiro. Em determinada ocasião, disse um motorista de táxi sobre as reeleições: “o problema não é o cara continuar no poder, é ele continuar no poder sem o povo querer. Se o povo quer, está tudo bem”. O taxista não se referia a Hugo Chávez, mas a frase pode responder àqueles que adoram chamar de ditador o campeão em eleições.

Agora, desmoralizados pela especial adoração de Chávez por chamar o povo às urnas, ao invés de ditador ele passou a ser aquele que, de tanto fazer eleições e plebiscitos, tornou o processo vulgar. A mídia marrom e as elites ainda o acusam de ter sido derrotado na outra votação das alterações na constituição e de ter-se dado uma “segunda” chance. Mas nesse caso, há diferença entre pesos e medidas. No caso da União Européia, por exemplo, quando os povos de diversos países rechaçaram a constituição do bloco, ninguém se levantou contra novas consultas.

A radicalização da democracia é apenas um dos traços da mudança de época no nosso continente, iniciada a partir da eleição e reeleição de governos progressistas, cujo pioneiro foi justamente Hugo Chávez, em 1998, na Venezuela. O que tira as elites do sério é que, eleição após eleição, a vitória do campo progressista se confirma e o processo revolucionário se reafirma naquela nação. A vitória nesse referendo fortalece o processo de integração continental, o Mercosul, a Unasul e a Alba. Fortalece a soberania nacional, a cooperação, o combate às assimetrias, a multipolaridade, a aplicação de políticas sociais, a democracia, a unidade dos povos latino-americanos.

Além do mais, deve-se levar em conta o momento político em que o povo renova sua confiança nos rumos apontados por Chávez: num contexto de crise mundial do neoliberalismo, quando fica evidenciada a necessidade de um modelo alternativo, viável aos povos. Nesse caso, a vitória no referendo deste domingo fortalece a nova luta pelo socialismo, que se dá através de um caminho próprio para o desenvolvimento nacional e para a emancipação dos povos.

A histórica votação mostra que existe espaço para propor uma alternativa à esquerda como resposta à crise e cria a expectativa de que se avizinha um momento de retomada da ofensiva ideológica dos movimentos progressistas e das forças revolucionárias em contraponto às combalidas idéias neoliberais. Na realidade venezuelana já é possível inclusive hastear novamente a bandeira da luta pelo socialismo, apontado nas palavras de Chávez como o “socialismo do século 21”.

* Titi Alvares é diretora de Relações Internacionais da UJS

Fonte: Sítio Nacional da UJS

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Trote, só se for cidadão  

UNE combate atitudes violentas e propõe ações sociais para a integração entre calouros e veteranos

Meses de estudos intensos, ansiedade, dedicação. Chega o momento de conferir a lista de aprovados. Vitória! Você passou no vestibular e agora é universitário e tem muito o que comemorar certo? Certo, afinal o ingresso no ensino superior é uma conquista em um País onde apenas 12% da população tem acesso a universidade.

A recepção dos calouros marca o início do ano letivo. Trata-se de um ritual de passagem que, muitas vezes, faz parte da comemoração e representa um rito que facilita a aceitação no grupo social. Mas, infelizmente, não é raro assistir cenas de violência, neste que deveria ser um momento de celebração.

No último período, vários casos de abusos, humilhações e agressões físicas têm sido denunciados pela imprensa. A UNE, como entidade representativa de todos os estudantes universitários – incluindo os calouros –, resolveu organizar uma recepção diferente aos que ingressam na universidade.

No sentido de combater a onda de violência e apresentar perspectivas de como os estudantes universitários podem contribuir com o desenvolvimento do Brasil, a entidade fechou uma parceria com a Federação Nacional dos Estudantes de Administração (Fenead) e a ONG Opção Brasil e participa da Campanha Trote Cidadão 2009.

O objetivo é receber os novos alunos com ações de cunho social, com base no eixo 8 da plataforma "8 jeitos de mudar o mundo", criada pela Organização das Nações Unidas (ONU).

O eixo 8 consiste em estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento. Daniel Vaz, da ONG Opção Brasil, informou que a idéia surgiu em 1998, depois do trágico episódio da morte de um calouro de medicina da USP, em São Paulo. "Este ano queremos garantir a participação da juventude para reduzir as desigualdades", disse.

A sugestão é que os veteranos promovam aulas inaugurais, pedágios solidários, festas com arrecadação de livros, mutirões de limpeza ambiental, jogos interfaculdades, visitas à instituições, entre outras ações. Participe.

Campanha

O Trote Cidadão é uma campanha nacional para a recepção de calouros universitários, que visa estimular a integração sadia e responsável destes ingressantes ao ambiente universitário e ainda promover o protagonismo juvenil com iniciativas junto às demandas da sociedade.

Desde a sua criação, em 1998, o Trote Cidadão já mobilizou mais de 100 mil estudantes espalhados em mais de 200 faculdades/universidades de aproximadamente 20 Estados brasileiros. Inicialmente criado pelos estudantes de Administração, conseguiu atingir outros cursos universitários que também adotaram a campanha.

Em 2008, foi trabalhado a sustentabilidade ambiental, onde aconteceu pela primeira vez o trote ecológico na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB).

Fonte: Sítio da União Nacional dos Estudantes

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Plenária define os rumos da UJS em Fortaleza  

Em plenária municipal, realizada na tarde do último sábado (14), a UJS de Fortaleza definiu os rumos de sua política para o 1º semestre de 2009, com destaque para o Congresso da UNE, principal atividade deste período, previsto para julho. Além do CONUNE, constaram na pauta a recomposição da Direção Municipal e o movimento estudantil secundarista.

Um grande debate sobre a atualidade deu início a plenária. Entre os principais assuntos foi ressaltada a crise mundial e a resistência na América Latina. Na consideração dos participantes, esses dois fatores são fundamentais para contribuir com o avanço das forças revolucionárias em todo mundo.

Outro ponto levantado foi o papel do governo Lula diante desse quadro e as eleições para presidente em 2010. Ficou claro que é preciso haver um esforço do governo no sentido de conter o avanço dessa crise em nosso país, com maior investimento do estado. Ao mesmo tempo, deve-se aprofundar ainda mais esse projeto democrático e soberano, tendo em vista garantir a reeleição de um candidato da esquerda para a Presidência da República.

Sobre a recomposição do pleno da Direção Municipal, algumas alterações foram realizadas. Dessa forma, três novos militantes se incorporaram à direção: Fernando (UNIFOR), André Fernandes (Joaquim Nogueira) e Pedro Possidônio (UFC).

O movimento estudantil secundarista rendeu um grande debate, que se deteve, principalmente, no fortalecimento da nossa atuação nas organizações estudantis, desde os grêmios até a ACES (Associação Cearense dos Estudantes Secundaristas), e na preparação de uma campanha pela “reserva de vagas” para estudantes de escolas públicas nas universidades estaduais do Ceará.

Contudo, o ponto alto da plenária foi o movimento universitário e o Congresso da UNE em julho. Visto como principal atividade deste semestre, o congresso foi associado a todas as disputas no movimento estudantil universitário em nossa cidade, principalmente ao congresso da UFC, a eleição do DCE da UNIFOR e ao CONEG da UNE (Conselho Nacional de Entidades Gerais). Para a militância da UJS, o resultado desses embates pode ser definitivo para nossa atuação no congresso da entidade. Nesse sentido, ficou claro que devemos atuar, daqui em diante, no fortalecimento de nossa política entre os estudantes e na preparação de chapas amplas e com condições de disputar e ganhar essas e outras eleições.

Flávio Vinícius,
Presidente da UJS Fortaleza.

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O canoeiro  

Por Flaviene Vasconcelos* (texto e imagens)

Embora suas múltiplas feições, oriundas da miscigenação de brancos, negros e índios, o brasileiro consiste em um único povo. Essa unidade foi por muitas vezes testada através de movimentos e insurreições separatistas que, apesar de derrotados, serviram para revelar uma característica marcante dessa mistura de raças e culturas: a bravura e a combatividade!

Foram homens e mulheres que de norte ao sul do país, impelidos por seus ideais, deram suas vidas em causas que acreditavam justas, revelando a coragem que lhes eram inerentes.

Hoje, o movimento separatista parece superado, no entanto, podemos ver a mesma coragem desses heróis nas expressões da luta cotidiana do cidadão brasileiro.
Foi assim que a obra o canoeiro foi concebida, no intuito de revelar através da fotografia como essas peculiaridades são oriundas do nosso processo de formação, que atravessando gerações se materializa na luta revolucionária ou na labuta diária. Sua execução ocorreu através da observação rotineira de um morador da cidade de Alcântara – Ma, de nome desconhecido, que sem proferir uma única palavra, mostrava muito dessas características “genuinamente”, se assim podemos falar, brasileiras.

Caboclo nordestino tem no rosto a marca da bravura indígena e a força dos negros escravos que ali viveram. Homem de poucas palavras, trás no semblante um arcabouço da história do Brasil.

Veja mais fotos:






*Flaviene Vasconcelos é estudante de Ciências Sociais da UFC e militante da União Brasileira de Mulheres - UBM.

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UJS de Fortaleza realiza Plenária sábado  

Clique na imagem para ampliar

A Direção Municipal da UJS de Fortaleza convoca seus filiados e amigos para discutir nossa atuação nesse primeiro trimestre de 2009. Essa plenária tem por objetivo tratar de questões importantes para a entidade nesse momento, tais como: recomposição da Direção Municipal, substituição dos membros da gestão; movimento estudantil secundarista, fortalecimento da ACES, atuação na UNEFORT e campanha pela Reserva de Vagas nas Universidades públicas para estudantes de escolas públicas e etnias; e movimento universitário, tendo em vista o congresso da UNE previsto para Julho.

Data: Sábado - 14/02.

Local: Sede da UJS - Av da Universidade, Benfica.

Hora: 15h.

Depois vai rolar o bloco de carnaval da UJS, o Bloco dos Valetes. Você não pode perder!

Saudações Socialistas!!!

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Quartas Vermelhas em Fortaleza  

A Foice e o Martelo

Experiência bem sucedida no ano de 2008, o ciclo de palestras promovido pela Comissão de Formação do PCdoB de Fortaleza, ganha novo nome - Quartas Vermelhas - e reinicia suas atividades em fevereiro deste ano realizando duas palestras.

A primeira acontece no próximo dia 04 de fevereiro, quando será discutido o tema: “O Conflito na Faixa de Gaza”, e cujo palestrante será o presidente do PCdoB de Fortaleza, Luis Carlos Paes.

Já no dia 18 de fevereiro a palestra será sobre “Os 50 anos da Revolução Cubana” e será proferida pelo professor e historiador Evaldo Lima. O Ciclo de Palestras acontece sempre às 19h, no auditório César Uchoa, na sede municipal do PCdoB de Fortaleza.

O calendário do evento inclui ainda os temas: “O encontro dos Partidos Comunistas do Brasil” e “A história do PCdoB no Ceará”, que ocorrerão no mês de março e “Movimentos Sociais, O Partido e O Governo” e “Os Impactos da Crise econômica no município de Fortaleza”, que estão marcados para o mês de abril.

Segundo o secretário de Formação, Vicente Carneiro, as Quartas-Vermelhas tem como objetivo atualizar os comunistas fortalezenses em discussões importantes para o país. “A formação política é, sem dúvida, um importante instrumento para o fortalecimento orgânico e teórico do Partido Comunista e de seus militantes” afirma o dirigente.

Fonte: Portal Vermelho

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